Denise é uma promissora Fotógrafa que tem feito belos trabalhos registrando eventos e fotos oficiais de bandas da cena soteropolitana, apesar de suas experiencias e de alguma notoriedade nessa mesma cena, Denise ainda enfrenta a escassez oferecida neste espaço cheio de hostilidade, machismo e uma cultura toda baseada nas ações destes homens que regem todo esse espaço e mercado. Considero seu trabalho de excelência e por esse motivo acredito que ceder esse espaço para que ela apresente seu trabalho além das fronteiras soteropolitanas é uma forma de apoiar sua atitude de ser uma profissional e se dedicar num meio em que, geralmente, as mulheres são extremamente inferiorizadas, salvo algumas exceções que tem surgido nos últimos anos!
Denise fala de forma espontânea, sem papas na língua e sem querer agradar a ninguém, tem a verve selvagem de uma amazona e o olhar preciso de uma águia para transformar seu trabalho, lapidá-lo cada vez mais e assim conseguir ocupar cada vez mais espaços. É certo que, Salvador é uma cidade grande, porém muito pequena para o trabalho que, não só Denise, mas outras pessoas têm para mostrar ao mundo do underground.
Fazendo jus a esse espaço, trago aqui uma entrevista especial com a Fotógrafa Denise Barros que, entre outras questões relacionadas ao embate de gêneros, comenta sobre seus projetos, sobre suas experiências, conquistas e frustrações.
- Conte como você se interessou por fotografia, quais foram suas fontes de inspiração e como tudo começou?
Denise: Tudo começou quando eu estava no sétimo semestre de contabilidade, eu percebi que não era aquilo que queria para minha vida, e eu tinha que buscar minha essência e encontrei na fotografia. Se eu joguei tudo para cima? Sim! Parei faltando apenas um semestre para o tão sonhado diploma e fui feliz! Minha maior inspiração foi um professor chamado Paulo Lima, eu decidi ser fotógrafa depois que fui aluna dele.
- Você trabalha profissionalmente com fotografia, mas isso não foi sempre assim, quando isso passou a ser sua profissão de fato?
Denise: Verdade! Quando descobri esse amor pela fotografia eu trabalhava como supervisora de uma farmácia. Foi nesse trabalho (trabalhava madrugada) que consegui me profissionalizar e comprar meus equipamentos, eu não tinha muito tempo para trabalhar com fotografia (nessa época fazia curso de Fotografia pela manhã e audiovisual pela noite) então fazia alguns trabalhos quando tinha algum tempo, entretanto era mais lance de parcerias, foi mais ou menos em 2022 que decidi que queria viver de fotografia.
- Como você enxerga o “mercado” da fotografia dentro da cena Metal de Salvador?
Denise: Anton, essa é uma pergunta muito difícil de responder. Quando falamos em cena englobamos todo mundo que convive naquele ambiente e eu te garanto que tem pessoas que têm opiniões muito contrárias umas das outras. Mas normalmente a fotografia é a última coisa que algumas bandas pensam, acredito que pelo baixo orçamento (e às vezes nenhum) que algumas bandas possuem e não tem como fazer as fotos, ou porque não acham tão importante assim e não fazem. Porém tem pessoas que são sovinas mesmo que não valorizam a arte (assim como não querem pagar um ingresso) tem a questão do celular também que a galera usa, os celulares com uma boa iluminação fazem miséria, mas isso não é algo exclusivo do metal.
- Uma vez você me disse que não pretendia ficar em Salvador por muito tempo, isso ainda faz parte dos seus planos?
Denise: Sim! Eu sempre tive vontade de viajar, conhecer lugares, pessoas e culturas diferentes, e desejo fazer isso fotografando.
- Quais os trabalhos relacionados ao Metal você mais gostou de fazer?
Denise: Com certeza o podcast e me sinto frustrada por não ter continuado, infelizmente eu precisava de terceiros que tocou o foda-se e me deixou na mão e nem me disse nada. Eu lancei a ideia 2 pessoas abraçaram (uma da cena metal outra era do curso de audiovisual) fizermos 3 entrevistas com você (Anton Naberius – Eternal Sacrifice/Mortius/Arkhõn Tõn Daimoniõn/ Ordo Drakonis Diabolism/ Lucifer Rex Magazine), com Alan (Splattered Genocide/Proffano/Antiprofeta) e com Robson Desgraça (Desgraça Zine), sendo que só a de Alan foi pro ar e as outras estão no cartão de memória, para um dos colaboradores como não rolou grana ele caiu fora e o outro não sei ainda por qual motivo saiu do grupo que tínhamos e não falou mais nada, cada qual com suas frustrações e motivos que basta pra mim respeitar a decisão deles.
