Willy nasceu em Natal- RN. Sua relação com a música começou ainda na infância, quando estudou piano. Esse foi seu primeiro instrumento, mas, na adolescência, apaixonou-se pela guitarra tão profundamente que acabou abandonando o piano. A guitarra abriu para ela um território de liberdade, intensidade e verdade que se tornou central em sua expressão artística.
Com o tempo, Willy mergulhou no heavy e no black metal, que se tornaram, durante anos, uma verdadeira obsessão. Foi dentro desse universo sonoro que encontrou acesso ao seu lado mais obscuro; quase uma “psicanálise dos mortos” (como brinca). Nessa fase, trabalhou em projetos que transitavam do black ao pagan metal, explorando atmosferas rituais, simbologias ancestrais e um imaginário ocultista que dialogava profundamente com seu mundo interior. Usava técnicas de vocal drive e fry, tocava baixo em diferentes projetos e chegou a organizar um festival de black metal, participando também com sua banda da época, Ashes Ritual.
Esse período foi mais que musical: foi um mergulho em uma pesquisa existencial e estética. Willy dedicava-se à literatura, poesia, esoterismo, mitologia e xamanismo como formas de ampliar percepções e nutrir sua experimentação sonora. Dessa fase surge algo que permanece até hoje como possibilidade estética profunda: a mística. Ela aparece como uma camada subterrânea que sempre retorna ; seja na forma como compõe, nos símbolos que escolhe, nos temas que visita ou na própria atmosfera de suas músicas.
Depois dessa imersão no extremo, suas sonoridades começaram a se expandir. Ela entrou em uma fase stoner / lo-fi, testando novas densidades e timbres, e foi aí que o fuzz se tornou parte essencial de sua estética. Nesse período, participou de um grupo chamado Música Experimental, uma vivência coletiva que lhe ensinou muito sobre produção cultural, improvisação, escuta e musicalidade. Com esse grupo, realizou eventos como o Under the Sun, que ampliaram ainda mais sua percepção do que é possível dentro da arte sonora.
Willy também integrou a banda instrumental Vênus Negra, com a qual lançou um EP disponível nas plataformas digitais — um projeto completamente inspirado no cosmos. As músicas abordavam temas como Rotação Reversa e Perseidas, explorando movimentos celestes, atmosferas espaciais e viagens psicodélicas. A Vênus Negra foi, para ela, um laboratório de sensações, expansão e experimentação profunda.
Mais recentemente, ela retornou ao trabalho autoral de forma mais consciente e amadurecida. Assim nasceu a Acid Violet, onde compõe e escreve letras em inglês. A banda mergulha em temas ligados ao universo feminino, ao arquétipo da mulher como bruxa e à força simbólica dessa figura enquanto potência e empoderamento. Esse momento culmina no EP Acid Witch, que aprofunda essa mitologia feminina, unindo psicodelia, intensidade e estética ritual, sempre com muito fuzz e reverb.
Paralelamente à música, Willy é professora de filosofia e estuda fotografia; duas linguagens que atravessam tudo o que faz. A filosofia tensiona suas letras e suas buscas; a fotografia lhe oferece imagéticas, texturas e atmosferas. E, permeando tudo isso, permanece a psicodelia como modo de ver o mundo e a mística como campo interior, simbólico e sensível, que se manifesta em suas escolhas artísticas.
De tudo isso que compõe sua trajetória, também reverberam os parceiros e parceiras que encontrou ao longo do caminho e que o ajudaram a ser quem é. Para ela, o exercício da coletividade no desenvolvimento da arte é pressuposto fundamental para a experiência estética. Nada disso se constrói só; a música é um território de encontro, de partilha e de transformação mútua.
WILLY: “Do piano à guitarra; do black e pagan metal ao stoner; do experimental ao autoral; da filosofia à mística; da fotografia às atmosferas sonoras; Cada fase abriu um portal. Para mim, música é arte, rito, pensamento e liberdade — um espaço onde posso me reinventar e dar forma a tudo aquilo que vibra em mim.”
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