
Quase dez anos após seu último opus, a força internacional Mascharat retorna das sombras com um novo trabalho de estúdio, “Ars Aurea Mortis”, já disponível via Remparts Productions. O lançamento marca o terceiro registro completo da banda e reafirma sua proposta artística profundamente enraizada no ocultismo, na literatura e nas tradições carnavalescas.
Toda a música foi gravada pelo próprio Mascharat em colaboração com Carlo Meroni, no ADSR Decibel Studio, onde também foram realizadas a mixagem e a masterização. A arte da capa ficou a cargo da Gozer Visions, reforçando visualmente o conceito ritualístico e simbólico que permeia o álbum.
Formado por integrantes da Itália e da França, o Mascharat constrói sua identidade a partir de temáticas que transitam entre o esoterismo, a filosofia e a herança cultural europeia. O nome da banda deriva do árabe e remete a ideias como “piada”, “truque” ou “artimanha”, além de designar uma situação imoral e caótica — raiz que também dá origem ao termo italiano maschera (máscara), elemento central de sua estética.
“Ars Aurea Mortis” é inspirado diretamente no conceito simbólico da máscara, explorando sua função como instrumento de disfarce, revelação e transformação. O álbum dialoga com o esoterismo alquímico, a literatura, a filosofia e a ars goetia, utilizando a máscara como metáfora para a transmutação do ser humano e da matéria. Nesse contexto, a clássica busca alquímica pela transformação do metal em ouro assume a forma de uma jornada iniciática, construída como um diálogo entre o iniciado e a Máscara, que dita o ritmo e o desfecho do processo.
O núcleo conceitual do álbum está nas quatro faixas centrais — “Nigredo”, “Albedo”, “Citrinitas” e “Rubedo” — que representam os quatro estágios fundamentais da alquimia: decomposição, destilação, combustão e sublimação. Já “Intro” e “Outro”, em conjunto com “Re Mida” e “Lapis” (a Pedra), formam a moldura narrativa na qual essa busca iniciática se desenvolve.
Com Ars Aurea Mortis, o Mascharat reafirma sua posição como uma entidade singular dentro do underground extremo, oferecendo uma obra densa, simbólica e conceitualmente coesa, que convida o ouvinte a atravessar o véu da máscara e confrontar o processo de transformação interior.
Lista de Faixas:
- Intro 02:11
- Re Mida 06:09
- Nigredo 06:38
- Albedo 07:01
- Citrinitas 06:45
- Rubedo 04:55
- Lapis 05:29
- Outro 01:55
Fonte: The Void Journal



