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Thrash Metal 20

a trilha do ódio, da blasfêmia e da heresia que permaneceram através dos tempos.

Anton Naberius agosto 5, 2025 20 min read

Cheguei numa parte que eu queria muito chegar sobre o desenvolvimento do Thrash Metal, que era fazer um percurso, um tanto difícil, sobre o que chamaríamos de bandas de célula Thrash e que mesclaram com o Black Metal, e isso eu já fiz em outros momentos quando abordei bandas que deram essas características a esse subestilo.

Aliás é muito pertinente compreender que o Thrash Metal da maneira como ele foi concebido no início da década de 80, já havia perdido muito de sua potência na década seguinte, momento onde predominam outros estilos e o underground é ocupado pelas bandas de Death e Black Metal, que além de algumas bandas serem consideradas tradicionais, irá preencher grandes lacunas com subestilos como Doom, Splatter, Grind, Avantgarde etc. isso fica muito claro, se por um lado o underground se rende a gêneros mais extremos o  mainstream vai eneveredar, cada vez mais, para misturas “modernóides” de origem da cultura urbana das grandes metrópoles, muitas delas vinda das periferias das grandes metrópoles, onde jovens de classe média alta se apropriam dessa cultura modificando-as e transformando-as em linguagem “rocker” como o groove e o RAP em estilos como o Nu (new) Metal e no próprio Thrash Metal que vai se ver “obrigado” a aderir a estes novos elementos, para não ficar para trás. Eu devo ter duas opiniões muito polêmicas sobre a adição desses elementos ao Thrash Metal, sim pela forma que eles foram incorporados, descaracterizando suas origens.

Ora, o RAP e o Groove, como manifestações, em sua essência, de jovens artistas negros (etnicamente falando), tem em suas origens fins de denúncia, de reportagem sobre suas condições sociais e servem como amplificadores para que essas vozes ressoem além das fronteiras de seus territórios e isso deve ser levado muito em consideração que, antecedente a tudo isso houve uma diáspora antes, houve genocídio, houve apagamento cultural… essas manifestações se dão pontualmente e a massa “branca” que viu ameaça nessas manifestações artísticas, enxovalhou, humilhou, diminuiu, excluiu dos meios de comunicação, da mídia em geral e condenaram essas manifestações a marginalidade.

Por essa compreensão de onde se encontra a música produzida, em maior parte, por artistas negros, assim como aconteceu com o jazz, blues e o próprio rock, todas essas manifestações foram ressignificadas, não aleatoriamente ou despretensiosamente, foram ressignificadas de propósito, a fim de dar outra configuração a essas manifestações culturais e artísticas que correspondessem as expectativas desses jovens brancos de classe média, quando não: ricos! Para usarem de sua sonoridade (groove, rap, rock, jazz, blues) para dizer, expressar seu modo de existência e silenciar a verdadeira chave de onde surgiu todo esse grito. Muito do que aconteceu dentro de espaços como o Heavy Metal e seus subgêneros, foi colocar a música subversiva como diversão desses jovens brancos rebeldes…

Há de se compreender que o poder da arte é tão maior que, em algum ponto do tempo e da história, essa ocupação racial precisou ser dissolvida ou pulverizada, ainda que haja uma hegemonia de músicos e público branco fazendo esse tipo de estilo musical girar é possível notar a ocupação, ou a reocupação desses gritos por pessoas da raça negra.

Ao passo que eu enxergo com olhos de crítica a adição de estilos musicais urbanos periféricos no Metal, também podemos compreender que a origem do Thrash Metal também é periférica, ainda que seja calcada em outras etnias não negras e, voltando ao discurso da liberdade artística, sim, é possível que outras células musicais sejam associadas ainda que façam estas células perderem suas reais origens e intenções, o mundo, a confluência permite que tudo isso aconteça se misturando ainda que contenha na sua essência um sistema de substituição e não de adição nesses interesses.

