Forjada nas catacumbas do underground brasileiro desde 2003, a entidade conhecida como Catacumba atravessou hiatos, instabilidades, mortes e renascimentos para consolidar-se como um dos cultos mais resilientes do Metal Negro nacional. Nesta entrevista para o Portal Lucifer Rex, Gordoroth Vomit Noise disseca a gênese da horda, a filosofia que amalgama existencialismo, Göetia e rebelião espiritual, as articulações internacionais que levaram suas demos e álbuns a selos da Europa, América Latina e Ásia, e o silêncio imposto em 2016 diante de rupturas internas e da posterior morte de Count Único del’Inferni — mentor e principal arquiteto sonoro da banda. Entre reflexões sobre o vazio da existência, a arte como fim em si mesma e a rejeição a qualquer otimismo em relação à humanidade, a Catacumba ressurge com o EP “Decano”, registrado ainda em 2015 e finalmente materializado em 2025, além de anunciar novos splits, ritos ao vivo e um álbum completo composto antes da dissolução. Mais do que uma retrospectiva, esta conversa é um manifesto de continuidade: a reafirmação de que a mácula negra não se apaga — apenas se adensa.
1. Saudações meus caros irmãos, é com muita honra que recebemos vocês nessas páginas sangrentas e celebrar estes longos 23 anos de existência dessa potestade maligna chamada Catacumba. Para iniciar, nos conte sobre essa empreitada fundada em 2003, como tudo começou?
G.V.N.: Inicialmente, direciono meus sinceros cumprimentos a ti e a toda a equipe da Lucifer Rex, meu estimado aliado de tantos anos de kulto subterrâneo, Naberius! Antes de qualquer manifestação, deixo claro o quão honrado estou por responder a esta entrevista, concebida por um dos maiores teóricos do metal negro sul-americano.
A entidade tomou forma neste lapso de espaço-tempo em dezembro de 2003, deste atual calendário consensualmente aceito nesta parte do globo, quando eu e Count Único del’Inferni resolvemos formar um grupo de Black/Death Metal que fizesse referências diretas às nossas influências dentro do estilo, não nos apegando de modo austero à forma, e sim aos mantras negros e sua mensagem, que atinge diretamente a escuridão interna de cada um de nós, conduzindo os kultistas a voltarem seus olhares ao poço abissal primal da existência.
Após formarmos o pacto, Count Único chamou seu parceiro musickal de longa data, Amazarack, e assim formamos a tríade que tornou-se a tônica da banda por anos. Nestes primeiros dias, conhecemos Vultur Necrophiler, que tocava na banda Ritus Tenebrum, que aceitou nosso convite e veio para as nossas fileiras. Com essa formação, gravamos a demo “Birkat Ha-Minim: A Bênção dos Hereges” entre o final de 2004 e início de 2005, que foi o ponto inicial da apresentação da nossa obra a todo o kulto underground, do qual somos sócios até os dias atuais.
2. A banda surgiu em meio a um momento de transição bem forte no início dos anos 2000! Aquele tempo, os formatos de lançamentos das demos estavam mudando dos velhos k7s para os CDrs e a Catacumba foi um exemplo dessa transformação, visto que sua primeira demo foi lançada no formato Comente sobre o lançamento deste primeiro material “Birkat Ha-Minim – A Benção dos Hereges”, lançado em 2005.
G.V.N.: Esta época tinha uma característica muito peculiar, oriunda de um comportamento dos consumidores de música, que era o abandono do formato da mídia física que acabara de ter um sucessor. Os LPs e K7s já eram considerados ultrapassados naqueles dias; o kulto continuou, ainda que de forma frágil, apenas em nichos aficionados pelos formatos tradicionais, como o metal, blues, jazz e hip-hop. O CD-R era a via mais cômoda naquele instante.
Nós somos oriundos das classes baixas da sociedade e, naquela época, muito jovens, tínhamos poucos recursos. Optei por lançar, pelo meu selo, Tecido Adiposo Prods, o formato que tivesse o melhor custo-benefício e que fosse mais viável, sem perder a qualidade sonora e gráfica, para remessas postais via correios. Deve-se considerar que a internet engatinhava naqueles tempos, e a mácula negra da músicka subversiva e underground era proliferada quase exclusivamente por esta via — dispendiosa e de qualidade duvidosa, como, em grande parte, ainda é hoje.
