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IMAGENS IN MUSICKA

beleza grotesca e sons de demolição

Anton Naberius fevereiro 2, 2026 22 min read

É verdade, é muito verdade que as capas de discos de metal, historicamente, lidaram com obras de arte compostas por “anônimos” que ganharam espaço no universo artístico convencional e vice-versa, assim como no próprio meio da subcultura underground, como a mesma propõe. O meu gosto pela arte foi, também, desencadeado por admirar essas “novas” formas de expressão, com teores e pitadas drásticas de romantismo.

É bom esclarecer que o movimento romântico nas artes visuais do século XIX não tratava do amor entre duas pessoas, e sim da tragédia, da morte, da loucura, da psique humana, vide as famosas gravuras e pinturas do artista romântico espanhol radicado na França, Francisco de Goya y Lucientes (1746–1828): El Aquelarre (1798), Witches’ Flight (1798), Los Desparates, Asmodea, entre outras, assim como fatos históricos trágicos, como as invasões bárbaras, e outras relações pessimistas entre a soberania da natureza e sua grandeza e a fragilidade da existência humana.

As capas dos discos de metal, principalmente na época em que o vinil era o único meio de contato direto com esse tipo de arte grandiosa — salvo algumas raríssimas demos com alguma produção um pouco maior, o que era muito difícil —, estreitaram esse laço de união entre a música e a arte plástica. Ademais, uma capa pode atrair ou repelir o ouvinte, pode aguçar a curiosidade, fazer amar ou odiar uma banda, qualquer banda! E as capas, assim como os logos das bandas, sempre foram muito atraentes para mim, quiçá para a maioria dos que leem este artigo exatamente agora.

É fato que o Iron Maiden nos deu capas tão fantásticas que ficaria esquisito não citar Derek Riggs, caso eu desejasse apenas enveredar pelas águas turvas do metal extremo. Talvez o Iron Maiden tenha sido a maior vitrine para um artista plástico, maior do que os livros de história da arte possam ter alcançado na vida. Aliás, perpetuar sua arte ligando-a a outra linguagem, como a musical, por exemplo, torna sua obra ainda mais potente, mais massificada no sentido de notoriedade. E sim, todo adolescente dos anos 1980 admirava as capas do Iron Maiden e pode ter tido assombrosos pesadelos com a imagem de Eddie.

De fato, as capas que mais me chocaram foram as das bandas de speed/thrash da época, como Exodus (Bonded by Blood), de Richard A. Ferraro, álbum de 1985; Slayer (Raining Blood), de Larry W. Carroll, álbum de 1986; Dark Angel (Darkness Descends), do artista Sean Rodgers, no álbum de 1986 — nesse álbum, Rodgers divide a autoria com Ron Contenza. Sean Rodgers tem outra capa famosa, a do álbum Survive, de 1988, da banda Nuclear Assault.

Entre as bandas de black metal, como Celtic Frost (To Mega Therion), de H. R. Giger, de 1985, assim como o EP Emperor’s Return, de Phil Lawvere, também de 1985 — aliás, esta capa tem aquele tom marcante de quadrinhos, bem característico dos anos 1980, principalmente das revistas para “adultos”, como Heavy Metal. A lista deste último, Phil, é super extensa para a época, com capas para bandas como Hirax, Morbid Tales do próprio Celtic Frost, Pleasure to Kill, Endless Pain, Terrible Certainty, do Kreator (além de outras da própria banda). O alemão tem um traço muito tradicional, nítido, e dá um ar caricato às obras — muito bom.

Claro que, como admirador do death e do black metal, essas capas também formaram meu gosto pessoal sobre o trabalho de alguns artistas; entre eles estão Dan Seagrave, Andreas Marschall e Crys Moyën. Estes, com toda certeza, foram os responsáveis pelo tipo de arte mais fantástica para as bandas extremas — não só elas, mas para um apanhado de bandas das mais variadas vertentes metálicas —, porém marcaram mesmo com as capas de bandas de death e black metal no início dos anos 1990.