Quero dizer, por tanto, que o Thrash Metal como gênero musical tentou se enriquecer musicalmente de um estilo que poderia ser considerado coirmão por terem origens muito similares: a periferia! Mas ao mesmo tempo, a visão “tradicionalista” sobre o estilo provoca uma desconfiança e uma rejeição a estas adições e por isso acredito que minhas duas opiniões sobre a adição do Groove e do RAP no Metal em si são polemicas: se por um lado há essa essência de apagamento cultural, há por outro a ideia de que a arte é um espaço que permite tudo, que a liberdade é uma tônica importante para se expressar, criar… imitar!

Foi assim que o aquele Thrash Metal tradicional foi perdendo espaço para essas novas adições que também vieram com a surpreendente ideia do Metal Industrial (estilo que adiciona música com instrumentos eletrônicos e sonoridades experimentais) largamente explorado por bandas como Sepultura, por exemplo.

Foi nesse sentido, por tanto, que Death Metal e Black Metal foram os subgêneros do Metal que tiveram maior repercussão no Metal na década de 1990. Não apenas no quesito musical, mas no comportamental, esses gêneros deram um perfil muito mais rebelde que os preconizados pelos fãs de Thrash Metal nos anos 80, pertencer a esse nicho na transição dos anos 80 para os 90 era um indicador muito ardil. Era uma época de extremismos nos discursos, na sonoridade cada vez mais suja, mais raivosa, mais destrutiva e o comportamento, junto com tudo isso, muito mais violento: verbal, fisico, atroz e desafiador. Burlar as regras da civilidade era uma espécie de lei primaria, pois o anticristianismo parecia ser algo básico e as simples ofensas aos pilares messiânicos fossem fichinha diante do que estava por acontecer.

Dentro de todo esse cenário, estamos diante de bandas muito fortes, que cunharam seu nome numa forja de primeira linha e posso começar com Desaster, banda alemã formada em 1988 pelo guitarrista Infernal, aliás, não saberia precisar quais foram os reais responsáveis pela fundação da banda, porém infernal é o único remanescente daquela primeira formação

Desaster foi uma dessas bandas que visionaram transformar seu som em algo muito perverso e muito mais próximo da geração que citei acima, uma prole de asseclas muito mais viscerais, mais ardis em suas palavras e atitudes, porém sem esquecer de mestres como Slayer, Exodus e outros mais já exaustivamente citados em capítulos anteriores. É notório que Desaster será uma banda que vai seguir a linha maligna do Thrash Metal abordando os temas mais comuns a essa linha que é o Satanismo e temas associados.

Existe um registro de 1988, atribuída a banda, porém eu acredito ser mais seguro citar a demo “The Fog of Avalon” lançada em 1993, certamente ela vai ser uma representante mais justa da carreira do Desaster, mesmo porque devemos compreender que sua sonoridade está em estágio de transição, se situar musicalmente naquela altura ainda era um desafio, visto tudo que disse no início desse capítulo e mais o bombardeio de informações que esses músicos devem estar recebendo nesse momento em plena efervescência de uma cena em mutação acelerada. Aqui, nesta demo do Desaster, somos capazes de perceber ainda fortes menções ao Thrash dos anos 1980, além de ser possível notar uma precariedade, comum, na sua gravação. Certamente a pouca experiencia associada aos poucos recursos resultam em materiais com esse grau inferior de registro. Por outro lado, devemos reconhecer a qualidade nas composições da banda e, como disse, aliados a tudo isso temos a ampliação das fontes sonoras influenciando no seu som.

Eles voltam a atacar no ano seguinte, e essa demo “Lost in the Ages” 1994, já nos entrega uma banda mais sombria, se aproximando da estética do Black Metal noventista europeu, assim como despertando o interesse de gravadoras como a Merciless Records. A Merciless vai investir no primeiro material em vinil da Desaster, um split com a também alemã Ungod (banda de Black Metal), lançado no ano de 1995 certamente um divisor de águas na carreira da banda e dando margem para o que viria logo no ano seguinte, seu poderoso e irretocável álbum “Touch of Medieval Darkness” 1996 (Merciless Records). O Split vem com três faixas, uma do Desaster: “The Hill of a Thousand Souls” – essa música nunca apareceu em outro trabalho oficial da banda, apenas em compilações comemorativas; e do Ungod: “Aeon of Sunless Dominion” e “Outro”.

