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Thrash Metal parte 22

O som aterrador das terras australianas gerando uma massa sonora mais potente e avassaladora

Anton Naberius agosto 19, 2025 18 min read

Dando continuidade a etapa sobre as bandas de Thrash/Black Metal que florescem na década de noventa e foram um porto de resistência do Thrash Metal naquele período, ultrapassando a ideia de ser um “revival” ou mesmo um modismo, havia muito mais de conservadorismo naquela ideia do que reproduzir um padrão como veremos a seguir no início do século vinte e um.

Assim como as bandas já abordadas anteriormente, Destroyer 666 foi uma dessas bandas que marcaram esse espaço de resistência. Não sei se por coincidência, mas a maioria das bandas de Thrash/Black Metal foram ideias nutridas por músicos de bandas de Black Metal, tão bem difundidas naquela década! E isso não pareceu mera coincidência, talvez coubesse uma análise mais profunda sobre o assunto, saber desses músicos o que os motivou a criarem essas bandas paralelas ou mesmo a transformarem em bandas principais de suas carreiras ao longo de uma década não nociva ao estilo por um ponto de vista, por outro tão necessária (tais mudanças).

O ser humano, o tempo é volúvel, são suscetíveis a mudanças constantemente, por que seria diferente com um estilo musical criado e desenvolvido pelo ser humano ao longo do tempo? Provavelmente a fórmula desgastada do Thrash Metal tenha empurrado o estilo para novas experiencias, até mesmo para que houvesse a certeza de que o que estava sendo feito antes era o melhor caminho ou mesmo que, mais tarde, a fusão com outras células sonoras o transformasse num mix de possibilidades e desses outros rumos, alternativas a esse “homem” em constante mutação. Nós mudamos sim ao longo do tempo, fisicamente, mentalmente, muitos podem chamar de evolução, outros de amadurecimento, o fato é que nós podemos sim mudar de ideia e não há nada de errado como isso, em determinados casos, pode até ser um benefício… ao mesmo tempo nós temos em nosso imago a ideia que preservar a história é uma de nossas condições humanas e preservar o estilo Thrash Metal como ele foi concebido também seja uma de nossas missões, porque não isso seja feito não apenas através da documentação dessa história, do arquivamento e da rememoração desses eventos? As bandas que criaram o estilo mudaram com o passar do tempo, experimentaram muitas coisas, sabemos que muitas novas fórmulas deram certo, outras tantas foram fracassos, mas se as próprias criadoras do estilo mudaram ao longo dos anos, somos mesmo capazes de julgar essas atitudes diante da inquietude e transmutação da inspiração, da criatividade desses músicos?

O olhar do público é sempre muito desconfiado, enquanto alguns condenam os excessos, as mudanças muito bruscas, outros tenderão a absorver bem e até a celebrar tal ato tão ousado, ao refrescar nossa capacidade auditiva com novas maneiras de tocar os instrumentos, de novas incursões vocálicas, instrumentos inusitados e assim como os músicos o público, as vezes, exige que aquela banda mude, que apresente algo de surpreendente, de inovador, de ousado… não podemos esquecer que o Metal também pertence a uma indústria cultural e, como tal, também concorre ao gosto do público consumidor. Mas, convenhamos, o Metal underground pensou, durante muito tempo, que não fazia parte do mercado cultural, tão pouco da indústria e será que o Thrash Metal alçou tantos voos que a sua capacidade de se manter no underground caiu por terra?

Destroyer 666, nasceu como um projeto de apenas um músico (hoje há um termo que se proliferou com alguma velocidade no meio metal a fim de dar rótulo a esse tipo de banda, conhecemos hoje como: one man band – banda de um homem só), foi em 1994 que K.K. Warslut, guitarrista e vocalista da banda Bestial Warlust (uma das bandas de Black Metal mais cults da Austrália), criou Destroyer 666. Destroyer 666 foi fundada por K.K. Warslut após ele ter saído do Bestial Warlust, a prícipio foi esse projeto one-man-band, mas logo começou a se transformar numa banda com formação. O EP de estreia do grupo, “Violence is the Prince of this World” 1995 (Modern Invasio Music), contou com Warslut na guitarra, baixo e vocais, com Matt Skitz (também conhecido como Matt Sanders) do Damaged nas guitarras e Criss Volcano da banda Abominator na bateria. Na demo lançada no ano anterior, apenas Volcano participa com Warslut, aliás, é uma demo muito aclamada até hoje pelos maníacos por Metal Extremo “Six Songs With the Devil” 1994.