Lancei 1000 cópias em CD-R, com capa em papel couchê colorida, que foram enviadas para os quatro cantos deste planeta, recebendo sempre uma ótima acolhida nos covis dos kultistas que alcançaram. A obra foi relançada em tape entre os anos de 2007 e 2010 pelos selos Black Vomit Records (Grécia) e Hell Unleashed Prods (Portugal), o que nos conferiu uma maior visibilidade no necrounderground do Velho Mundo e a certeza de que nossa arte negra chegava em mãos corretas. Mãos esquerdas, obviamente.
3. A Catacumba sempre me pareceu uma banda de Metal Negro mais voltada para temas existencialistas, sobre o vazio da existência, das drogas e da crítica ao humano! Estou certo na minha percepção? Essa abordagem, em que momento há algum auspício centrado no sobrenatural, como há essa aliança na verve do Catacumba?
G.V.N.: Corretíssimo. Os integrantes do kulto sempre tiveram em comum uma característica: todos eles possuem, de alguma forma, o toque da mácula negra inominável que habita o fosso mais profundo do âmago humano, seja ele psíquico ou espiritual.
Eu nunca segui uma direção linear com a temática da banda, sempre flutuando entre as mais subversivas linhas de pensamento e amalgamando, austeramente, filosofias existenciais como a de Cioran e dos existencialistas clássicos, cosmogonias de diversas culturas, goetia e paganismos das mais diversas fontes, ou seja, a Mão Esquerda em seus mais variados contornos. Nossa temática trata o material e o abstrato como faces de uma mesma moeda, apenas em estágios diferentes e com meios de acesso que, em grande parte, ainda não descobrimos, sempre em caráter prosélito de rebelião, seja ela individual ou coletiva.
4. Nos conte sobre essa experiencia, um tanto comum ao underground, de lançar uma demo ao vivo através de um selo mexicano, como foi essa aliança e a repercussão desse lançamento?
G.V.N.: Naqueles tempos, estávamos nos primeiros anos de materialização da entidade neste plano e tínhamos em mãos a gravação bruta de nossa apresentação em 2005 no Metal Hordes Devastation II , em Juiz de Fora, Minas Gerais, o que, para nós, já era motivo de júbilo.
Sempre mantive contato por cartas e e-mails com maníacos die-hards do mundo todo, e o dono da Satanic Records, do México, era um deles. Remeti a gravação em estado bruto para nosso mecenas norte-americano e ele a apreciou, vindo a lançar uma versão pro-tape limitada em 666 cópias. Foi uma realização! Somos metalheads ortodoxos e colecionadores de fitas, CDs e vinis; Ter, naquela época, em mãos a materialização do nosso ritual foi soberbo! A repercussão foi ótima e nos abriu diversas oportunidades mundo afora. Somos gratos pelo esmero da Satanic Records com o lançamento.
5. Falando em alianças internacionais, Catacumba nos parece uma banda com boas relações em outros países, a que se deve esse estreitamento de laços? Como todas essas colaborações se deram durante esse período, inclusive para lançamento de DVD e um split com Grave Desecrator, além da tape live?
G.V.N.: Sempre foi algo natural me comunicar com pessoas de outros países, mesmo tendo que aprender outra língua na marra; Minhas inspirações para tal foram os metalheads brasileiros que nunca se limitaram a questões geográficas para a proliferação de sua arte, como Possessed, Antichrist, Beelzeebubth, Zema e tantos outros. Para aqueles da minha Geração Y, que lançavam seus olhos para as publicações que ditavam os rumos do underground mundial naquela época, essa interação era difícil, mas necessária, sempre na busca por abortarmos sobre a terra nossa arte com uma melhor qualidade e com destino encontrado em mãos corretas, que, numa era sem internet, eram realmente obscuros e isolados em bolsões de cena aqui e acolá.
Tal comportamento sempre foi a tônica de várias personalidades que foram, ou são, referência na música metal, estilo que nunca se limitou a barreiras geográficas. Lembro-me de ler uma entrevista do Dani Filth, do Cradle of Filth, onde ele dizia que, quando a banda dele começou, ele escrevia em torno de 100 cartas por dia! E eu achava que mandando em torno de cinquenta missivas por semana eu estava me sacrificando… tolo.
Procurei fazer chegar nossa arte nas mãos corretas e de pessoas que entendessem a proposta, sempre de forma qualitativa. Dissequei zines e revistas como Desecration of Virgin , Slayer Magazine , Deusdemoteme , Medical Genocide , Metal Blood , Obscura Arte , Revelações Abissais , Psicoterror , Vampire Magazine e tantos outros. Escrevia para todos os maníacos que eu considerava alinhados à nossa proposta de subversão total, cujos endereços eram disponibilizados nestas revistas; acredito que este seja o manancial destas conexões fora do país.