A essa altura a banda tinha três pilares muito concisos: o vocalista Okkulto, o baixista Odin e o guitarrista Infernal. Rapidamente Okkulto vai se destacar na banda, criando novas maneiras de cantar as canções Thrash/Black da banda e marcar a história do gênero. O lançamento de “Touch of Medieval Darkness” 1996 (Merciless Records), inaugura uma nova e promissora carreira para o Desaster, já que, esse álbum alcança muitos lugares pelo mundo e faz com que o nome da banda faça parte da lista de muitos fãs assim como muitos veículos da mídia especializada. O sucesso do primeiro álbum na cena underground empolga o selo Merciless que trata logo de lançar material novo da Desaster, seu EP “Stormbringer” 1997, que marca a estreia de um dos bateristas mais importantes da cena: Tormentor. Nesse EP a banda grava uma versão da música Tormentor da banda Kreator (primeiro álbum – Endless Pain – 1985, Noise Records)

Com um álbum matador e um EP de alto nível, Desaster vai se tornar uma das maiores bandas de Thrash/Black Metal da história, claro que devemos guardar as devidas proporções, diante de centenas de outras bandas de Death e Black Metal que estão assolando o mundo neste momento, Desaster, uma dessas bandas que são listadas entre as mais apreciadas, entre as bandas que fizeram seu legado arrastando uma legião de seguidores e se tornando referência nas resenhas, nas comparações… era muito fácil para alguém que quisesse dar exemplo do som de alguma banda se dissesse: o som lembra o do Desaster!

Com sua formação que será reconhecida como clássica, Desaster lança seu segundo álbum “Hellfire´s Dominion” 1998 (Merciless Records). É nesse álbum que a música “Metalized Blood” entra para a história, se tornando um dos hinos do Speed Thrash/Black da década de 1990. Nesse mesmo álbum, Desaster traz convidados ilustres para participar das gravações como Wannes Gubbels, do Pentacle , Lemmy, do Violent Force, e Toto, do Living Death, todos cantando o hino “Metalized in Blood”. Aqui, posso garantir, está a essência do Thrash/Black Metal, pois é um disco que consegue resgatar muito bem o passado e dar um sinal de luz muito intenso sobre o que seria o futuro do estilo a partir desse álbum, não apenas para a carreira da própria banda como para uma legião de outras bandas que vinha no rastro do Desaster.

Entre o segundo e o terceiro álbum, Desaster passa um tempo relançando materiais em compilação, até chegar um disco muito revolucionário em termos musicais. “Tyrants of the Netherworld” 2000 (Iron Pegasus Records), marca também a mudança para um novo selo que, por sinal, vem se destacando por seus lançamentos de Black Metal underground a Iron Pegasus, mesmo selo que investiu nos lançamentos do Sabbat fora do Japão. Podemos falar, sem medo de errar, que “Tyrants of the Netherworld” é um dos discos mais importantes do Thrash/Black Metal em anos, ele carrega consigo todos os requisitos mais pérfidos do estilo e essa engrenagem fica muito elucidada em suas músicas que beiram o extase vivido no auge do Thrash alemão de Sodom e Destruction. Um detalhe muito forte desse disco é a ênfase nos refrãos e no massacre que se impregna em destacar os títulos nestes refrãos…

“Tyrants of the Netherworld” é um trabalho cheio daqueles horizontes que tentei descrever sobre o legado de “Hellfire´s Dominion”, é aqui neste disco que, tenho plena certeza, a banda se consagrou e fincou na história a marca de seus músicos mais clássicos. Aliás, esse é o álbum que fez mais sucesso da banda, não a toa, graças ao seu grande poder compositivo neste álbum marcado por tudo que já pude dizer acima. Também por estarmos num momento da história em que o “revival” do Thrash Metal aos moldes dos anos 80 vai renascer com muita força, o que vai surgir de banda nova de Thrash Metal nesse período não vai ser brincadeira, vamos chegar lá… antes, temos outras missões!

