
Diretamente das terras geladas da Finlândia, os mestres do black metal sinfônico Vargrav revelam mais um fragmento de seu aguardado quarto álbum, Dimension: Daemonium, com lançamento iminente pela Werewolf Records, previsto para março. O novo material reafirma a proposta grandiosa e cósmica que a banda vem lapidando desde sua gênese, agora levada a um novo patamar de clareza, agressividade e ambiência astral.
Desde o surgimento com o hoje cultuado debut Netherstorm (2018), o Vargrav tem sido apontado como uma força quase solitária na revitalização de um subgênero frequentemente subestimado. Forjado nas chamas de tradições antigas, o projeto carrega a assinatura de V-Khaoz, figura de longa trajetória no underground, cuja visão resgata e reinterpreta os ecos deixados por nomes como Obtained Enslavement, Covenant e Odium. Os dois primeiros álbuns da banda permanecem como monumentos de um black metal sinfônico enraizado na tradição, mas revestido de um brilho sombrio e aristocrático.
Foi, contudo, com o colossal The Nighthold (2023) que o Vargrav ultrapassou todos os seus próprios limites. Contando com um elenco de peso — Graf Werwolf von Armageddon nos vocais, Trollhorn (Moonsorrow) nas guitarras e baixo, e Baron M. Tarwonen na bateria — o álbum elevou o conceito de grandiosidade a níveis quase cinematográficos. A comparação com o clássico Nexus Polaris, do Covenant, mostrou-se não apenas inevitável, mas justa.
Agora, em uma nova fase, o Vargrav retorna reduzido à dupla V-Khaoz e Werwolf, mas sem qualquer perda de impacto. Dimension: Daemonium expande a “onda cósmica” que definiu seu antecessor, condensando-a em cerca de 43 minutos que soam vastos, opressivos e luminosos ao mesmo tempo. As composições atacam de forma imediata e se desdobram lentamente, equilibrando execução feroz e atmosferas cintilantes, como paisagens oníricas soterradas pelo frio mortal do espaço profundo. Aqui, o vazio não é silêncio: é abismo.
Furioso e refinado, dramático e majestoso, Dimension: Daemonium surge como mais uma afirmação categórica de que o Vargrav ocupa, hoje, a linha de frente do black metal sinfônico contemporâneo — não apenas como herdeiro de uma tradição, mas como seu mais audacioso arquiteto estelar.
Fonte: The Void Journal