Dan Seagrave se tornou meu ídolo na capa do Entombed, Left Hand Path, álbum de 1990. Ali tive a certeza, mais ainda do que quando vi a capa de Altars of Madness, do Morbid Angel, álbum de 1989, de que se tratava de um artista extremamente criativo e detalhista, que conseguiu, com seu dom natural, extrair coisas inconscientes e, ao mesmo tempo, perfeitas para as temáticas mórbidas daquelas bandas. Como não amar a capa de Like an Everflowing Stream, álbum do Dismember de 1991? Como não ficar paralisado com Considered Dead, do Gorguts, álbum de 1991; Penetralia, do Hypocrisy, de 1992; The Key, do Nocturnus, de 1990; Imperial Doom, do Monstrosity, de 1992; Effigy of the Forgotten, do Suffocation, de 1991; Breeding the Spawn, de 1993; e The Ultimate Incantation, do Vader, álbum de 1992?

Não há como dissociar a obra de arte da capa desses álbuns históricos para a cena do death metal mundial, dada a importância de uma arte de capa para um disco de metal.

Andreas Marschall é um alemão autodidata que nos surpreende com suas paisagens insólitas, suas criaturas abissais e texturas íngremes, resultando em obras memoráveis em álbuns como The End Complete, do Obituary, de 1992; Dawn of Possession, do Immolation, de 1991; e Here in After, de 1996 (apesar de existirem outras artes para o Immolation, cito apenas estas por representatividade afetiva e gosto pessoal); Coma of Souls, do Kreator, de 1990; e Agent Orange, do Sodom, de 1989. Apesar de ter uma lista enorme de bandas de heavy metal em seu portfólio, Andreas realizou obras marcantes para o metal extremo, fazendo com que seu nome, o de um autodidata, figurasse no cenário por mais de 30 anos de trabalhos brilhantes.

Já Crys Moyën é a mina dos olhos da cena black metal mundial. Seu estilo inconfundível, repleto de demônios, crânios, Cristos apodrecidos, imolações, violações, sodomias e perversões, mostra um artista afinado com a proposta das bandas e dotado de uma característica muito, muito peculiar, copiada até hoje. Meu primeiro contato com a arte de Moyën foi através da capa do primeiro álbum do Beherit, The Oath of Black Blood, álbum considerado uma compilação, lançado em 1991, com toda certeza o maior símbolo do death/black metal mundial a partir do fim dos anos 1980 e início dos anos 1990.

Aquele disco não só marcou época, como abriu um precedente enorme para um estilo de capas inconfundível, do mesmo teor de Fallen Angel of Doom, que traz uma capa no mesmo estilo, lançado pelos canadenses do Blasphemy em 1990. Moyën fez a escola do death/black metal ruir com suas obras, que transformaram o estilo em uma marca registrada por meio de características técnicas empregadas em preto, branco e vermelho — vez ou outra cinza e prata —, com predominância do preto e do branco em desenhos atormentadores e precisamente satânicos, adorados por sua perversidade.

Crys Moyën tem sua obra marcada em trabalhos como Whore of Bethlehem, do Archgoat, álbum de 2006, e quase toda a discografia da banda desde o EP Angelcunt…, de 1993; Desecration of the Holy Kingdom, do Black Witchery, de 2001, e Upheaval of Satanic Might, de 2005; Live Ritual: Friday the 13th, do Blasphemy, de 2001, além de inúmeros outros desenhos ao longo da carreira da banda; Reflections, do Centinex, de 1997; Blasphemous Cremation, EP do Incantation, de 2008; Profana la Cruz del Nazareno, do Morbosidad, de 2008, além de seis a oito outros registros da banda; Mysteria Mystica Zofiriana, do Necromass, em um relançamento de 2011 pelo selo alemão Funeral Industries; Recremation, do Nominon, de 2005; e uma tonelada de outras bandas do cenário.

Aos que tiverem interesse em conhecer mais o trabalho de Crys Moyën — e ainda conseguirem encontrá-lo disponível —, foi lançado um livro com muitos de seus preciosos trabalhos com bandas underground. O material é belíssimo e tive o prazer de adquiri-lo anos atrás. O livro chama-se Black Ink & Metal (Death Black Metal Art by Chris Moyën) e apresenta uma produção incrível: capa dura nas dimensões de um vinil, encadernação ultra-especial e cada arte mais admirável que a outra. Para completar, acompanha simplesmente um vinil de 12” com Incantation e Archgoat: do Incantation, trata-se de um ensaio gravado em 1990 — uma relíquia —, e do Archgoat, uma demo gravada em 1991 chamada Jesus Spawn. Pense aí!