Não apenas na questão sonora, mas na estética, a banda mescla as referências do Black e do Thrash Metal com as roupas de couro, spikes, coletes com patchs e alguma referência ao corpse paint. Assim a Desaster vai galgando sua trajetória marcando, não apenas musicalmente, mas visualmente também.

Como acontece na maioria das bandas, Desaster tem uma grande baixa em sua formação por volta de 2001, com a saída de sua referência, o vocalista Okkulto. Não encontrei detalhes sobre essa saída, mas representou uma importante perda para a banda, aparentemente sanada com a entrada de Sataniac, que viria de uma banda em processo de desenvolvimento chamada Divine Genocide. Dessa banda, Sataniac trouxe o som “Shadowinds” que vai figurar no quarto álbum de estúdio do Desaster: “Divine Blasphemies” 2002 (Iron Pegasus Records). Não houve muita estranheza, da minha parte, o fato de ser um novo vocalista, mesmo porque ele era bem diferente de Okkulto em alguns requisitos, além de ter trazido uma nova forma de interpretar as músicas nervosas do Desaster. Tudo aparentava ser mais maligno e perverso ainda, inclusive no que diria respeito aquele ressurgimento do Thrash Metal oitentista, isso estava muito forte na música do Desaster que mencionava todo tempo os mestres do Sodom, Destruction, Slayer e até mesmo ao Venom havia referencias no seu som, apesar de ter notado toda essa fonte de inspiração, o que não faltava ao Desaster era a originalidade.

Esse disco também nos traz uma ilustre participação, Mille Petrozza (Kreator) cantando na música “Nighthawk”, o que deu um ar de especial para o lançamento, ainda que o Kreator tenha se tornado uma banda bem estranha nessa época de auge do Desaster, a participação de Mille, além de histórica, era gigantesca para a banda. O disco do Kreator em evidência nesse momento era o “Violent Revolution” 2001 (Steamhammer), um disco que tenta resgatar a história do Kreator após alguns álbuns mau sucedidos e bem esquisitos.

É no período de lançamento do “Divine Blasphemies” que o Desaster vem ao Brasil pela primeira vez e causa um alvoroço na cena, tornando sua legião de seguidores ainda maior. Nesse show, na cidade de São Paulo, esteve cerca de 900 pessoas onde a banda registrou sua apresentação e teve um material ao vivo lançado pela gravadora brasileira Mutilation Records em formato de LP duplo, CD e DVD titulado: “Brazilian Blitzkrieg Blasphemies” 2004 (Mutilation Records). Tudo isso que cercou essa vinda ao Brasil fez com que sua carreira ficasse muito sólida em território nacional, mas ainda era uma banda muito underground e seus lançamentos difíceis de chegarem no Brasil que não fossem através de selos importadores, nenhum material deles dos cinco primeiros álbuns chegou a ser licenciado no país.

Em 2003, a banda assina com a Metal Blade Records, e consegue ampliar ainda mais seu alcance, o álbum da vez é o “Angelwhore” 2005 (Metal Blade Records), um álbum que só veio a confirmar os rumos que tomaram os sons da banda. Esse é um álbum de carreira que soa muito próximo dos dois anteriores, tão bom quanto, porém não melhor que eles! É um disco de continuidade eu diria, um daqueles materiais que é um dever para o fã ter em sua discografia, pois ele traz todos os requintes de crueldade que só o Desaster soube fazer ao longo dos anos, cruel, vomitado, obscuro e perverso… claro que temos outras bandas que merecem ser citadas, que fizeram o cerco ser bem estreito sobre o Thrash/Black Metal dos anos 1990, mas eu coloco Desaster como uma banda de primeira linhagem.

Como toda essa narrativa sobre o Desaster ficou extensa, me aterei a dizer que a banda conseguiu uma longevidade e boas conquistas durante essa existência, lançou grandes álbuns aos quais eu destacaria exatamente os quatro primeiros e elegeria “Tyrants of the Netherworld” e o “Divine Blasphemies”, cada um com seus principais requisitos e vocalistas. Talvez, entre as baixas mais recentes da banda (já não tão recente assim) foi a saída do baterista Tormentor, isso depois de ainda ter gravado simplesmente: “Satan´s Soldiers Syndicate” 2007 (Metal Blade Records); “The Arts of Destruction” 2012 (Metal Blade Records); “The Oath of an Iron Ritual” 2016 (Metal Blade Records) isso para citar os álbuns oficiais de estúdio. Tudo indica que a saída do músico se deu de forma divergente, diante de muitas desavenças e discussões, ficou insustentável sua permanência na banda. Outra questão seria sua divisão de tarefas em outras bandas de grande porte como Sodom e Asphyx.