A maioria dos nossos materiais teve lançamentos em outros países. Nossa demo, “Birkat Ha-Minim: A Bênção dos Hereges”, saiu pela minha produtora em CD-R, e em tape em Portugal e na Grécia. A demo live 2005 saiu em tape pela Satanic Records, no México, pela Alastor Rex em tape , no Brasil, e em CD-R pela Suicide Apologies, também no Brasil. Nosso split 7” com Grave Desecrator saiu pela Necromancer Records, da Alemanha. “Kratos”, nosso primeiro álbum, foi lançado inicialmente em CD pela Onslaught Records, do México, poucos meses depois em tape pela Ars Funebris, da França, e, nos anos posteriores, em CD pela La Medula Spinal, do Equador, e pela Fallen Angel Prods, da Coreia do Sul. “Animus Mortis” foi lançado em CD no Brasil pela Blasphemy Prods, em tape pela Angel of Cemetery, no Brasil, em tape pela Metal Squad, na Argentina, em tape pela Kampf Records, na Polônia, e em uma edição especial em tape pela La Medula Spinal, no Equador.
6. Como vocês analisam a carreira com o Catacumba até a parada em 2016, o que os levou a parar as atividades quando, aquela altura, vocês já haviam lançado um álbum “Kratos” 2010 (Onslaught Records – MEX) e estavam ganhando muita visibilidade na cena nacional?
G.V.N.: Ao perscrutamos a trajetória da entidade até o lúgubre hiato de 2016, percebemos que a existência da Catacumba sempre foi pautada por uma atividade intrinsecamente instável. Nossas manifestações — fossem elas em termos de gravações, manutenção do line-up ou o próprio processo de composição — sempre ocorreram por brechas forjadas em meio aos grilhões do cotidiano profano da vida civil de cada membro.
Ainda assim, em nossa avaliação, logramos êxito em nosso propósito primordial: transmitir a essência do Metal Negro àqueles que dele são integrantes. Embora a obra nem sempre tenha sido lapidada sob as condições ideais, a mensagem foi emanada com vigor e devidamente assimilada pelos acólitos do underground, conforme atestavam os constantes feedbacks que recebíamos de diversos covis.
O encerramento das atividades em 2016, contudo, tornou-se um imperativo de sobrevivência espiritual. Count Único del’Inferni , nosso parceiro de longa data, passou a manifestar sinais agudos de instabilidade psíquica, o que desencadeou atritos pessoais e excentricidades que tornaram o convívio insustentável. Tais dissensões, é importante frisar, foram de ordem puramente musical e comportamental, jamais ideológica.
Como sempre acreditamos que a arte negra exige uma simbiose absoluta e uma consistência interna entre os membros do culto para que seja manifestada de forma plena, a ausência de um ambiente de respeito e alinhamento tornou a dissolução inevitável. Naquele momento, os egos de cada integrante retornaram às suas respectivas cavernas e as catacumbas foram lacradas. Tentamos outras vias para manter a chama acesa, mas a manutenção de inconsistências tão obtusas teria corrompido a integridade da nossa obra. O silêncio era a única saída honrosa.
7. Como foi encarar a morte de um integrante e se reerguer para dar continuidade após esse período de “luto”?
G.V.N.: O encerramento das atividades em 2016 já havia estabelecido um distanciamento geográfico e comunicativo natural. Enquanto Count Único del’Inferni retornava aos seus covis em um isolamento cada vez mais profundo e silencioso, os demais remanescentes daquela formação (eu, Amazarack , Tormentor e Apeph) mantivemos o vínculo e a chama criativa acesa, inclusive através de um projeto de Death Metal chamado Congregation (cujo EP permanece aguardando o momento certo para ser expelido sobre a terra).
Infelizmente, o retorno de Count Único ao Espírito Santo, após anos vivendo em Minas Gerais, não trouxe a reaproximação que desejávamos. Ele já estava imerso em uma negação sistemática deste plano existencial e de suas dinâmicas. O acompanhamos à distância enquanto enfrentava graves crises de ordem mental, que resultaram em internações e tentativas de abreviar sua própria estadia nesta esfera. Em 1º de abril de 2021, recebemos a notícia de sua passagem definitiva.
Para nós, foi um golpe devastador. Os cinco membros que hoje sustentam as colunas da Catacumba, incluindo Profanus , que sempre foi um aliado tão intrínseco que o consideramos um sexto membro desde a gênese, não perderam apenas um mentor musical ou um guitarrista de técnica ímpar; perdemos um irmão de armas, um amigo que, apesar de suas excentricidades, enxergava a escuridão interna de um modo muito próprio e autêntico.