Outra figura importante, que foi citada mais acima, mas que deixei para comentar um pouco agora, é H. R. Giger, excepcional artista falecido em 2014, mas daqueles que, para quem sabe, detinha um conhecimento de causas obscuras em alto grau. Responsável por capas de bandas excepcionais na década de 1980, com a já citada To Mega Therion, do Celtic Frost, em 1985 — com toda certeza uma capa perturbadora e profana, até hoje um dos trabalhos mais belos em capas de bandas obscuras na história do metal negro.

Os trabalhos de Giger ultrapassaram os limites das telas de pintura e passearam pela escultura e pelo cinema, vide Alien, o Oitavo Passageiro, A Experiência e as criaturas de Predador, com aquelas insanas misturas de extraterrestres diabólicos com formatos fálicos. A obra de Giger também figurou em capas de outras bandas, como Horrified, em seu álbum In the Garden of Unearthly Delights, de 1993; Order from Chaos, no álbum Stillbirth Machine, de 1992; Atrocity, no álbum Hallucinations, de 1990; e Carcass, em Heartwork, álbum de 1993 — que, nesse caso, trata-se da fotografia de uma escultura de Giger.

É possível que muitas outras bandas tenham usado obras sem permissão do artista, visto a quantidade de demos que possuem trabalhos seus nas capas; porém, não há como saber sobre todas essas histórias e, por isso, prefiro mencionar apenas os materiais lançados oficialmente. A carreira do artista foi muito bem-sucedida, assim como sua obra foi imortalizada dentro da cena metálica.

Algumas capas são, também, muito importantes para o direcionamento de outras capas na história do metal, como a do segundo álbum da banda americana Autopsy, Mental Funeral, de 1991, feita pelo artista Kev Walker, o mesmo que também realizou a capa do primeiro álbum, Severed Survival, de 1990. Contudo, a carreira deste no metal não teve expansão; ainda assim, seu trabalho no segundo álbum do Autopsy abriu um precedente interessante sobre as obras idealizadas. O trabalho em si destoa dos temas tratados no disco, porém traz uma ilustração esquisita e asquerosa. Talvez seja por isso que a capa acabou calhando muito bem ao produto final, que é a música, e deu uma moldura interessante para o disco.

Outra capa importante da história do metal é a da banda Suffocation em seu EP Human Waste, de 1991, feita por Ron Spencer, em sua única aparição em toda a história do metal.

No Brasil, podemos citar também alguns artistas importantes que deixaram seu legado no cenário nacional com obras preciosas. É o caso de Kelson Frost e, aí, amigos, estamos falando de uma verdadeira sumidade. O cara simplesmente fez as capas de Rotting, do Sarcófago, de 1989, e The Laws of Scourge, de 1991; Mental Slavery, da MX, álbum de 1991; The Man Is His Own Jackal, da Chakal, álbum de 1990; Mirror, My Mirror, da Witchhammer, álbum de 1990; Born… Suffer… Die…, da Headhunter D.C., álbum de 1991; e, como não citar, duas capas magníficas da banda The Mist em seus conceituais Phantasmagoria, de 1989, e The Hangman Tree, de 1991, onde podemos notar toda a sua destreza e precisão.

Pesquisando para escrever este artigo, encontrei uma interessante entrevista de Kelson Frost, na qual ele fala sobre sua trajetória como artista dessas bandas no final dos anos 1980 e início dos 1990. Em uma das respostas, ele discorre sobre o fazer artístico e o conflito entre a fruição artística e o desejo de quem encomenda a obra. Ali, você, que não conhece esse lado do autor, pode compreender melhor o que se passa por dentro de quem faz porque gosta e de quem faz porque precisa, mais do que apenas porque gosta.

Roadie Metal: Quando começou a fazer as capas dos álbuns das bandas nessa época, qual era seu método de trabalho? Você criava baseado no que as bandas e as gravadoras pediam ou tinha liberdade para criar todo o conceito?