No mesmo ano assumiu Hont (ex- Divine Genocide) para dar continuidade ao trabalho do Desaster, culminando no seu trabalho lançado em 2021 “Churches Without Saints” (Metal Blade Records), por sinal um material que foi lançado aqui no Brasil via Mutilation Records.

Diante de construções sólidas entre o Thrash Metal e o Black, além de Sabbat e Desaster – colocando essas bandas como pioneiras e as mais representativas do gênero, já podemos inserir outras bandas do mesmo nicho e tão bastardas quanto. Por isso, seguirei relatando e relacionando as bandas que fizeram nome frente a esse subestilo. Nifelheim, vai ser minha próxima abordagem e, posso lhes garantir, é uma das bandas mais extremas do gênero Thrash/Black de todos os tempos.

Certamente que se trata de uma banda muito underground e que, durante muitos anos, assim como Sabbat e Desaster, circulou num meio bem restrito, principalmente aqui no Brasil que estava com uma divisão bem severa entre underground e mainstream, o meio termo era praticamente invisível… Nifelheim foi fundado em 1990 pelos irmãos gêmeos: Erik (Tyrant) no baixo e Per Gustavsson (Hellbutcher) nos vocais. A sua primeira demo “Unholy Death” só foi lançada em 1993 e contou com Morbid Slaughter nas guitarras e Demon na bateria, Morbid só resistiria na banda até o lançamento desta primeira demo. Contudo, Morbid Slaughter, segundo entrevista cedida pela banda no final dos anos 1990, dizia que Morbid era um músico preguiçoso e ruim, por isso não chegou nem a gravar a demo, também Tyrant declarou que o fato dele ter uma namorada o tornava um fraco, impossibilitando o mesmo de seguir na banda.

O nível de tolerância dos fundadores da Nifelheim era bem baixo a ponto de eles terem muitas restrições para agregar novos músicos a banda. Eles acreditavam que para se tornar membro não bastava apenas ensaiar e tocar ao vivo, deveria participar mais profundamente como compor, por exemplo. Na Nifelheim o próprio Jon Nodveidt (Dissection) chegou a tocar, Hellbutcher declarou que ele era o guitarrista mais perfeito que ele conhecia e seria ideal para a Nifelheim, porém que eles ainda teriam uns dez anos para chegar a essa conclusão.

A demo “Unholy Death” lhes rendeu muito rapidamente um contrato com a gravadora Norte Americana Necropolis Records, seu primeiro álbum “Nifelheim” foi lançado em 1995 dando início a sua jornada no underground – obviamente que o lançamento de um álbum mudava muito a posição de uma banda na cena, até hoje! –  Agora com um material matador. O álbum de estreia vem repleto de referências malignas desde Venom ao mais violento álbum do Bathory, mesclando a velocidade e animalismo de Slayer, de Destruction. O Thrash Metal na música do Nifelheim é um requisito básico qual seus integrantes se recusavam a abrir mão, aliás essa postura radical dos membros sobre seu comportamento e sua música e sua estética eram muito claros, eles recusavam tudo que parecesse muito “moderno” no Metal em geral, principalmente o que havia sido cunhado sobre o Death e Black Metal da época. Odiar o movimento underground dos anos 1990 era uma das falas polêmicas dos integrantes da Nifelheim, especialmente por Hellbutcher, que era o mais falante dos irmãos e que, depois de algum tempo, a banda parou de ceder entrevistas.