- Muitos registros feitos por você aparecem em páginas de jornal, capas de revista e em sites internacionais, qual seu sentimento ter seu trabalho visto por tanta gente ao redor do mundo?
Denise: Porra! Fico feliz pra caralho e aproveito para agradecer a você e ao Eternal Sacrifice que não me deixam esquecer a profissional foda que sou! E agradeço também as bandas que sempre me marcam e indicam meu trampo AMO FAZER FOTOGRAFIA DE BANDA!
- Você, juntamente com outras pessoas, iniciou um projeto de produção de um podcast, porém esse podcast só lançou um episódio, e sei que existem outros gravados! O que aconteceu? Ainda pretende lançar os outros episódios e dar continuidade ao projeto?
Denis
Denise: Sim, a cena é hostil, machista pra caralho! Teve dois episódios que marcaram muito um veio de AMIGOS (amigos que andavam na minha casa) Quem me conheceu lá nos anos 2000(época do clube de engenharia, da galeria) me conheceu com o cabelo de escova progressiva eu usava prancha, há uns anos eu resolvi fazer transição e cortar o cabelo e alguns AMIGOS meteram o pau que eu não combinava com o cabelo curto que eu combinava mais com o cabelo alisado foi muito bizarro, mas como sempre eu mandei se fuder! Outra cena bizarra foi um “brothe”r que quando eu postei a foto do cd do Cianide, o álbum the dying truth ele falou que eu postei porque estava ficando com uma pessoa que ouvia death metal.
Eu vou te falar uma coisa, eu só tive um namorado da cena na vida e esse curte black metal e é o subgênero do metal que menos escuto, eu não virei black metal para agradá-lo eu vou agradar ficante? Vai se fuder! Ele falou merda e depois disse que estava brincando rsrsrs.
Existem situações bizarras que acontecem sempre, se você vai pro som falar com alguém da banda é Maria Paleta ou é Maria Baqueta ou você está querendo pegar alguém da banda.
Observe esses caras que largam essas perolas normalmente são os mais lindos, os menos frustrados e os que mais amam as mulheres, homens cuidem das suas frustrações kkkkkkkkkk e nem pensem em elogiar uma banda viu. A MARIA OLIVIA (@mariaolivians) gravou um vídeo que ela postou lá no insta dela que fala justamente sobre a forma que somos tratadas, algumas pessoas acham que estamos sempre na sombra de algum macho, que se a mulher se separou de um cara e ficou com um conhecido do ex que anda no mesmo cenário é puta, mas o ex dela pode pegar quantas ele quiser, no mais eu mando se fuder e isso há mais de 20 anos.
- Para seu gosto musical eu noto que você tem certo ecleticismo quanto ao tipo de som que você escuta… nos fale quais tipos de banda você mais aprecia e quais bandas tem mais tocado no seu som ultimamente?
Denise: NÃO TENHO ROTULOS! Eu nunca disse sou death metal ou thrash metal (até pelo fato de que vou ouvir Raul Seixas até meus últimos dias! Mas existem 4 bandas que amo e nunca paro de ouvir. Motorhead, Dio, King Diamond e Meryful Fate! Eu gosto muito daquele heavy metal tradicional dos anos 80 eu não me desvinculei dos anos 80 e tem uma banda que gosto muito e tenho curtido bastante nos últimos tempos uma banda chamada Trovão, que é uma banda que canta em português e que me lembra aquele som nostalgia oitentista eles lançaram até um álbum esse mês de setembro intitulado Diamante, recomendo viu?
- Agradeço muito você ter participado dessa edição da sessão Tattoo’s & Arts a deixo espaço para você divulgar seus contatos, rede social e o que mais quiser expor.
Denise: Primeiro muito obrigada pela força que vc sempre me dá, obrigada pelo espaço! Queria agradecer também a todas as bandas que tive o imenso prazer de fotografar! Não sou muito boa com as palavras rsrssr se quiserem conhecer um pouco do meu trabalho meu insta é @isis.barros.fotos .
Ao som do Black Sabbath – Call Of The Wild