Kelson Frost: Na época, eu precisava me manter em BH, e então me sujeitei a fazer o que me pediam, por mais que isso me incomodasse. Eu, particularmente, sempre gostei de trabalhos originais e que destoassem de algumas propostas quase “modistas”. Mas não era fácil. Primeiro, a metáfora pede um certo embasamento, e as pessoas confundiam o “expressar” com o “impor”. Vem à mente aquele bordão: “de médico e louco todo mundo tem um pouco”. Diria eu, de “pintor”, porque todo mundo quer opinar, e eu é quem vou assinar e assumir. Era, e é, comum que as pessoas venham me dizer como deve ser a capa. Falta pouco para pegarem a minha mão e executarem o trabalho, uma vez que acham que já dominaram meu cérebro… (risos). Algumas pessoas não se dão conta de que um profissional consegue compreender com mínimas palavras e referências. O importante é eu me sentir dentro do projeto, como um membro da banda. Eu não me sentia livre para desenhar ou pintar as capas que me apareciam… deixo claro que essa insegurança era de todos, tanto minha, pela necessidade financeira, quanto das bandas, com suas próprias inseguranças. Era comum que algumas bandas chegassem até mim com um desenho pronto ou pinturas de outros artistas, e que não me permitiam usar aquilo apenas como referência ou influência… era aquilo e pronto. Às vezes me deparo com comentários bem cruéis sobre esses trabalhos, mas, por desconhecimento, preferem me atacar, não imaginando que foi uma imposição. Respondendo à sua pergunta: raramente, poucas bandas me permitiram ser um artista de livre pensamento, somando ao trabalho musical.

Fonte: http://roadie-metal.com/kelson-frost-o-desbravador-artista-do-metal-brasileiro/ (consultado em 22/03/2019)

Uma das obras que mais admiro no cenário nacional é a capa do primeiro álbum da banda Impurity, The Lamb’s Fury, de 1993. Ali está impregnado um sentimento indescritível de beleza sublime, elevada. Talvez seja a capa mais bonita já lançada por uma banda de black metal nacional — mas aí já entramos no campo do gosto pessoal e da opinião. Ron Seth, ex-integrante da banda e atualmente no Mutilator desde 2018 (em seu surpreendente retorno), também realizou outras capas interessantes e importantes na cena black metal, como Therion Rising, da Akerbeltz, álbum de 1999; Jesus, Intense Weeping, da banda Calvary Death, em seu álbum de estreia, de 1994; e Decade of Decay, álbum de compilação do Sarcófago, de 1995.

Outro grande artista que fez capas históricas, principalmente para a banda brasileira Sepultura, foi Michael Whelan. Beneath the Remains (1989) e Arise (1991) talvez sejam as mais emblemáticas e as que ficaram mais conhecidas. Ilustrador de séries de ficção científica e fantasia, fez trabalhos magníficos em álbuns como Cause of Death, da banda Obituary, de 1990. Aliás, se há uma coisa que o Obituary sempre fez muito bem foi escolher os temas de suas capas e os artistas: a banda é uma verdadeira galeria de arte ambulante. Outro trabalho importante do artista foi no álbum Epidemic of Violence, da poderosa Demolition Hammer, de 1992.

Mais um nome fundamental é o de Edward J. Repka, simplesmente o autor da capa do álbum Scream Bloody Gore, da banda Death, de 1987. Não satisfeito, ele ainda fez Leprosy (1988) e Spiritual Healing (1990). Não bastassem essas capas emblemáticas, a carreira do artista ainda tem em seu portfólio Game Over, do Nuclear Assault, álbum de 1986, e Beyond the Gates, da Possessed, álbum de 1986. Mais recentemente, muitas bandas têm procurado seu trabalho, como a “sósia” da banda Death, Gruesome, para a qual ele fez capas de quase todos os lançamentos. Ademais, Toxic Holocaust e Suicidal Angels — sem citar a discografia do Megadeth, em que Ed Repka trabalhou em discos capitais como Peace Sells… But Who’s Buying? (1986) e Rust in Peace (1990) — também figuram em sua lista de obras.

Depois desse universo que se mostrou inteiramente dominado por homens, eis que conseguimos trazer à tona uma mulher: trata-se da americana Miran Kim. Kim é responsável por capas extremamente destruidoras para a cena, como Onward to Golgotha (1992), Mortal Throne of Nazarene (1994), Upon the Throne of Apocalypse (1995), Diabolical Conquest (1998), The Infernal Storm (2000) e Decimate Christendom (2004), todos da banda Incantation. Aliás, o trabalho da artista é muito original e apresenta uma textura impressionante, com uso de cores e formas de maneira caótica, mas que, ao mesmo tempo, encontra uma harmonia obscura. Consegue sintetizar muito bem a imagem com a sonoridade da banda e, além disso, há um flerte bastante acentuado com a arte abstrata.

