
O Duo SUPREMO OCULTO Lança seu mais recente trabalho, o tão esoperado Full de estreia “Maledictus Factus Sum” lanbçado pelo selo polones “Mara Productions”. Vamos bater um papo com seu Necrow para sabermos mais a respeito.
A banda já tem um tempo de estrada, ficando um bom tempo adormecida. Qual foi o motivo desse hiato?
Necrow – O fundador do Supremo Oculto faleceu em meados de 2004/2005 e a banda se dispersou. O baterista da época, Lord Agramon, acabou sendo o único remanescente. Em 2006, ele convidou um amigo para gravar a guitarra da demo intitulada ‘Black Legion’. Após isso, decidiu encerrar a banda, colocando um ponto final. Mas internamente, ele sempre quis levar adiante o nome Supremo Oculto.
Como foi essa união com Lord Agramon para o retorno aos trabalhos?
Necrow – Conheço o Lord Agramon há mais de 15 anos, muito antes dele se mudar para o Reino Unido, e sempre tivemos conversas sobre formar algum projeto juntos. Em determinado momento, ele sugeriu montarmos um com o nome de Supremo Oculto. Refizemos o logotipo e começamos a criar músicas sem qualquer vínculo com o material antigo do Supremo, aquele do início dos anos 2000. É um novo ciclo. Do passado do Supremo Oculto restou apenas o nome.
Qual a principal dificuldade em ter um membro do outro lado do mundo?
Necrow – A única dificuldade real é não podermos ensaiar presencialmente, já que a interação naturalmente fluiria melhor. Ainda assim, as ferramentas atuais facilitam bastante. Conseguimos ensaiar à distância usando aplicativos em que ele toca bateria e eu guitarra em tempo real. Normalmente crio os arranjos, envio para ele, depois ensaiamos e as músicas surgem assim. E estamos combinando de eu ir ao Reino Unido, quando for criar o terceiro álbum, talvez em 2027. Pretendo ficar alguns dias por lá e usar esse tempo para criarmos composições novas.
O álbum Maledictus Factus Sum saiu por um selo polonês, a Mara Productions. Como foi esse contato?
Necrow – O próprio Lord Agramon fez o contato e todo o acordo. Por morar na Europa, ele acaba criando esse tipo de conexão mais facilmente. Apresentamos o álbum já pronto e o selo não pensou duas vezes. Ele lançou agora em dezembro os CDs e vai fazer toda divulgação pela Europa no início de 2026. De certa forma foi muito bom, pois poucos meses após o Supremo Oculto ressurgir, já temos um álbum lançado, e isso dá mais tranquilidade para seguirmos focando no próximo.
O trabalho traz uma linha de Black Metal puxada aos moldes noventistas. Quais as principais influências da banda?
Necrow – Eu e o Lord Agramon temos influências diferentes, e isso ajuda muito, porque as músicas acabam ganhando uma identidade própria. Eu crio os arranjos e ele vem com a visão dele e aprimora tudo. No fim, as composições ficam melhores que minha ideia inicial, e isso é algo que considero muito positivo. São duas mentes distintas trabalhando juntas.Minhas principais influências são Celtic Frost, Mercyful Fate, Candlemass, Bathory, Darkthrone e Bethlehem, além de música clássica e trilhas de filmes. Ainda assim, não componho tentando soar como essas bandas. As influências servem apenas como referência do que quero alcançar. As músicas nascem muito do meu estado emocional: quando estou negativo, crio composições mais lentas, pesadas e carregadas de ódio e profundidade, como ‘No Light Shall Remain’ e ‘Crown of the Abyss’, quando estou melhor, surgem músicas mais agitadas, como ‘Infernal Chains’. Não componho por obrigação. Só crio quando há algo real para extrair do que estou sentindo. Caso contrário, nem encosto na guitarra. E sobre o Lord Agramon, ele consegue traduzir esse sentimento no vocal, além de mudar o direcionamento das músicas quando ele sente que poderiam ficar melhores, entramos em debate até chegar em um consenso, e no fim, todos ganhamos com isso.
Fale sobre a temática da banda, quem é o principal letrista e como surgem as composições.
