KING DIAMOND: Guitarrista detalha estágio avançado das composições, processo criativo da banda e expectativas para “Saint Lucifer’s Hospital 1920”
O aguardado novo capítulo da discografia do KING DIAMOND segue em desenvolvimento — mas ainda não completamente finalizado. Em entrevista recente a Peter Kerr, do Rock Daydream Nation, o guitarrista Andy La Rocque ofereceu um panorama detalhado sobre o andamento do próximo álbum da banda, “Saint Lucifer’s Hospital 1920”, deixando claro que, apesar de avanços significativos, o projeto ainda depende da conclusão das composições por parte do vocalista King Diamond.
Questionado sobre uma possível data de lançamento, La Rocque foi direto: essa resposta está nas mãos de King. Segundo ele, o material vem sendo trabalhado há anos, e sua contribuição já está, em grande parte, concluída desde 2022. Naquele período, o guitarrista preparou cerca de oito músicas em estágio avançado de pré-produção, incluindo gravações de guitarras definitivas, estruturas completas e até contribuições de teclado de Roberto Falcao, colaborador clássico da banda.
Essas demos foram compartilhadas com os demais integrantes, contendo linhas de baixo (algumas tocadas pelo próprio La Rocque como guia), baterias programadas e arranjos praticamente prontos para gravação oficial. No entanto, após discussão interna, King Diamond optou por utilizar apenas três dessas faixas. A partir daí, o foco passou a ser o desenvolvimento do restante do álbum — tarefa que ainda está em andamento. “Ele deve estar finalizando algo em torno de cinco ou seis músicas. É isso que estamos esperando agora”, explicou o guitarrista.
Em uma entrevista anterior ao podcast Pod Scum, Andy já havia comentado sobre esse mesmo cenário, reforçando que o objetivo da banda é lançar o disco ainda em 2026. Ele destacou que King Diamond já possui boa parte do material estruturado, incluindo letras, mas que a finalização e os arranjos definitivos ainda precisam ser concluídos antes do início das gravações completas. Caso esse processo avance rapidamente, a banda pode entrar em estúdio durante o verão europeu, abrindo a possibilidade de lançamento no final do ano.
La Rocque também ofereceu uma visão aprofundada sobre a dinâmica criativa dentro do KING DIAMOND. Segundo ele, sua abordagem como compositor é bastante orgânica e intuitiva, baseada na emoção e na construção melódica — elementos que ele considera essenciais. No entanto, ao trabalhar com composições de King Diamond, há diretrizes específicas a serem seguidas.
O guitarrista explicou que evita, por exemplo, certos tipos de execução rítmica — como o uso de vibrato ao final de riffs — quando isso pode interferir nas linhas vocais. Já em suas próprias músicas, ele se permite maior liberdade criativa, ajustando apenas posteriormente caso algo não se encaixe com os vocais. “Eu escrevo o que vem do coração. Se funciona para a música, então está certo”, afirmou.
Musicalmente, La Rocque mantém uma abordagem fiel ao heavy metal clássico: afinação padrão, forte presença melódica e preocupação constante em criar espaço para as linhas vocais. Essa filosofia reforça a identidade sonora da banda, que permanece enraizada na tradição dos anos 80, mesmo com o passar das décadas.
Detalhando ainda mais o processo de composição, Andy explicou que costuma criar demos extremamente completas. Essas pré-produções incluem bateria programada, guitarras base, teclados e, em alguns casos, até solos que podem ser aproveitados na versão final. O objetivo é apresentar uma visão clara e quase definitiva da música antes mesmo da gravação oficial.
Já King Diamond tende a trabalhar de forma um pouco mais minimalista nas demos, deixando espaço para que La Rocque refine e regrave as guitarras posteriormente. Após a definição dos arranjos, o material é enviado para os demais membros da banda.
O baterista Matt Thompson, por exemplo, grava suas partes em seu próprio estúdio em Dallas, substituindo as baterias programadas. Em seguida, o material retorna para ajustes de mixagem e refinamento sonoro. O mesmo processo se aplica ao baixista Pontus Egberg e ao guitarrista Mike Wead. Somente após essa etapa coletiva é que King Diamond grava os vocais, finalizando a estrutura das músicas.
Mesmo após essa fase, alterações ainda podem ocorrer. A banda mantém uma abordagem flexível, permitindo ajustes em riffs, solos ou arranjos sempre que necessário. “É um processo muito criativo”, destacou La Rocque.
Parte do novo material já foi apresentada ao público. As faixas “Spider Lilly” e “Electro Therapy” foram executadas ao vivo durante a turnê norte-americana de 2024, funcionando como um teste direto com os fãs. “Nós já estávamos satisfeitos com essas músicas, por isso decidimos tocá-las ao vivo e ver como funcionavam”, explicou o guitarrista.
“Spider Lilly”, inclusive, já foi lançada oficialmente em estúdio, com produção de Arthur Rizk, que também assinou a masterização. O videoclipe da faixa foi parcialmente filmado no assombrado Pennhurst Asylum, nos Estados Unidos, reforçando a estética sombria característica da banda.

Outras músicas confirmadas para o álbum incluem “Under The Surface”, “The Institute”, “The Nun”, “Faceless” e o single “Lobotomy”, que deve ganhar um videoclipe em breve. Há ainda uma faixa adicional, “Deep In The Darkness 1920”, cuja inclusão no tracklist final ainda não está garantida.
Originalmente intitulado “The Institute”, o álbum teve seu nome alterado para “Saint Lucifer’s Hospital 1920”, conceito que deve servir como base narrativa para o primeiro capítulo de uma trilogia já planejada por King Diamond.
Um dos pontos mais interessantes revelados por La Rocque é a intenção da banda de resgatar uma sonoridade mais orgânica, inspirada nas gravações clássicas dos anos 80. Isso significa menos edição digital, menos correções excessivas e uma abordagem mais “humana” na execução.
Segundo o guitarrista, a ideia é evitar o uso intensivo de recursos como quantização extrema ou triggers artificiais, permitindo pequenas imperfeições que contribuem para uma sensação mais autêntica. “Não precisa ser 100% perfeito. 99,9% já é o suficiente — e isso dá mais vida à música”, afirmou.
Mesmo com a demora, fica evidente que o KING DIAMOND está comprometido em entregar um trabalho à altura de seu legado. O último álbum de estúdio da banda, “Give Me Your Soul… Please” (2007), marcou época e rendeu até mesmo uma indicação ao Grammy, consolidando ainda mais a relevância do grupo no cenário do heavy metal.
Desde então, lançamentos pontuais como “Masquerade Of Madness” (2019) e “Spider Lilly” (2024) mantiveram a chama acesa, enquanto projetos ao vivo — como o DVD/Blu-ray “Songs For The Dead Live” — reforçaram a força da banda nos palcos.
Agora, com “Saint Lucifer’s Hospital 1920”, o KING DIAMOND prepara não apenas um novo álbum, mas o início de uma narrativa maior, ambiciosa e conceitual. Resta saber quando King Diamond concluirá suas composições — e quando os portões desse novo capítulo finalmente serão abertos.