É bem verdade que o Incantation investe em um visual voltado ao profano e ao satanismo, e Kim conseguiu traduzir essa aspiração da banda para a arte com muita maestria — não à toa figura como artista em tantas capas de discos do grupo. Miran Kim ainda tem trabalhos em álbuns como Purity Dilution, do Defecation, álbum de 1992; Black Earth, da banda Arch Enemy, de 1996; e o fantástico The Karelian Isthmus, do Amorphis, álbum de 1992.

Acho que as capas do Cannibal Corpse, a partir de Tomb of the Mutilated (1992), foram as que começaram a causar maior incômodo. Sinal disso é que a versão brasileira do álbum foi completamente censurada: aparece apenas a mão da figura feminina nessa edição. Aliás, as capas — especialmente essa — são bastante doentias, o que combina muito bem com o nome da banda e as temáticas usadas por eles em suas músicas. O artista dessa capa é Vincent Locke, que assinou não apenas essa, mas todas desde Eaten Back to Life (1990) até Red Before Black (2017). Tamanha é a relação estreita entre sua obra e o trabalho da banda que Locke acaba se tornando quase um integrante do grupo por meio da arte expressa em suas capas.

O estilo quadrinístico de Locke fez com que as capas incorporassem um pouco desse universo do horror ilustrado. Apesar das imagens chocantes, elas ganham certa leveza artística — o tal sublime romântico das imagens grotescas —, bem diferente de outras bandas do gênero, que preferem a realidade crua de fotos de cadáveres putrefatos, autópsias, mutilações e secreções verde-amareladas.

Capas realmente bizarras foram as da banda austríaca Pungent Stench. Não apenas musicalmente eles tentaram expressar seus pensamentos doentios, mas as capas de seus álbuns tornaram-se verdadeiras obras destinadas a despertar desconforto — ou talvez prazer — em seus fãs. Certamente, a capa do álbum Been Caught Buttering (1991), também lançado no Brasil, sem censura, ao contrário do Cannibal Corpse, traz a imagem de um beijo entre dois homens decapitados, fazendo alusão à famosa fotografia de Leonid Brezhnev e Erich Honecker se beijando durante as comemorações do 30º aniversário da antiga República Democrática Alemã, em 1979. O ato ficou conhecido como “O Beijo Fraterno” e chegou a ser retratado em grafite no Muro de Berlim, em 1990, pelo pintor Dmitri Vrubel.

Por trás das capas do Pungent Stench está o artista Joel-Peter Witkin, o mesmo responsável pela capa do primeiro álbum, For God Your Soul… For Me Your Flesh (1990). Witkin é um artista que gosta de abordar corpos humanos mutilados, pessoas trans, o bizarro, o deformado, além de fazer releituras de obras clássicas e de tabus religiosos — perfeito para o Pungent Stench.

Outras formas de expressão, também importantes nas capas de discos, foram as fotografias. Com certeza, a primeira capa fotográfica que vem à mente é a de I.N.R.I., da banda Sarcófago, álbum lançado em 1987, creditado simplesmente a um indivíduo chamado Borges, permanecendo assim como uma incógnita. Creio que nem mesmo os integrantes da banda poderiam prever que ali estava nascendo um dos álbuns mais aclamados da história do metal extremo mundial.

Outra foto emblemática de álbuns nacionais é a de Sexual Carnage, da banda Sexthrash, lançada em 1990. Não sei se coincidentemente, esse álbum foi fotografado pelo mesmo Borges da capa do Sarcófago e, mais curiosamente ainda, ambas as bandas tinham o mesmo baterista, D.D. Crazy, como integrante. A capa de Sexual Carnage até hoje causa certo incômodo. Recentemente, em 2018, fiz uma postagem em uma rede social comentando o álbum como um todo e, claro, exaltando as qualidades da capa, seu arrojo e a presença de uma modelo atraente. Simplesmente a postagem foi denunciada e excluída pelo servidor da rede — maluquices retrógradas do século XXI.

No black metal, diferentemente de outros estilos de metal extremo, é bastante comum que as capas sejam fotografias, talvez pelo fato de a temática das bandas permitir que esse tipo de arte tenha mais peso e possa ser usado com maior frequência. De fato, capas com fotos marcantes de que me recordo são A Blaze in the Northern Sky, da banda Darkthrone, álbum de 1991, fotografado por seus próprios integrantes — aliás, algo também muito comum entre as bandas do gênero. Esse ar descompromissado e até amador de tratar a própria obra é algo de que, particularmente, gosto muito; esse despojamento em relação às coisas.