A música do Destroyer 666 eu diria que carrega o espírito Thrash, mas não soa como tal! Eles têm um paradigma muito difícil de descrever, pois o som extremo deles se assemelha muito mais ao que conhecemos aqui no Brasil ao que o Sarcófago fez com seu som, aliás, as bandas australianas tinham alguma semelhança com esse tipo de som feito por bandas brasileiras nos anos oitenta. Dá pra perceber a célula do Thrash Metal no Destroyer 666? Sim, porém o que há de Death e Black Metal é muito mais forte e muito mais presente que verdadeiramente o Thrash Metal. Ao passo que devemos compreender o quanto o estilo Thrash Metal foi influente para a formação de muitas bandas ao longo do tempo. O Destroyer 666 início sua carreira de uma forma que conseguimos aproximar de muitas outras bandas que estavam pavimentando o Black e o Death Metal naquela época com o tipo de som que eles queriam fazer e estavam fazendo. A fúria, o ódio, a blasfêmia também eram requisitos muito sofisticados do Thrash Metal e esse espírito estava muito bem alicerçado no Destroyer 666, a demo “Six Songs With the Devil”, foi a maior responsável por apresentar esse tipo de som brutal e sujo da banda.

O primeiro álbum da Destroyer 666, “Unchain the Wolves” 1997 (Modern Invasion Music) já teve uma formação diferente da que gravou o EP “Violence is the Prince of this World”, na formação eles contaram com Warslut; o baixista Bullet Eater (também conhecido como Phil Gresik, ex-membro da banda Bestial Warlust, Hobbs’ Angel of Death e Mass Confusion); o baterista Howitzer da Gospel of the Horns; e o guitarrista Shrapnel. Um trabalho muito bem elaborado com uma qualidade muito acima da média. “Unchain the Wolves” é um daqueles discos que é puro massacre sonoro, mas, como disse antes, a Destroyer 666 é muito mais uma banda Death/Black que Thrash, principalmente se formos comparar com as bandas que abordei até aqui sobre o estilo Thrash/Black.

Mas não posso ignorar o fato de o Destroyer ser uma banda bem importante para a cena do Metal Extremo mundial, e falar rapidamente daquele que considero seu melhor álbum o “Phoenix Rising” 2000 (Season of Mist), com muitos méritos, Destroyer 666 assinou com um grande selo europeu e fez o patamar da banda subir bastante na cena. Em 2001, Warslut mudou-se para a Europa e viu a carreira da Destroyer 666 alçar voos maiores, sair em turnê, tocar com as principais bandas da cena Death/Black Metal da época e escrever seu nome na história. “Phoenix Rising” é um daqueles álbuns que não pode deixar de figurar na discografia de nenhum Headbanger, ele é um álbum de rara inspiração sob todos os aspectos, líricos, musicais, de produção… é o ápice e sim, é possível perceber o Thrash Metal na música do Destroyer 666, mas eu diria que essa célula está a serviço do Death Metal da banda, não ao contrário.

Destroyer 666 foi dessas bandas que mudou de formação várias vezes, mas a se considerarmos os anos de existência da banda, eles lançaram poucos álbuns, fazendo as contas de forma rasteira, trinta e um anos de banda (estou escrevendo esse texto em 2025 e o Destroyer 666 foi fundado em 1994), ter seis álbuns lançados é muito pouco para uma carreira com todo esse tempo, mas, devemos relativizar, primeiro não se trata de uma banda do mainstream e sim do underground, depois a frequência criativa varia muito de uma banda pra outra e terceiro, as condições em que isso ocorre ninguém é capaz de mensurar se não aqueles que estão inseridos no processo, neste caso, os integrantes da banda.

