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Entre a Antimatéria e o Rito

U.N.C.U.L.T., Infernal XI e o Círculo Hermético Pvtridvs Vox como manifestações do Satanismo Adramaliko

Anton Naberius fevereiro 26, 2026 5 min read

A compreensão de determinadas manifestações da música extrema contemporânea exige um deslocamento analítico que ultrapasse a simples categorização estética ou a identificação com gêneros consolidados. Em contextos específicos, a produção sonora deixa de operar como expressão artística autônoma ou produto cultural e passa a se configurar como desdobramento direto de sistemas simbólicos, éticos e espirituais previamente estruturados. É nesse campo que se situam as entidades U.N.C.U.L.T. e Infernal XI, cujas obras, posturas e discursos convergem para um mesmo eixo doutrinário e ritual, articulado em torno do Satanismo Adramaliko Antimatéria e de sua instância organizadora, o Círculo Hermético Pvtridvs Vox.

Apesar das diferenças formais entre as duas entidades — perceptíveis na abordagem sonora, na cadência composicional e no modo de apresentação pública —, ambas operam a partir de uma matriz comum de pensamento. Tal matriz rejeita a música enquanto fim em si mesma, recusando sua função como entretenimento, mercadoria ou signo de pertencimento cultural. O som, nesse contexto, assume o papel de meio ritualístico, veículo de transmissão simbólica e extensão prática de uma via espiritual específica. Essa convergência não se estabelece por afinidade circunstancial ou alinhamento estético superficial, mas pela adesão compartilhada a princípios que orientam simultaneamente a produção artística, a organização coletiva e a conduta individual de seus envolvidos.

O Círculo Hermético Pvtridvs Vox surge como elemento central dessa articulação. Longe de se limitar a um coletivo artístico, selo ou plataforma de difusão cultural, o C.H.P.V. configura-se como um bloco de ação que integra múltiplas dimensões: produção musical, realização de eventos rituais, circulação de objetos simbólicos, iconografia, textos e alianças espirituais. Sua função não é apenas operacional, mas também doutrinária, na medida em que estabelece critérios claros de afinidade, restringindo colaborações e associações àquelas manifestações que compartilham fundamentos compatíveis com o Satanismo Adramaliko. Dessa forma, o círculo atua como mediador entre o plano espiritual e suas materializações estéticas, sem permitir que estas se autonomizem ou se desvinculem de seus pressupostos originais.

No centro desse sistema encontra-se o Satanismo Adramaliko Antimatéria, que não se apresenta como uma variação estilística do satanismo histórico nem como uma reinterpretação contemporânea voltada ao individualismo performático recorrente na música extrema. Trata-se, antes, de uma corrente estruturada a partir da negação ativa do demiurgo, compreendido não apenas como figura metafísica, mas como princípio organizador da realidade social, moral e simbólica. O demiúrgico manifesta-se, nessa perspectiva, tanto nas religiões institucionalizadas quanto nas estruturas econômicas, nas formas de identidade social, na cultura de massa e, de modo mais sutil, nas próprias subculturas que se reivindicam dissidentes, mas que frequentemente reproduzem os mesmos mecanismos de hierarquização, consumo e fetichização.

A partir dessa negação emerge um dos valores centrais da corrente: a nulificação. Longe de se confundir com um niilismo passivo ou com a simples recusa do sentido, a nulificação constitui um ato consciente de destruição simbólica, orientado à dissolução das falsas transcendências impostas pelo mundo demiúrgico. Trata-se de um processo catalisador, que visa romper os limites previamente estabelecidos do sagrado, do moral e do identitário, abrindo espaço para uma transcendência negativa, não redentora, não reconciliadora, mas anticósmica. Nesse sentido, a destruição não é um fim, mas uma condição necessária para o acesso a outras formas de experiência e percepção.

Associada à nulificação encontra-se a disciplina, princípio reiteradamente afirmado nas manifestações ligadas a essa corrente. Em oposição à retórica de liberdade irrestrita e transgressão superficial frequentemente celebrada no Black Metal, o Satanismo Adramaliko enfatiza o rigor, a constância e o comprometimento. A disciplina não se limita à prática ritual, estendendo-se à organização da vida, à postura ética e à relação com o próprio conhecimento. A crítica contundente dirigida às cenas musicais — frequentemente acusadas de reproduzir vícios, ignorância e fetichização da imagem — revela essa exigência interna. O problema não reside na transgressão em si, mas em sua conversão em pose, desprovida de qualquer impacto transformador real.

Outro valor fundamental é a devoção, entendida não como submissão passiva, mas como entrega consciente a uma via específica. No âmbito do Satanismo Adramaliko, a devoção não se dirige ao público, ao reconhecimento externo ou ao mercado cultural, mas às entidades, forças e princípios que estruturam a corrente. A música, nesse sentido, configura-se como oferta ritual, mantra ou evocação, e não como comunicação dirigida a um receptor indistinto. Essa compreensão explica, em grande medida, a recusa de práticas tradicionais de difusão musical, como turnês constantes, lançamentos regulares ou apresentações frequentes. A raridade das manifestações públicas não é estratégia de exclusividade simbólica, mas consequência direta da necessidade de preparação material e espiritual para cada ato.

Dentro dessa lógica, U.N.C.U.L.T. e Infernal XI assumem papéis complementares. A primeira pode ser compreendida como uma manifestação mais explicitamente litúrgica, marcada por estruturas que evocam o rito contínuo, pela centralidade do mantra, pela presença de referências cabalísticas e pela organização sonora em odes e preces. Sua música opera como um espaço prolongado de imersão, no qual a distinção entre composição e ritual se dissolve. A Infernal XI, por sua vez, apresenta-se como uma expressão mais ígnea e beligerante, enfatizando a ideia do fogo que consome identidades, cenas e ilusões, e tratando o inferno não como metáfora estética, mas como estado ontológico de transformação permanente.

Apesar dessas diferenças de linguagem, ambas convergem no ponto essencial: não reivindicam pertencimento ao Black Metal enquanto categoria cultural fechada, ainda que reconheçam nesse gênero um campo inicial de linguagem. O Black Metal surge, assim, como meio e não como fim, como veículo contingente para a expressão de algo que o ultrapassa. O que se observa, portanto, não é apenas a coexistência de bandas alinhadas a um mesmo círculo, mas a constituição de um ecossistema espiritual-musical coerente, no qual som, imagem, palavra e silêncio obedecem a uma lógica interna comum.

A conexão entre U.N.C.U.L.T., Infernal XI, o Círculo Hermético Pvtridvs Vox e o Satanismo Adramaliko revela-se, desse modo, como expressão plural de uma mesma cosmovisão. Uma cosmovisão fundada na dor como instrumento de ruptura, na devoção como eixo de sentido e na disciplina como método. Trata-se de uma via que não busca adesão ampla, legitimação cultural ou reconhecimento institucional, mas a permanência de seus princípios, mesmo que isso implique falar para poucos, ser frequentemente mal interpretada e permanecer em tensão constante com o mundo — e com as próprias estruturas que se pretendem dissidentes dentro dele.

 

Anton Naberius

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