Necrow – Eu sou letrista. Escrevo letras para bandas e contos de horror desde os meus 14/15anos de idade e, atualmente, estou escrevendo um livro de fantasia sombria. Além disso, trabalho com edição de vídeos e criação de roteiros, essa experiência me ajuda a transmitir melhor as emoções nas letras. Sobre as letras do álbum ‘Maledictus Factus Sum’, elas não seguem exatamente o mesmo contexto em todas as faixas, pois o álbum é uma junção de trabalhos antigos e atuais dos quais fiz parte, são letras que escrevi em diversos momentos da vida. Apenas duas músicas foram escritas realmente para esse álbum. Quatro músicas foram originalmente criadas para o meu último projeto chamado Sangue Maléfico (Damnation’s Throne, Death Rises, Ashes of the Covenant e Infernal Chains), mas ficaram de fora do EP ‘Rei da Escória’. Resolvi utilizá-las agora, e essas músicas carregam uma temática mais anticristã e de satanismo.
Os riffs de ‘All Hail’ foram criados originalmente para o primeiro álbum do Agios Luciferi, mas acabaram não sendo utilizados. Já ‘Cult of Terror’ foi feita para um projeto antigo chamado Sacrificial Terror, e sua letra eu escrevi há mais de 15 anos para o Carnage, sendo mais voltada à violência sagrada e ao niilismo absoluto, mas acabei não utilizando essa letra na época. Reunimos todas essas composições e trabalhamos novamente para se encaixarem na proposta do Supremo Oculto. O selo pediu cerca de 40 minutos de material, então tivemos que criar mais duas músicas novas: ‘Crown of the Abyss’ e ‘No Light Shall Remain’. Essas faixas, por serem as últimas a serem criadas para o álbum e não sendo reciclagem de músicas antigas, acabam seguindo 100% a identidade que buscamos para o Supremo Oculto, tanto lírica quanto na atmosfera, e essa mesma linha será mantida no próximo álbum. Minha forma de escrever hoje está bem mais madura, e essas duas composições são mais profundas e carregam a escuridão necessária que buscamos. Ainda assim, gosto muito de todas as outras músicas.
Quem desenvolveu a arte de capa? Comente o contexto.
Necrow – A arte da capa foi desenhada pelo Allan Luis Rodrigues, um grande amigo de longa data. Ele tinha essa arte pronta e sugeriu que usássemos, pois combinava muito com o que estávamos criando. A ideia da capa foi totalmente dele, é uma arte que ele desenhou há mais de 10 anos, e aceitamos sem hesitar. Encaixa perfeitamente no contexto do álbum ‘Maledictus Factus Sum’, que traduzido do latim, significa ‘Tornei-me maldito’ ou ‘Tornei-me amaldiçoado’. Além disso, ele também refez o logotipo do Supremo Oculto.

Você também tem outros projetos. Como conciliar para que não soem parecidos musicalmente?
Necrow – É simples. O Agios Luciferi é mais voltado ao Thrash/Black Metal dos anos 80, enquanto o Supremo Oculto segue uma linha mais Black/Doom Metal dos anos 90. Gosto de ambos os estilos e tenho influências que vão do heavy, thrash, death, black e até doom metal. Isso evita conflito nas composições. Como citei antes, cheguei a usar a música ‘All Hail’, criada originalmente para o Agios Luciferi, mas fiz ajustes para que ela não soasse como algo do ‘Spiritual Liberation’, o primeiro álbum do Agios Luciferi. Todas músicas antigas foram reajustadas, toquei os riffs mais lentos, alterei uma coisa ou outra, para não soar como os outros projetos. Não tem erro.
O que podemos esperar do futuro do Supremo Oculto?
Necrow – Neste momento estamos criando músicas para o segundo álbum, previsto para meados de 2026. Após o lançamento do primeiro disco, analisamos pontos que podem ser melhorados na produção e também em nós mesmos. Hoje temos um entrosamento muito maior e entendemos melhor como cada um funciona dentro do processo criativo. Além disso, o Lord Agramon passou a integrar o Agios Luciferi, já tendo gravado a bateria de todas as músicas do próximo álbum, o que fortaleceu ainda mais nossa sinergia. E apesar de eu gostar muito do primeiro álbum do Supremo Oculto, o segundo com certeza será ainda melhor. Cada música está sendo totalmente trabalhada dentro do contexto do álbum, com maior profundidade nas composições. As letras vão explorar de forma mais intensa o lado sombrio e oculto da existência, tanto da vida quanto da morte.
Deixe suas palavras finais para nossos leitores…
Necrow – Maledictus Factus Sum representa um novo começo para o Supremo Oculto. Já estamos trabalhando no próximo disco, assim como no próximo do Agios Luciferi. Ambos seguem com a mesma intensidade. E o que vem a seguir é a evolução natural do que já foi apresentado. Saudações obscuras a todos.