Da discografia da Destroyer 666 dá pra mencionar ainda: “Of Wolves, Woman & War” 2002 (Satans Metal Records), um disco muito Thrash Metal, talvez o mais Thrash de sua discografia, além do som tem uma capa que gosto muito, libidinosa! E foi lançado no formato 7”EP. “Cold Steel… of an Iron Age” 2002 (Season of Mist), terceiro álbum de carreira e um dos mais crus álbuns deles, tem muita referência ao Thrash, mas não escapam do sentido que dei um pouco acima sobre a sonoridade em função do Death Metal. “Terror Abraxas” 2003 (Iron Pegasus Records), outro EP espetacular, isso aqui é uma das gravações mais insanas que já ouvi, a bateria desse EP é algo verdadeiramente empolgante demais.

Seu quarto álbum “Defiance” 2009 (Season of Mist), foi o primeiro álbum em que nenhuma música foi composta por Warslut, enquanto ele se concentrou nas letras, como de costume, com músicas foram compostas por Shrapnel e Matt Razor (Razor of Occam), guitarrista e baixista respectivamente. Além deles, fazia parte da banda também o baterista Mersus (um alemão que tocava no Zarathustra). Esse foi um dos piores discos já lançados pelo Destroyer 666, foi um fiasco e, talvez, o fato de não ter sido composto musicalmente por Warslut implicado na baixa criatividade impregnada neste disco. A crítica foi muito incisiva na época, classificando muito mal o álbum chegando a compará-lo com uma cópia de si mesmo, porém sem o espírito necessário para que a identidade da banda, tão bem-conceituada, principalmente em seu segundo álbum, estivesse presente em “Defiance”.

“É difícil apontar exatamente o que deu errado enquanto este álbum estava sendo composto, já que, em última análise, a fórmula D666, usada desde Phoenix Rising, ainda está presente aqui. Os riffs ainda são riffs básicos de thrash, baseados fortemente em trêmolo inserido em estruturas musicais básicas que são mais ou menos variações de estruturas básicas de verso/refrão, mas algo aqui deu errado de uma forma muito desagradável.” The Clansman https://www.metal-archives.com/reviews/Destr%C3%B6yer_666/Defiance/232944/TheClansman/1146 consultado em 07/07/2025

De fato, não é o disco que gostaríamos de ouvir do Destroyer 666, mas vamos nos deparar com o tempo em que as coisas estavam mudando duramente, aquela era outra época, outros anseios daqueles que estavam chegando no universo musical que o Metal apresentava, renovações e esse disco do Destroyer 666 é lançado no auge do Revival do Thrash Metal, onde, além das bandas, uma série de coisas orbitam neste momento na realidade da sociedade em geral, este fato será abordado mais a frente nesta série, exatamente quando começarei a falar sobre as bandas de Thrash Metal do início do século vinte e um.

A crítica foi áspera, o disco não é bom de fato, mas, antagonicamente, os mesmos Shrapnel e Matt Razor irão lançar o primeiro álbum da banda Razor of Occam, que terá muito mais sonoridade relacionada ao Destroyer 666 do passado que esse disco “Defiance”.

Destroyer 666, recuperou o folego e anos mais tarde, 2016, lançam seu álbum “Wildfire” (Season of Mist) com nova formação, restando apenas Warlsut, que já assinava artisticamente como KK. Nesse álbum Warslut, ou melhor KK, voltou a compor as músicas e não apenas as letras como em “Defiance”, mesmo contando com a contribuição de Ro “Bestial Aggressor of Morbid Invocations” (Grave Miasma na época) nas guitarras, Felipe (músico Chileno que também tocou no Nifeheim) no baixo e o baterista Perra (que também tocava no In Aeternum). “Wildfire”, diferente do álbum anterior, ganhou boas críticas e talvez tenha reposto o Destroyer 666 novamente na fileira de cima das bandas undergrounds do Thrash/Black Metal.

A essa altura, Destroyer 666 já era uma banda muito mais conhecida e consagrada que na época do seu melhor álbum “Phoenix Rising” 1997 e ao que tudo indicava, existia um desejo de resgatar aquele Destroyer 666 dos anos 90. Talvez essa tentativa de resgate tenha sido tentada através de um EP “Call of the Wild” 2018 (Season of Mist), que tem um tom meio que Celtic Frost, principalmente o fato de KK ter mudado sua frequência vocal nesse disco. Ele consegue mesclar essa “nova” roupagem do vocal com o que ele costuma fazer nos discos anteriores nas outras faixas, mas posso garantir que houve uma surpresa inesperada nesse EP. Assim como o resgate da estética que foi usada pela banda em seu primeiro álbum sobretudo na logo.