Outra capa fantástica, talvez a mais bonita entre as bandas estrangeiras, é a de Pure Holocaust, da banda Immortal, álbum de 1993, para a qual não existe crédito ao fotógrafo. Já no subsequente Battles in the North, de 1995, o crédito vai para alguém identificado apenas pelas iniciais O. I. Aliás, o Immortal tem um verdadeiro batalhão de álbuns cujas capas são fotos dos integrantes, que vão mudando de tonalidade, assim como as citadas acima. O mesmo ocorreu com o Darkthrone, que passou um bom tempo lançando álbuns com fotos dos integrantes na capa, em geral apenas um deles.

A textura dessas fotografias também me parece proposital, buscando parecer simples e direta, mas, ao mesmo tempo, transmitir uma emoção obscura, já que, em geral, utiliza-se corpse paint e as fotos são tiradas em ambientes pouco iluminados, com predominância do preto e do branco nos tons. Outras imagens comuns a algumas bandas de black metal são fotografias de paisagens: rios, lagos, montanhas cobertas de vegetação ou de neve, terrenos íngremes e, muitas vezes, os próprios integrantes inseridos nesses locais, como no caso já citado do Immortal.

Outra capa fotográfica emblemática está no álbum Serenades, da banda Anathema, de 1993. Talvez, entre as citadas anteriormente, seja a que mais apresenta tratamento artístico em sua produção: houve toda uma preocupação em compor o tema, os ângulos, as texturas e aquela aparência sobrenatural e dantesca ao mesmo tempo. O artista responsável por esse trabalho foi o fotógrafo David Penprase que, apesar de não ter atuado extensivamente na cena do metal, deixou seu nome no rol das capas fotográficas mais bem-sucedidas da história do gênero. O artista londrino possui uma carreira bem consolidada, inclusive com exposições e livros publicados.

Entre esses fotógrafos notáveis está Dave McKean. Aliás, o trabalho de Dave se estende ao design, aos quadrinhos, ao cinema e à música — haja função! Seu trabalho mais bonito, em minha opinião, está na capa do único álbum do Disincarnate, Dreams of the Carrion Kind, de 1993. Ali está encartada uma obra e tanto, que mescla com maestria essa multifuncionalidade do artista ao combinar fotografia, escultura e pintura em uma única peça. Graficamente, o trabalho é soberbo. Em outros projetos, Dave demonstrou sua habilidade gráfica em capas como Demanufacture, da Fear Factory, álbum de 1995; Obsolete, de 1998; e outros lançamentos da banda, entre singles e compilações.

No portfólio de Dave McKean ainda podemos listar Renewal, da Kreator, álbum de 1992; Burn My Eyes, da Machine Head, álbum de 1994; Shades of God, da Paradise Lost, álbum de 1992; Low, da Testament, de 1994; e a maravilhosa capa do primeiro álbum da banda My Dying Bride, As the Flowers Wither, de 1992. Aproveitando o ensejo, cabe mencionar a capa do primeiro e fantástico álbum do Paradise Lost, Lost Paradise, de 1990, um dos primeiros discos de death/doom metal da história, que traz em sua capa uma imagem insólita. A ilustração é de um bem-sucedido quadrinista chamado Duncan Fegredo, que possui uma extensa lista de trabalhos publicados pela DC Comics, Fleetway e Vertigo.

Em 1990, a banda Morgoth lançou um EP chamado The Eternal Fall. Sabe aquele impacto que você recebe ao se deparar com uma arte surpreendente? Pois foi exatamente o que senti ao ver essa capa pela primeira vez. Como já disse anteriormente, a capa tem o poder de aguçar a curiosidade para ouvir o som de uma banda. Até aquele momento, eu não conhecia o trabalho do grupo, mas senti uma vontade incontrolável de ouvir o disco apenas por causa da capa. A arte — ah, a arte! — era de um cara chamado Axel Hermann, um alemão que certamente possui uma mente perturbada, ou ao menos pesadelos insanos.