Tyrant, em uma entrevista cedida em 2008 a uma revista de rock sueca declarou: “Eu ri e mijei em uma foto dele” e “Uma pena que Phil Anselmo não tenha morrido também; essa foi provavelmente a única vez que desejei que o Pantera tivesse realmente tocado”, sobre Cliff Burton (ex-baixista do Metallica morto em acidente de carro) e Darrell Lance Abbott (ex-guitarrista do Pantera, morto no palco a tiros por um “fã”), respectivamente. Essas declarações polêmicas soaram muito mal para o Nifelheim, ainda que muita gente tenha a mesma opinião, tudo isso foi muito forte na repercussão de imprensa. Numa outra ótica, Satanismo e compaixão não são basicamente requisitos que se combinem, então é naturalmente compreensível que eles tenham dado tais declarações.

Por volta de 2010 Tyrant deu nova declaração sobre as falas, não necessariamente desmentindo o que disse ou sobre estar “fora de contexto”, também não parecia um pedido de desculpas muito evidente, mas essa foi a última declaração dada em nome da Nifelheim na imprensa. Apesar de todas essas polêmicas e por não estarem “nem aí” para o mainstream, Nifelheim àquela altura já tinha consolidado sua carreira e lançado os álbuns que quis… mas meu relato ainda está no primeiro álbum, sigamos…

O álbum “Nifelheim” é simplesmente um dos álbuns mais influentes do Black Metal noventista e, ao mesmo tempo, uma lição de conservadorismo sobre as influências mescladas de Venom, Bathory, Destruction, Sodom e mesmo de Possessed. Um material verdadeiramente cru, sujo, violento e rápido como sempre ensejou o Thrash Metal, porém literalmente assumindo sua veia enegrecida para o Black Metal a ponto deles se reconhecerem como tal, como uma banda de Black Metal. Nesse álbum, além do trio Tyrant, Hellbutcher e Demon, houve a colaboração dos guitarristas John Zwetsloot do Dissection, um luxo, pois não? Talvez nem tanto na época, mas hoje uma verdadeira marca na história.

Em 1996, Nifelheim participou de um split onde gravou uma música em tributo a veterana brasileira Vulcano para a faixa “Witches Sabbath” (música que aparece na demo 1984 “Devil on my Roof” e depois reaparece no “Live” álbum 1985 – Lunário Perpétuo Discos). Nesse split ainda participaram: Usurper (EUA) e Unpure (SUE), tendo sido lançado pelo selo Primitive Art Records (SUE) no formato EP de sete polegadas.

Fato curioso na vida dos gêmeos foi um documentário exibido pela TV suéca em 1998, que os transformou em conhecidos como fervorosos fãs da banda Iron Maiden, entre outras coisas, mostra a rotina deles antes de um show do Iron Maiden em que eles iriam e conheceriam o vocalista Blaze e o baixista Steve Harris, esse documentário fez com que eles ficassem conhecidos na Suécia como “Bröderna Hårdrock” ou “Os irmãos do Heavy Metal”. As cenas do documentário nos fazem muito identificados com eles, já que tudo remete a nós mesmos, posteres nas paredes de casa, LPs, toca discos, uma coleção de camisetas, especialmente do Iron Maiden que somavam 200, 700 discos, 400 posteres, 150 patchs e 30 “lenços” (na tradução do sueco para o inglês aparece lenço, mas quero crer que são bandeiras…). Outra parte muito interessante e inspiradora do documentário é os irmãos dirigindo um Pontiac Firebord 1967 com pintura especial como se estivesse pegando fogo, esse automóvel foi projetado para competir com o Mustang e o Camaro, pense aí?

Exatamente em 1998 sai o segundo álbum da Nifelheim, mais uma vez contando com John Zwetsloot nas guitarras e o, mais tarde ilustre, Jon Nödtveidt. “Devil´s Force” 1998 (Necropolis Records), não é que você acaba encontrando referencias do Iron Maiden no som do Nifelheim depois que você fica sabendo dessas histórias? Não seria sobrenatural se as bandas de Thrash Metal não sofressem tanta influência do NWOBHM, estilo que ficou muito conhecido justamente por causa do Iron Maiden e o Nifelheim não se fez de rogado, bebeu dessa fonte também.