O que a sociedade convencionou chamar de “luto” é, para nós, um estado perene. Como bem ecoou os mestres do Sodom em um de seus hinos imortais, nós nunca esquecemos aqueles que caíram. Se hoje a Catacumba retoma suas atividades, se hoje voltamos a entoar nossos mantras negros, o fazemos como um ato de absoluta devoção e honra à memória e ao nome de Bruno Costa Martins . Cada nota de “Decano” é um sacrifício oferecido ao seu legado.
8. Depois de duas décadas trabalhando dentro da cena nacional, como vocês enxergam esse cenário? É uma visão otimista?
G.V.N.: Enxergamos o panorama atual de uma forma não muito distinta daquela que testemunhamos vinte anos atrás, resguardadas, obviamente, as modificações e evoluções inerentes ao tempo presente. Não permaneci em estado de atividade absoluta no underground após o encerramento das atividades com o Congregation , projeto que sucedeu a Catacumba e cujos ritos cessaram por volta de 2020. Contudo, jamais abandonei minha condição de metalhead fanático por artefatos e colecionador de souvenirs, o que me permitiu observar, ainda que de forma cadenciada, a transmutação dos tempos.
Compreendi que o material físico, hoje, transcende a função de mero suporte para a música e se tornou uma obra de arte em si. O foco contemporâneo parece ter se deslocado da simples comercialização de itens para a valorização da apresentação estética, ou até mesmo para as dinâmicas de alcance proporcionadas pelos algoritmos das redes. Entretanto, a premissa do culto permanece inalterada, que é a de proliferar a mácula negra que habita em cada um de nós através do metal extremo e de todas as suas vertentes subversivas.
Quanto ao otimismo, jamais nutrimos qualquer sentimento desta natureza em relação à espécie humana. O fato de participarmos de um culto e de uma cena não nos confere uma visão esperançosa sobre o homem. Nossa atuação é pautada pela arte pela arte, uma manifestação autossuficiente que não busca um fim maior ou uma redenção coletiva. Não há otimismo onde reside a compreensão plena do vazio.
9. Sobre as influências que a banda teve no início de sua carreira, estas mesmas referencias continuam na sua música? Existem novas referencias que passaram a ser influências depois desse tempo? Ao passo que, a busca de toda banda é por sua identidade própria, você considera que Catacumba tem sua própria fórmula de criar música obscura?
G.V.N.: De certa forma, sim. Tudo o que consumimos, independentemente da geração à qual pertença, possui um núcleo invariavelmente alinhado às propostas de precursores como Black Sabbath, Bathory, Sarcófago e Death, que foram os arquitetos de seus respectivos estilos. Bandas como Mystifier e Impurity foram nossas referências seminais, assim como nós talvez sejamos para novos iniciados hoje. Nossas influências atuais são, em essência, a reafirmação do que nos movia outrora, pois o que realmente desperta nosso interesse no presente é o florescimento negro da cena brasileira. Acompanhamos este ciclo perpétuo de renascimento e morte do cenário nacional, e é nesta efervescência que encontramos nossas maiores motivações contemporâneas.
No que tange à nossa identidade, a Catacumba jamais seguiu uma direção linear. A música obscura nos atrai em suas múltiplas formas, e quem se debruçar sobre nossa discografia perceberá que transitamos por todo o espectro do metal extremo, fluindo do Heavy ao Black Metal, do Death ao Doom, sem qualquer pudor em amalgamar esses estilos que, para nós, bebem da mesma fonte subterrânea.
Não acreditamos em uma fórmula estrita para a composição, mas sim em uma direção. É fundamental ressaltar que quase a totalidade de nossa obra, com exceção de “The Phalanx”, presente no EP Decano , é fruto da mente de Count Único del’Inferni. É impossível negar que as composições da Catacumba carreguem a assinatura e a estética dele, contudo, como compartilhamos das mesmas referências e propostas musicais, dar continuidade ao seu legado é um processo orgânico. Em síntese, não seguimos um método mecânico de criação, mas sim uma bússola invariavelmente voltada para o abismo.
10. Em 2025 vocês anunciaram o lançamento de um videoclipe, assim como o lançamento do CD “Decano” gravado há mais de dez Nos conte os detalhes desse empreendimento?
G.V.N.: Com o nosso retorno, reativamos um propósito que jazia dormente há muitos anos, que era o de lançar de modo oficial o nosso canto do cisne, o EP Decano , gravado originalmente em 2015 no estúdio Audiospace, em Serra, Espírito Santo. Este registro foi fruto de uma parceria entre a horda e Adriano Scaramussa, vocalista da banda Siecrist, e representa uma releitura oficial de hinos que anteriormente habitavam apenas nossas demos e o split 7 polegadas, acrescidos de um tributo ao Mystifier e da composição inédita “The Phalanx”, que nunca havia sido manifestada em qualquer lançamento anterior.