Outras capas de Hermann são nada menos que The Rack, da banda Asphyx, álbum de 1991, além de praticamente todos os álbuns da banda até Incoming Death, de 2016. Confesso que a capa que mais me cativou entre os trabalhos que ele realizou para o Asphyx foi a de Deathhammer, de 2012. Ele também é responsável por capas como In the Eyes of Satan, da banda Deiphago, de 2015; The Oath of an Iron Ritual, da Desaster, de 2016; a maravilhosa capa do primeiro álbum da sueca Grave, Into the Grave, de 1991, além do segundo, You’ll Never See…, de 1992; Wolfheart, da Moonspell, de 1995; e Revelation 666: The Curse of Damnation, da Old Man’s Child, álbum de 2000, no qual trabalhou em um processo híbrido de fotografia e design gráfico.

Entre as capas que mais me impressionam até hoje estão também as dos primeiros álbuns do King Diamond. São capas clássicas, com um ar tradicional, que carregam toda a atmosfera ideal de terror pretendida pelo músico e muito bem traduzida pelo artista — neste caso, Thomas Holm. Além das capas de Abigail (1987), Them (1988), Conspiracy (1989 — fotografia com moldura), The Eye (1990) e House of God (2000), ele é responsável nada menos que por Melissa, da banda Mercyful Fate, de 1983 (outra banda de King Diamond), Don’t Break the Oath, de 1984, e 9, de 1999. Ou seja, Thomas e King têm muito em comum e compartilharam os mesmos desejos em trabalhos recorrentes. Outro trabalho de Thomas que gosto muito e convém citar é Envoy of Lucifer, da Nifelheim, álbum de 2007.

Gorefest, banda holandesa de death metal, também investiu em uma capa fora da curva, ao menos em seu segundo álbum de estúdio, False, de 1992. Claro que a capa apresenta imagens e recursos peculiares ao universo do metal, como violência, religião e morte. No entanto, a arte de Mid (Rob Middleton), um britânico também músico — que tocou na Deviated Instinct e foi autor de muitas capas da banda —, apresenta uma obra de viés cubista, com aparência de remendos, colagens e ideias montadas sobre a tela, alinhada a uma estética claramente vanguardista.

Outra banda que teve obras de Mid em suas capas foi a também inglesa Napalm Death, em seu álbum Utopia Banished, de 1992. Neste caso, confesso que gosto mais do trabalho realizado por ele: parece-me mais coerente e inspirado; talvez obras mais objetivas me cativem mais do que as excessivamente subjetivas.

Um ponto negativo em minha pesquisa é perceber o quanto se dá pouca atenção ao crédito dos artistas. Muitas vezes, parece que foi a própria banda que produziu as capas. Foi preciso recorrer aos encartes, à leitura de assinaturas nas próprias artes e àquela memória antiga, em que os neurônios já não são mais os mesmos. É lamentável, visto que são peças que marcam a vida de um headbanger tanto ou mais do que as próprias músicas ali gravadas. Basta observar o quanto essas imagens circulam no meio: não apenas nas capas, mas também em camisetas e produtos de merchandising.

Claro que fotografias, pinturas e desenhos marcaram — e continuam a marcar — época na história do metal em geral, especialmente no metal extremo, que, ao que me parece, confere maior valor a esse elemento no contexto como um todo, sobretudo no que diz respeito ao público consumidor. Para alguém intimamente envolvido com a arte visual, trata-se de um fator primordial na manutenção desse movimento: é o pilar de sustentação que atrai o olhar daqueles que ainda não conhecem a música de uma banda, o primeiro estímulo capaz de potencializar o desejo de alguém querer conhecer aquele som. É fato que imagem e música são aliadas uma da outra, e o metal criou fórmulas perfeitas para que essas linguagens se unissem, propondo uma enorme variedade de beleza grotesca e sons de demolição.

LISTA DE ARTISTAS E OBRA CITADAS NO ARTIGO

DEREK RIGGS

Iron Maiden
Capas icônicas da banda britânica, responsáveis por inserir a arte fantástica no imaginário popular do heavy metal através da figura de Eddie.

