A décima sexta edição do festival Setembro Negro foi realizada entre os dias 05, 06 e 07 de setembro de 2025 e trouxe mais uma vez uma grande oportunidade de celebrar o Metal Extremo e Underground nacional e internacional. Trinta bandas de diversos países se apresentaram no VIP Station, que foi o local escolhido para receber essa edição do evento. A casa oferece um espaço maior do que o Carioca Club e também a possibilidade de um outro palco no subsolo, chamado “Palco Infernal”, o que possibilitou aumentar o número de bandas que se apresentaram com um intervalo mínimo entre elas. Como a casa esteve lotada no sábado e no domingo e também na sexta recebeu um ótimo público, para aqueles que não conseguiram ficar bem em frente ao “Palco Infernal” foi bem difícil acompanhar os shows realizados naquele espaço, uma vez que o palco baixo impossibilitava a visão para quem estivesse mais ao fundo. Essa reclamação que foi bem generalizada talvez leve a organização do evento a procurar uma casa ainda maior para as próximas edições do evento, que só tende a crescer ainda mais nos próximos anos, mesmo sem abandonar sua proposta original de priorizar o underground. O fato é que o público que se deslocou das mais diversas regiões do país e da América do Sul precisa, de fato, de um espaço maior para desfrutar da melhor maneira a experiência que esse festival possibilita. De qualquer forma, a Tumba Produções está de parabéns pela realização de mais um evento histórico!
Mas não é o caso aqui de fazer uma resenha do evento como um todo – até porque, embora eu tenha comparecido aos três dias, não pude ver todas as bandas. Por isso, vou me concentrar apenas no show que encerrou a edição deste ano, a apresentação do Triptykon executando os clássicos do Celtic Frost.
Como se sabe, o Triptykon é a banda que Thomas G. Warrior montou após a dissolução definitiva do Celtic Frost em 2008. De certa forma, a banda é uma continuidade daquela última encarnação do projeto que Tom Warrior liderava junto com o falecido baixista Martin Eric Ain. Por essa razão, boa parte dessa apresentação foi dedicada ao álbum “Monotheist”, lançado em 2006, cuja sonoridade constitui a base do Triptykon, banda que por sua vez lançou dois álbuns de estúdio e trabalha para lançar seu terceiro full-lenght.
Às 22:10h, pontualmente como todos os outros shows do evento, o Triptykon encarnou o Celtic Frost abrindo com “Circle of the Tyrants” faixa primeiramente lançada no segundo EP (“Emperor’s Return” de 1985) e depois regravada para o primeiro Full-lenght, “To Mega Therion” de 1985, cuja capa estampava o pano de fundo do palco com a célebre obra de H. R. Giger intitulada “Satan I”. Seguiu-se “The Usurper” do mesmo álbum, e depois uma sequência do primeiro EP “Morbid Tales” (1984): “Return to the Eve”, “Into the Crypt of Rays” e “Procreation of the Wicked”. A essa altura o público que lotava o VIP Station nesse último dia do evento já estava plenamente extasiado com essa sequência avassaladora de clássicos, o que ensejou a primeira incursão no já mencionado “Monotheist” com a faixa “Ground”. Na sequência uma faixa do polêmico “Into the Pandemonium” (1987), a baudelairiana “Sorrows of the Moon”, faixa que pode ser considerada uma das pedras fundamentais do Metal Gótico, provando mais uma vez o caráter vanguardista do Celtic Frost, banda altamente experimental que nos álbuns seguintes iria do Glam Metal ao Gothic Metal, antes de sua primeira dissolução no início dos anos noventa. Na sequência veio “A dying God coming into human flesh”, mais uma do “Monotheist” e que Tom Warrior fez questão de apresentar como uma faixa composta por Martin Eric Ain. “Dethroned Emperor” trouxe de volta os anos oitenta e a época em que o Celtic Frost ainda soava como o Hellhammer. Nesse momento o público homenageou o músico suíço com seu tradicional urro ao que ele agradeceu e direcionou seu agradecimento à sua banda e a sua equipe técnica que, segundo ele, possibilitaram essa apresentação lendária. A noite foi encerrada com a épica “Synagoga Satanae”, faixa que também encerra o último álbum da banda e que ao longo de seus quase 15 minutos oferece aquilo que de melhor as composições de Tom G. Warrior entregam, desde o Hellhammer até o Triptykon passando pela banda que está no centro de tudo, o Celtic Frost que finalmente teve uma homenagem digna de seu legado aqui em nosso país. Essa noite jamais será esquecida!