A banda lançou outros materiais extras, fora do selo Season of Mist como o EP de 7” através do selo Burn Records da Suécia o “Guillotine” em 2022; um disco ao vivo gravado em 1998 na Austrália e lançado em 2022 por um selo chinês chamado GoatowaRex, esse ao vivo saiu apenas no formato LP. Ainda no ano de 2022 saiu seu sexto álbum “Never Surrender” (Season of Mist), disco que volta a apresentar nova formação sem Ro e sem Perra, agora contam com um novo baterista, o Kev Desecrator (Venefixion – banda francesa de Death Metal). Não sei explicar, mas o “Never Surrender” é o disco mais Thrash que o Destroyer 666 lançou em toda sua carreira, nesse disco dá pra perceber que a atmosfera mais sombria e predominante de Death Metal de seus principais lançamentos fica menos evidente neste disco que tem uma aparência sonora um pouco mais voltada para a revolta, para o ódio, a violência e o revanchismo.

Das mesmas paragens do Destroyer 666 eu gostaria de trazer aqui o Gospel of the Horns e Razor of Occam, aliás duas magníficas bandas de Thrash/Black Metal que não podem passar despercebidas, mesmo que a repercussão destas tenha sido bem abaixo do que o Destroyer 666, Desaster, Nifelheim, Bewitched ou Aura Noir foram capazes de alcançar. A sonoridade das bandas australianas sempre me soou familiar, talvez o fato de conseguir identificar influências muito fortes do Metal Selvagem feito no Brasil nos anos oitenta na musicalidade delas.

Vou começar pela mais velha, mais velha até mesmo que a Destroyer 666, Gospel of the Horns banda surgida em 1993 através do vocalista Shane Transvaal D (do Deinonychus) e Mark Howitzer. Em ordem Shane era vocal, Howitzer era baterista e havia um baixista chamado Anton que nunca chegou a registrar nenhum material com a banda. Algum tempo depois, se juntou a banda o Hellbutcher “Death Dealer” que gravou guitarra e baixo em alguns registros como a primeira demo da banda “The Satanist’s Dream” de 1994. Com essa demo, rapidamente, a Gospel of the Horns chamou atenção da gravadora Einstand Records.

O selo pretendia lançar sua demo em CD, mas cometeu alguns erros no layout do material, inclusive trocando a foto da banda por outra, o que causou desconforto entre banda e selo e o projeto foi cancelado. Somente em 1995 Gospel of the Horns fez sua primeira apresentação ao vivo e única com a formação original, nesta apresentação a banda contou com Vulture como baterista (não consegui identificar o músico, por tanto não saberia citar sobre a carreira do mesmo ou participação em outra banda na época ou mesmo depois). Em 1996 Howitzer se muda para Melbourne (capital da Austrália) e lá ingressa no Destroyer 666, como já citado acima neste capítulo, ele gravou o primeiro álbum “Unchain the Wolves” como baterista.

Somente em 1997, Howitzer reformularia o Gospel of the Horns mais uma vez com novos integrantes e assim o fez. Ele volta aos vocais e se junta a Ryan Marauder na guitarra e Warhammer na bateria, com essa formação gravam a demo “Sinners” que é lançada em 1998, após esse lançamento eles conseguem contrato com uma gravadora da Holanda chamada Damnation Records para lançarem um EP e um álbum completo. Antes de cumprir os tratos com a Damnation, Gsopel of the Horns lançou um EP de 7” através do selo Morbid Productions contendo três faixas chamado “Monuments of Impurity” e já não contava mais com Warhammer na Bateria e sim Obliteration. Neste trabalho, Gospel of the Horns gravou um tributo a banda australiana de Thrash Metal Mortal Sin através da faixa “Blood, Death, Hatred” música do seu primeiro álbum de 1987 “Mayhemic Destruction”.

