Colaboração funde hino ortodoxo ancestral e paisagem sonora apocalíptica em edição limitada a 33 cópias

Em setembro de 2023, a banda ucraniana Azimut lançou de forma independente seu álbum de estreia, “Stuma”, um trabalho que se destacou por entrelaçar influências de sludge, post-metal e black metal em uma linguagem densa e emocionalmente devastadora. Agora, o selo ucraniano de perfil artesanal Robustfellow Prods. anuncia o relançamento de Stuma em uma edição extremamente limitada em fita cassete, acompanhada de uma faixa bônus especial.
A faixa adicional é fruto de uma colaboração entre o Azimut e o projeto ucraniano Octopus Kraft — atualmente uma empreitada solo de Yurii Dubrovskyi. Intitulada “Agni Parthene / Apoleia”, a composição ganhou um lyric video e se apresenta como uma obra de forte carga simbólica e espiritual, descrita como a fusão entre tradição coral sagrada e uma paisagem sonora apocalíptica.
A primeira parte da obra, “Agni Parthene” (grego para “Ó Virgem Pura”), reimagina um antigo hino ortodoxo dedicado à Mãe de Deus. Escrita originalmente por São Nectário de Egina durante um período de intenso sofrimento pessoal, a oração é conhecida por oferecer força e esperança àqueles que atravessam a dor. Já a segunda parte, “Apoleia” (grego para “Ruína”), representa a queda — uma descida à pesadez, tristeza, desespero, arrependimento e, por fim, rendição.
O resultado é um choque entre o sagrado e o humano: uma jornada que se move da luz para a escuridão, da elevação espiritual ao colapso interior. A mesma voz que antes suplicava proteção passa a falar a partir de um lugar de desolação absoluta, consciente da própria culpa e da perda de si — um ritual sonoro que expõe a tragédia de uma alma fragmentada, ainda escavando cinzas em busca de significado.
Musicalmente, a interpretação do hino que abre a peça é lenta, solene e reverente, sustentada por uma combinação emotiva de voz e órgão. O canto anseia, o órgão ascende, e batidas espaçadas de bateria surgem como presságios do que está por vir. À medida que os vocais se elevam, o órgão ganha densidade e tonalidades mais sombrias, preparando o terreno para a transição.
Com uma breve pausa, inicia-se “Apoleia”, onde notas gemem e tremulam febrilmente sobre batidas firmes e frequências graves arrastadas. Aqui, os vocais explodem em urros, gritos e berros abrasivos, carregados de desespero. A tensão cresce até o limite da ruptura, com timbres cortantes se contorcendo pelos canais e vozes que se tornam quase caóticas, antes de tudo se dissipar lentamente — o momento da rendição finalmente alcançado.
O selo Robustfellow Prods. lançará Stuma — incluindo “Agni Parthene / Apoleia” — em uma fita cassete fabricada profissionalmente na União Europeia, limitada a apenas 33 cópias. Um artefato raro, tanto físico quanto espiritual, destinado àqueles que ainda buscam significado entre ruínas, fé e devastação sonora.
Fonte: No Clean Singing



