Terceiro álbum de estúdio do duo norte-americano aprofunda sua abordagem dissonante e transgressora do Black Metal, combinando guitarras cortantes, percussões explosivas e atmosferas de delírio ritualístico em sete composições.

Após três anos de espera desde Ten Thousand Hells…, o Spirit Possession retorna com Cathedral Speech, seu terceiro manifesto sonoro de longa duração, lançado pelos selos Profound Lore Records e Sepulchral Voice Records, este último responsável pela edição europeia. O trabalho apresenta sete composições que mergulham nas profundezas de um Black Metal audacioso, labiríntico e avesso a convenções, com todas as suas estruturas apontando simbolicamente para baixo, em direção ao abismo.
Se em Of the Sign… o duo sustentava um olhar quase hipnótico sobre composições mais erráticas e imprevisíveis, Cathedral Speech intensifica essa proposta, assumindo uma postura ainda mais incisiva, desorientadora e narrativamente épica. Tempestades de guitarras e artilharia percussiva explosiva conduzem as investidas de Black Metal e Death Metal, enquanto a respiração febril de uma composição setentista atravessa o material, acrescentando uma dimensão peculiar à arquitetura sonora do disco.
A sequência de quatro faixas conduz o ouvinte a um estado de progressiva insanidade, antes de desembocar em uma extensa composição final. O resultado é uma sucessão de cânticos elétricos, monumentais e blasfemos, nos quais a agressividade não se limita à velocidade ou à violência instrumental: ela se manifesta também na construção de atmosferas instáveis, na imprevisibilidade dos arranjos e na recusa de qualquer conforto auditivo.
A formação do Spirit Possession reúne S. Peacock, responsável pelas guitarras e vocais, e A. Spungin, encarregado da bateria e dos sintetizadores artesanais. Ambos atuam na banda desde 2019, desenvolvendo uma identidade que se alimenta do choque entre a brutalidade do Metal extremo e experimentações que ampliam as possibilidades de sua linguagem.
Em Cathedral Speech, S. Peacock — também associado a projetos como Black Curse, Ulthar e Mastery — assume as cordas e os vocais, enquanto A. Spungin, conhecido por sua atuação em Ormus e Taurus, entre outros projetos, constrói a base percussiva e os elementos sintéticos que atravessam o álbum.
As gravações foram realizadas nas profundezas do S·P Dungeon. A reamplificação, a mixagem e a masterização ficaram a cargo de Colin Marston, no estúdio The New Megnegroth, localizado em Thousand Caves. A identidade visual do álbum foi desenvolvida por Luciana Lupe Vasconcelos, complementando a proposta estética de uma obra que transforma o imaginário religioso em matéria para uma experiência sonora hostil e desestabilizadora.
Com Cathedral Speech, o Spirit Possession reafirma sua inclinação por um Black Metal que não busca apenas reproduzir fórmulas estabelecidas, mas tensionar seus limites por meio de dissonâncias, estruturas imprevisíveis e uma atmosfera de profanação. Trata-se de uma conjuração em que o caos não aparece como mero ornamento: ele constitui o próprio princípio organizador da obra.
TRACKLIST — CATHEDRAL SPEECH
- Cathedral Speech
- Backyard Commandments
- Hanged Angels as Patternwalls
- The Sharpening
- First Levitation (Accursed Entrances…)
- Second Liturgy (…Impossible Exits…)
- Trinity Possessor (…In Ten Thousand Hells)
Spirit Possession — Cathedral Speech
Gravadoras: Profound Lore Records / Sepulchral Voice Records (Europa)
Formação:
- S. Peacock: Guitarras e vocais
- A. Spungin: Bateria e sintetizadores artesanais
Fonte: The Void Journal.