Em 2000, finalmente, é lançado seu primeiro registro pela Damnation Records, o que estava dentro do planejado. Oblietration, a essa altura, já havia deixado a banda e fora substituído por Hellcunt (ex-Bestial Warlust). “Eve of the Conqueror” contribuiu para a primeira turnê na Europa do Gospel of the Horns ao lado de bandas como Pentacle, Enthroned, Primordial e Thus Defiled. Ao retornar, a banda incluiu mais um guitarrista na sua formação: Chris Masochist (Hellspawn) e gravaram seu primeiro álbum no formato LP através da Invictus Records “A Call to Arms” 2002, a banda teve alguns problemas financeiros perante a Damnation Records e por isso não conseguiram cumprir o contrato, por esse motivo o álbum foi lançado pela Invictus.

A banda continuou fazendo shows na Austrália, e passou por novas mudanças de guitarrista até o lançamento do seu segundo álbum em 2007, mais uma vez via Invictus Records. “A Call to Arms” é um disco muito bem composto, mas pecou na voz, a mixagem jogou o vocal para trás dos demais instrumentos e isso prejudicou muito no resultado do álbum, mesmo com uma aparente boa produção, o disco ainda foi muito elogiado no quesito qualidade dos instrumentos, nas composições dos rifes e na nitidez dos solos.

No período entre o primeiro e o segundo álbum o guitarrista Hexx, da banda australiana Trench Hell, integrou o Gospel of the Horns, mas em janeiro de 2007 a banda resolve se separar e se reunir duas semanas depois sem Hexx, marcando o retorno de Masochist. Com toda essa conturbação na banda eles ainda levaram mais cinco anos para lançar um novo material, mesmo anunciando o final da banda em 2008 após alguns shows nos Estados Unidos. “Ceremonial Conjuration” 2012 (Invictus Records) foi seu último suspiro. O material traz cinco faixas e entre elas um cover para a música “The Fog” da banda Goatlord (POL) retirada do primeiro álbum “Reflections of the Solstice” (Turbo Music – em breve trarei um episódio muito desagradável sobre esse selo/gravadora em relação a banda Funeral Nation, qual falarei ainda nessa série).

Razor of Occam

Também da Austrália é a Razor of Occam, e antes de começar a falar sobre a banda, tem um fato interessante sobre o nome da banda que acho muito legal falar. O nome Razor of Occam foi inspirado em “A navalha de Ockham – também conhecida como princípio da parcimônia, lex parsimoniae ou princípio da parcimônia – é um princípio de pesquisa heurística da escolástica que exige a maior parcimônia possível na formulação de hipóteses e teorias explicativas. Nomeado em homenagem a Guilherme de Ockham (1288-1347), o princípio encontra aplicação na filosofia da ciência e na metodologia científica.”

Realmente, os caras foram bem longe buscar esse nome! A título de esclarecimento, mais duas coisas que considero importante citar a fim de dar sentido a referência: primeiro sobre Escolástica – é o modo de pensar e o método de raciocínio que foi desenvolvido no mundo acadêmico de língua latina da Idade Média. Este método, derivado dos escritos lógicos de Aristóteles, é um procedimento para esclarecer questões por meio de considerações teóricas; e o segundo é sobre Guilherme de Ockham, ou Occam em inglês, foi um dos mais importantes filósofos medievais, teólogos e teóricos políticos do período escolástico tardio. Ele é tradicionalmente considerado um grande representante do nominalismo. Sua extensa obra filosófica inclui obras sobre lógica, filosofia natural, epistemologia, teoria científica, metafísica, ética e filosofia política.

A banda foi formada em 1998 e, muito parecido com a carreira das demais bandas australianas aqui citadas, Destroyer 666 e Gospel of the Horns, ela vem fazer um som na linha Thrash/Black Metal e assim como as demais, as camadas de Black e Death Metal estão mais evidentes que a de Thrash Metal, mas fica visível a influência forte das bandas alemãs, principalmente.

Seu primeiro registro foi com a demo “Diabologue” 1998, contendo três faixas em aproximadamente doze minutos. A formação contava com Matt Razor nos vocais e guitarra (tocou na Deastroyer 666 entre 2004 e 2014) Chris Hastings (Adorior) no baixo e BC na bateria. No ano seguinte, 1999 foi lançado em formato EP “Diabologue” contendo a mesma capa da demo e o mesmo título, esse material foi lançado em vinil de sete polegadas contendo duas faixas das três da demo, o EP foi lançado pela gravadora Damnation Records, a mesma que teve intenções de trabalhar com a Gospel of the Horns.