Após essa gravação, em 2016, a entidade se dissolveu, e me abstive de contato com os materiais da Catacumba durante este hiato. A arte da capa, por exemplo, concebida pelo mestre Emerson Maia ainda em 2015, chegou às minhas mãos com a banda já dissolvida e permaneceu lacrada em um envelope que só ousei abrir em julho de 2025, para que pudéssemos finalmente produzir o encarte.
Com a produção do artefato em andamento, nosso novo guitarrista, Profanus, cuja trajetória é ligada ao universo do cinema, nos incentivou a concretizar uma ideia que ele sempre alimentou, que era a gravação de um videoclipe oficial. Definimos o roteiro após reuniões entre mim, Profanus e a atriz Roberta Portela, nossa aliada que protagonizou a obra, buscando um nexo direto com a lírica de “Spiritual Vomit”, que é uma afirmação do ser com seu interior e com todas as nuances de sua escuridão. O resultado foi sublime, especialmente pela performance de Roberta Portela, que encarnou a proposta de forma magistral. O lançamento do clipe precedeu o show “Retorno dos Hereges”, culminando na disponibilização de Decano em versões de CD, Tape e nas plataformas digitais em setembro de 2025.
11. Além desses lançamentos, como a banda se encontra estruturalmente e quais os projetos daqui para a frente?
G.V.N.: Sem dúvida, atravessamos um dos momentos mais vigorosos de toda a trajetória da entidade. Atualmente, contamos com um line-up sólido, composto por indivíduos alinhados musical e ideologicamente, que, de diversas formas, sempre estiveram intrincados na história da Catacumba. Refiro-me a Amazarack , que me acompanha desde os primórdios ao lado de Count Único del’Inferni, e a Vultur Necrophiler , guitarrista fundamental que integrou nossas fileiras na gravação de Birkat Ha-Minim e do live de 2005, tendo retornado agora, em 2025, para selar este novo pacto. Contamos também com Apeph , baixista que ingressou em 2010 e permaneceu até a dissolução em 2016, trazendo uma nova tônica e profundidade à nossa arte, e, finalmente, Profanus , um aliado cuja amizade e parceria precedem a própria existência da banda. Profanus esteve presente na gênese, acompanhando o nascimento do culto há mais de vinte anos, e sua oficialização nas nossas fileiras é algo que já parecia determinado pelo destino.
Quanto aos nossos movimentos futuros, o ano de 2026 reserva manifestações já em estágio avançado de maturação. O primeiro artefato, com previsão de envio à fábrica em maio, é um split 7 polegadas com a horda Amen Corner , apresentando um registro ao vivo de cada entidade. Também lançaremos um split ao vivo com a Labyrinth Spell , capturado durante o rito Retorno dos Hereges de 2025.
Além disso, no dia 06 de junho de 2026, data marcada pelo simbolismo do número da Besta, realizaremos o Retorno dos Hereges II , ao lado de Impurity ( MG) , Papa Necrose ( BA) , Profanus (BA) e Labyrinth Spell (ES) . Nesta ocasião, as apresentações de Catacumba e Impurity serão gravadas para um split ao vivo, a ser expelido nos meses subsequentes. Findo este ciclo, entraremos em estúdio para gravar o novo álbum completo, composto integralmente por Count Único del’Inferni entre 2015 e 2016. É uma obra que já possuíamos completa, ensaiada e conceituada, restando apenas a sua materialização definitiva, prevista para 2027. Daqui em diante, o que se verá é a progressão perpétua da mácula negra, cada vez mais densa e agregada.
12. Agradeço muito por essa participação, deixo o espaço aberto para a mensagem que desejar aqui…
G.V.N.: Em nome de todo o culto, manifesto minha gratidão pela oportunidade de expressar os ideais, os conceitos e a musicalidade desta entidade em um veículo tão ortodoxo e prestigiado quanto a Lucifer Rex . É, para nós, uma honra imensurável figurar em um dos pilares da divulgação da música subterrânea sul-americana, mantendo viva a chama da comunicação direta e sem concessões. A mensagem que desejo deixar não é extensa, mas é absoluta, pois a mácula que permeia a existência de todos nós está em perfeita sintonia com a proposta que buscamos emanar sobre este plano. Que a escuridão interna continue sendo a nossa única e verdadeira bússola.
Honre o rito. Entre no culto. Espalhe a mácula.
nota: As fotos desta matéria foram realizadas por Luciano (Retorno dos Hereges)



