
A Suécia segue sendo um terreno fértil para a música extrema, e poucos nomes sintetizam tão bem a união entre o black metal e o death metal quanto os veteranos do IN AETERNUM. Ativos desde o início dos anos 1990, os suecos construíram uma reputação sólida e conquistada à força ao longo de quatro álbuns de estúdio ferozes, cada um deles deixando marcas profundas no subterrâneo do metal extremo. Agora, a banda se prepara para lançar seu quinto álbum completo, intitulado …of Death and Fire, com lançamento marcado para 6 de fevereiro, via Soulseller Records.
O novo trabalho surge como uma verdadeira máquina de carnificina sonora: um registro que rasga carne e ossos com igual medida de inteligência e ferocidade. Fiel à essência brutal do IN AETERNUM, o álbum combina agressividade implacável com uma construção musical cuidadosa, reafirmando a identidade da banda em um momento simbólico — vinte anos após o lançamento de seu primeiro demo sob esse nome. Trata-se de um disco saturado de esforço, técnica e visão, qualidades cada vez mais raras dentro dos círculos do metal extremo contemporâneo.
Musicalmente, …of Death and Fire inicia-se ancorado nas raízes do blackened death metal old school, com forte inclinação para o death metal, sem abdicar de linhas melódicas bem inseridas. A partir da quarta faixa, “Spirits of the Dead”, a banda passa a explorar estruturas mais densas e intrincadas, acelerando os tempos e liberando uma energia black metal ainda mais intensa. O resultado é um som progressivamente mais selvagem e avassalador, que engole o ouvinte por completo.
Um dos momentos centrais do álbum ocorre em “Mortuary Cult”, quando um trecho em spoken word estabelece um ponto narrativo decisivo, sustentado por linhas de baixo hipnóticas antes da entrada devastadora dos vocais de David Larsson. Dali em diante, cada faixa aprofunda a atmosfera opressiva, erguendo uma muralha sonora impiedosa, construída a partir de melodias bem arquitetadas e urros primais.
Faixas como “Bow To None”, “Goddess of Abominations” e o encerramento “To Those Who Have Rode On” — que conta com a participação de Erik Danielsson (WATAIN) — se destacam como potenciais clássicos do gênero, tanto pela força musical quanto pela coerência ideológica. São composições que carregam uma chama ritualística, evocando forças que parecem emergir diretamente de além dos portões ígneos.
Ao longo de onze faixas forjadas no fogo, o som do IN AETERNUM é transmutado em rito: uma forma de magia sonora moldada por devoção, intenção ardente e uma peregrinação filosófica através da morte, da sombra e dos mistérios ocultos que existem além do véu. …of Death and Fire se firma, assim, como um álbum essencial para os devotos do blackened death metal — uma promessa feita pela banda e plenamente cumprida.
Lista de Faixas:
- Danse Macabre
- Beneath the Darkened Tomb
- The Day of Wrath
- Spirits of the Dead
- Mortuary Cult
- The Vile God of Slime
- Bow to None
- De Profundis
- Goddess of Abominations
- The Hourglass
- To Those Who Have Rode On
Fonte: The Void Journal



