Líder do KREATOR defende evolução artística em “Krushers Of The World” e rejeita a ideia de repetir fórmulas dos anos 80

Em entrevista recente a Jorge Botas, do portal português Metal Global, Mille Petrozza, líder dos veteranos do thrash metal KREATOR, comentou abertamente sobre sua visão artística e o processo criativo por trás do 16º álbum de estúdio da banda, “Krushers Of The World”, lançado em 16 de janeiro de 2026 pela Nuclear Blast Records.
Gravado no Fascination Street Studios, em Örebro, Suécia, com o produtor Jens Bogren — parceiro já conhecido da banda por trabalhos como Phantom Antichrist (2012) e Gods Of Violence (2017) —, o novo álbum reafirma uma característica essencial do KREATOR: a recusa em se limitar a um thrash metal linear e purista. A arte de capa ficou a cargo do renomado artista polonês Zbigniew Bielak (Ghost), reforçando o caráter épico e contemporâneo do lançamento.
Segundo Mille, as composições de Krushers Of The World foram desenvolvidas ao longo de um período relativamente curto, justamente para preservar o frescor criativo. Após iniciar os demos em 2024 e finalizá-los em abril de 2025, o material foi apresentado à banda pouco antes das gravações, evitando o desgaste vivido durante o ciclo de Hate Über Alles (2022), que teve seu lançamento atrasado pela pandemia.
Para Petrozza, essa decisão foi fundamental para manter a energia criativa viva:
“Eu queria evitar viver com as músicas por tempo demais. Entramos no estúdio com tudo fresco, e todos contribuíram. Eu realmente gosto do resultado.”
Questionado sobre o fato de Krushers Of The World não ser um álbum de thrash metal “do começo ao fim”, Mille foi direto. Apesar de reafirmar seu amor pelo thrash, death e black metal, ele deixou claro que a música do KREATOR sempre foi construída a partir de equilíbrio, diversidade e abertura a outras influências:
“Nós poderíamos fazer um álbum só de thrash, sim, mas ficaríamos entediados — e isso não viria do coração. Quando algo não vem do coração, o ouvinte sente.”
O músico também criticou a tendência de algumas bandas — e expectativas de parte do público — de forçar uma sonoridade artificialmente presa aos anos 1980. Para ele, revisitar influências do passado é natural, mas viver exclusivamente dele não faz sentido:
“Os velhos tempos acabaram. Nunca vamos recuperá-los completamente. Você sente isso por alguns momentos quando ouve músicas antigas ao vivo, mas tentar forçar isso o tempo todo não funciona para mim.”
Ainda assim, Mille demonstra empatia com fãs que desejam reviver emoções ligadas à chamada “era dourada” do metal. Ele compara essa expectativa à sua própria relação com bandas como Fields Of The Nephilim e The Sisters Of Mercy — quer ouvir os clássicos, mas permanece aberto ao novo.
O álbum conta com singles como “Seven Serpents”, “Tränenpalast” e “Satanic Anarchy”, sendo que “Tränenpalast” traz a participação especial de Britta Görtz, vocalista do HIRAES, ampliando ainda mais o espectro sonoro do disco.
Para promover Krushers Of The World, o KREATOR embarcará em uma turnê europeia monumental, passando por 20 países, ao lado de CARCASS, EXODUS e NAILS, com início em 20 de março de 2026, em Lisboa, e encerramento em 25 de abril, em Copenhague. Uma extensa turnê pelos Estados Unidos também está confirmada para a primavera, incluindo festivais de grande porte como Maryland Deathfest e Welcome To Rockville.
Além da atividade musical intensa, Petrozza também vive um momento de consolidação de seu legado fora dos palcos. O documentário oficial “Hate & Hope”, dirigido por Cordula Kablitz-Post, estreou em 2025, assim como sua autobiografia “Your Heaven, My Hell”, publicada na Alemanha no mesmo ano.
Com Krushers Of The World, Mille Petrozza deixa claro que o KREATOR não sobrevive de nostalgia, mas de convicção artística — mantendo o espírito do thrash vivo justamente por se recusar a fossilizá-lo.
Fonte: Blabbermouth