Dois anos depois sai seu terceiro e melhor produzido álbum “Servants of Darkness” 2000 (Black Sun Records), deixando exposto todas as suas magnânimas influências, porém com muito mais vigor, ódio e blasfêmia, esse álbum é extremamente carregado e ainda mantém a áurea da banda sem nenhuma falha. Nifelheim tinha uma coisa que, talvez, muitos do underground se identifiquem que era uma intolerância ao “modernismo” no Metal, eles prezavam muito pela sonoridade selvagem que as bandas dos anos 80 tinha sobretudo as bandas do Leste Europeu e as bandas brasileiras que eles diziam ser bandas histéricas, tinham uma admiração violenta sobre a músico do Vulcano, sobre tudo o álbum “Bloody Vengeance” 1986 (Rock Brigade Records) que eles rotulavam como um disco seminal e o Vulcano a melhor banda de Death/Black Metal da história. Em uma entrevista, perguntado sobre:

“Quais são algumas das suas bandas favoritas? Tyrant: IRON MAIDEN é o melhor, assim como JUDAS PRIEST. Eu adoro NWOBHM e também gosto de bandas como SARCOFAGO, VULCANO, GENOCDIO e HOLOCAUSTO. Hellbutcher: TORMENTOR, da Hungria, é uma das melhores bandas, junto com MASTER’S HAMMER, ROOT e TORR. Também álbuns clássicos como “Seven Churches”, do POSSESSED, e “Bonded by Blood”, do EXODUS, mas acho que a maioria das pessoas ouve esses. Ou talvez não mais. Tyrant: SODOM e todas as bandas alemãs antigas, como POISON e DARKNESS. A banda russa ARIA é muito boa. Também horror metal italiano, como DEATH SS, BLACK HOLE e THE BLACK.” http://www.mourningtheancient.com/nifel.htm consultado em 24/06/2025

Seu quarto e último álbum foi lançado em 2007 pela Regain Records sob o título “Envoy of Lucifer”, a essa altura, Demon não fazia mais parte da banda e a formação que gravou o álbum contava com: Vengeace from Beyond (Necrophobic) na guitarra, Apokalyptic Desolator (Necrophobic) também guitarra e Peter Stjärnvind “Insulter of Jesus Christ” (Dismember) na bateria. Esse álbum tem um ar um pouco mais sofisticado que os anteriores, mas mostra a banda tão afiada quanto e sem perder sua essência. Após esse álbum a banda ainda resistiu gravando EPs com novas formações, porém sem perder a base dos irmãos gêmeos. Certamente que Nifelhiem é um dos nomes que consagraram o pioneirismo do Thrash/Black Metal feito de forma genuína assim como Sabbat e Desaster o fizeram na mesma época.

Diante da extensão que ficou esse capítulo, deixarei para o capítulo seguinte abordar outras bandas de Thrash/ Black Metal para completar esse raciocínio sobre a predominância de subestilos mais undergrounds do Thrash Metal, sobretudo durante a década de 1990, por todos os motivos que já expus nos capítulos anteriores. Portanto, no capítulo a seguir irei buscar tratar de bandas do início dos anos 1990 como falei de Desaster e Nifelheim, podemos ver Destroyer 666, que surgiu em 1994, Aura Noir, também de 94, Bewitched 1995 e na segunda metade da década Witchery 1997 e Nocturnal Breed do mesmo ano. O que deixo aqui é a tradicional lista de recomendações deste capítulo vinte da série sobre Thrash Metal:

Desaster – “Touch of Medieval Darkness” 1996 (Merciless Records)

Desaster – “Stormbringer” 1997 EP (Merciles Records)

Desaser – “Hellfire´s Dominion” 1998 (Merciless Records)

Desaster – “Tyrants of the Netherworld” 2000 (Iron Pegasus Records)

Desaster – “Divine Blasphemies” 2002 (Iron Pegasus Records)

Nifelheim – “Nifelheim” 1995 (Necropolis Records)

Nifelhiem – “Devil´s Force” 1998 (Necropolis Records)

Nifelheim – “Servants of Darkness” 2000 (Black Sun Records)

Nifelheim – “Envoy of Lucifer” 2007 (Regain Records)

Anton Naberius

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