Quatro anos mais tarde, Razor of Occam vai lançar seu segundo EP, pelo selo Circle of the Tyrants Records sob o título “Pillars of Creations” 2003, título inspirado por uma fotografia: “Pilares da Criação é o nome de uma formação fotografada com o Telescópio Espacial Hubble na Nebulosa da Águia, a cerca de 7.000 anos-luz de distância. A imagem foi tirada em 1 de abril de 1995 pelos astrônomos Jeff Hester e Paul Scowen da Universidade Estadual do Arizona”. Vamos combinar que esses caras são muito Nerds! Esse Ep saiu com quatro faixas e no formato CD, a capa é, exatamente, a foto dos pilares em formação fotografado pelo telescópio. Esse material já contava com outro baterista, o Peter Hunt.

A carreira da banda teve uma razoável trajetória, conseguindo fazer shows com bandas de renome como Asphyx, Primordial e Dismember, saindo em turnê europeia com Gospel of the Horns, aliás algo extremamente rentável para ambas e, seis anos depois de ter lançado seu segundo EP, Razor of Occam lança seu primeiro e único álbum até aqui “Homage to Martyrs” 2009 (Metal Blade Records), através de uma gravadora de renome internacional no nicho. Seu contrato com a Metal Blade soou muito estranho na época, já que a gravadora estava muito voltada para a cena mainstream e aos sons da moda, entre eles a onda de Deathcore, Razor Of Occam soava uma banda muito Metal e muito Underground para o atual cast da gravadora e então soou como uma surpresa.

Outro quesito que talvez tenha atraído os olhares para o Razor of Occam, tenha sido a participação dos integrantes na veterana Destroyer 666 àquela altura, uma baita credencial, convenhamos. Outra característica muito forte que permeia o lançamento deste álbum, pode ter sido a grande semelhança sonora com o Destroyer 666, principalmente se comparado com o álbum mais aclamado deles o “Phoenix Rising”, “Homege to Martyrs” é um disco com os dois pés na linha de raciocínio, timbragem, arranjos e tudo mais nessa ideia que o Destroyer 666 trabalhou naquele álbum. Razor of Occam, como foi possível notar durante o texto, não trabalha com a temática ocultista e sim científica, ainda que haja alguma crítica as religiões em suas letras, os integrantes são muito mais céticos quanto a este quesito e tem muito mais interesse por ficção científica e filosofia cósmica que satanismo ou alegorias adjacentes, na concepção deles “…iluminamos a dura realidade do universo sem Deus, insensível e inspirador de admiração que habitamos…”.

Razor of Occam, além da inevitável comparação com o Destroyer 666, também chega a ser associada ao Absu e sua carreira entrou em hiato mais uma vez e não se sabe se ainda seguem compondo, já que ficaram pelo caminho após lançarem o primeiro álbum. Realmente, espero, que eles ainda estejam com a mente criativa para nos brindar com mais um de seus trabalhos.

Aqui finalizo este capítulo criando expectativa para o próximo onde devo trazer o Funeral Nation e, talvez, a banda mais conhecida do grande público do estilo Thrash/Black Metal Witchery. Por hora fiquemos com nossa tradicional lista de indicações:

Destroyer 666 – “Six Songs With the Devil” 1994 demo

Destroyer 666 – “Violence is the Prince of this World” 1995 (Modern Invasio Music)

Destroyer 666 – “Unchain the Wolves” 1997 (Modern Invasion Music)

Destroyer 666 – “Phoenix Rising” 2000 (Season of Mist)

Destroyer 666 – “Of Wolves, Women & War” 2002 (Satans Metal Records)

Destroyer 666 – “Cold Steel… of an Iron Age” 2002 (Season of Mist)

Gospel of the Horns – “A Call to Arms” 2002 (Invictus Records)

Gospel of the Horns – “Ceremonial Conjuration” 2012 (Invictus Records)

Gospel of the Horns – “Realm of the Damned” 2007 (Invictus Records)

Razor of Occam – EP “Diabologue” 1999 (Damnation Records)

Razor of Occam – “Pillars of Creations” 2003 (Circle of the Tyrants)

Razor of Occam – “Homage to Martyrs” 2009 (Metal Blade Records)

 

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