Valéria nasceu e cresceu no Rio de Janeiro, na zona norte desse inferno urbano. Durante a adolescência, conheceu duas amigas na escola que mudariam seu rumo musical: foram elas que a apresentaram ao Black Metal. Até então, já curtia rock e, por se sentir deslocada da maioria, encontrou naquela sonoridade algo que fazia sentido.
Um dia, levou para casa o álbum Dusk and Her Embrace, emprestado, e já no ônibus devorou o encarte. Ficou fascinada por aquela estética macabra, mergulhando nas letras que respiravam angústia e ódio. Quando finalmente ouviu o som, a experiência foi irreversível. Do Cradle of Filth, deu o salto para Darkthrone, Behemoth, Mayhem, Satyricon, Emperor, Immortal… e, pouco a pouco, começou a baixar materiais pela internet, aprofundando-se ainda mais naquelas atmosferas tétricas. Descobriu a incomparável Forgotten Woods, a soturna Ulver, a caótica Carpathian Forest, e tantas outras vozes abissais.
Mais tarde, assumiu os vocais do KVLTO, após a saída do vocalista original, que não conseguia conciliar ensaios com a vida profissional. Antes disso, já havia se aventurado em alguns projetos, arriscando-se nos vocais rasgados — experiências amadoras, mas que pavimentaram o caminho para o papel que viria a assumir de vez.
Nada se comparava ao KVLTO, projeto que lhe exigia muito mais entrega e energia. Conheceu Caronte quando ainda tinha quinze ou dezesseis anos, e os dois voltariam a se reencontrar em 2008. Naquele momento, ele já trazia consigo a ideia do Velho e a convidou para integrar o rito. As primeiras músicas eram tiradas de forma quase ritualística nas escadarias da Cinelândia, apenas com um violão.
Foi Caronte quem a levou ao Albergue, onde conheceu Splatter. Durante um tempo, transitou pelo grind, assumindo o baixo ao vivo no Furúnculo Anal. Até que surgiu o KVLTO — diretamente inspirado no Metal Negro dos anos noventa. Para ela, o KVLTO se tornou a expurgação pessoal de todos os demônios gestados ao longo de suas décadas neste mundo torpe, um tempo em que jamais se sentira pertencendo a lugar algum.
O KVLTO era querosene para incendiar o moralismo cristão, o fascismo e o patriarcado. Hoje, ela compreende o Black Metal não apenas como gênero musical, mas como ação, movimento, e o KVLTO como um verdadeiro dispositivo de libertação decolonial.
Tenebra: “Salve a todos os insanos, marginais, desajustados e libertários que comungam do nosso caos.”
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