 

RICHARD A. FERRARO

  • Bonded by Blood — Exodus

LARRY W. CARROLL

  • Raining Blood — Slayer

SEAN RODGERS

  • Darkness Descends — Dark Angel (com Ron Contenza)
  • Survive — Nuclear Assault

PHIL LAWVERE

  • Emperor’s Return (EP) — Celtic Frost
  • Morbid Tales — Celtic Frost
  • Pleasure to Kill — Kreator
  • Endless Pain — Kreator
  • Terrible Certainty — Kreator
  1. R. GIGER
  • To Mega Therion — Celtic Frost
  • Hallucinations — Atrocity
  • Stillbirth Machine — Order from Chaos
  • In the Garden of Unearthly Delights — Horrified
  • Heartwork — Carcass (fotografia de escultura)

DAN SEAGRAVE

  • Left Hand Path — Entombed
  • Altars of Madness — Morbid Angel
  • Like an Everflowing Stream — Dismember
  • Considered Dead — Gorguts
  • Penetralia — Hypocrisy
  • The Key — Nocturnus
  • Imperial Doom — Monstrosity
  • Effigy of the Forgotten — Suffocation
  • Breeding the Spawn — Suffocation
  • The Ultimate Incantation — Vader

ANDREAS MARSCHALL

  • The End Complete — Obituary
  • Dawn of Possession — Immolation
  • Here in After — Immolation
  • Coma of Souls — Kreator
  • Agent Orange — Sodom

CRYS MOYËN

  • The Oath of Black Blood — Beherit
  • Fallen Angel of Doom — Blasphemy
  • Live Ritual: Friday the 13th — Blasphemy
  • Whore of Bethlehem — Archgoat
  • Desecration of the Holy Kingdom — Black Witchery
  • Upheaval of Satanic Might — Black Witchery
  • Reflections — Centinex
  • Blasphemous Cremation (EP) — Incantation
  • Profana la Cruz del Nazareno — Morbosidad
  • Mysteria Mystica Zofiriana (relançamento) — Necromass
  • Recremation — Nominon

MIRAN KIM

  • Onward to Golgotha — Incantation
  • Mortal Throne of Nazarene — Incantation
  • Upon the Throne of Apocalypse — Incantation
  • Diabolical Conquest — Incantation
  • The Infernal Storm — Incantation
  • Decimate Christendom — Incantation
  • Purity Dilution — Defecation
  • Black Earth — Arch Enemy
  • The Karelian Isthmus — Amorphis

KELSON FROST

  • Rotting — Sarcófago
  • The Laws of Scourge — Sarcófago
  • Mental Slavery — MX
  • The Man Is His Own Jackal — Chakal
  • Mirror, My Mirror — Witchhammer
  • Born… Suffer… Die… — Headhunter D.C.
  • Phantasmagoria — The Mist
  • The Hangman Tree — The Mist

MICHAEL WHELAN

  • Beneath the Remains — Sepultura
  • Arise — Sepultura
  • Cause of Death — Obituary
  • Epidemic of Violence — Demolition Hammer

EDWARD J. REPKA

  • Scream Bloody Gore — Death
  • Leprosy — Death
  • Spiritual Healing — Death
  • Beyond the Gates — Possessed
  • Game Over — Nuclear Assault
  • Peace Sells… But Who’s Buying? — Megadeth
  • Rust in Peace — Megadeth

VINCENT LOCKE

  • Eaten Back to Life — Cannibal Corpse
  • Tomb of the Mutilated — Cannibal Corpse
  • Red Before Black — Cannibal Corpse

JOEL-PETER WITKIN

  • For God Your Soul… For Me Your Flesh — Pungent Stench
  • Been Caught Buttering — Pungent Stench

AXEL HERMANN

  • The Eternal Fall (EP) — Morgoth
  • The Rack — Asphyx
  • Deathhammer — Asphyx
  • Incoming Death — Asphyx
  • Into the Grave — Grave
  • You’ll Never See… — Grave
  • Wolfheart — Moonspell
  • Revelation 666: The Curse of Damnation — Old Man’s Child

THOMAS HOLM

  • Abigail — King Diamond
  • Them — King Diamond
  • Conspiracy — King Diamond
  • The Eye — King Diamond
  • House of God — King Diamond
  • Melissa — Mercyful Fate
  • Don’t Break the Oath — Mercyful Fate
  • 9 — Mercyful Fate
  • Envoy of Lucifer — Nifelheim

DAVE McKEAN

  • Dreams of the Carrion Kind — Disincarnate
  • Demanufacture — Fear Factory
  • Obsolete — Fear Factory
  • Burn My Eyes — Machine Head
  • Shades of God — Paradise Lost
  • As the Flowers Wither — My Dying Bride
  • Low — Testament
  • Renewal — Kreator

MID (ROB MIDDLETON)

  • False — Gorefest
  • Utopia Banished — Napalm Death

 

Anton Naberius

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