O conceito da “One Man Band” é bem antigo. Existem relatos que se iniciam desde o século 14, com músicos tocando mais de um instrumento ao mesmo tempo – no caso citado, flauta e tambor -. O nome se aplicava também e agora com uma visão mais moderna, naquela clássica imagem do violonista com um suporte para gaita em seu instrumento.
Foi por volta dos anos 1980 que se começou a usar a tecnologia MIDI – Interface Digital para Instrumentos Musicais-, mais especificamente com teclados, onde se podia programar vários instrumentos e usá-los como acompanhamento, enquanto o músico tocava o teclado e cantava.
Nessa época também começaram aparecer projetos one man band em que o musico tocava todo os instrumentos, mas em estúdio. Um de cada vez e depois montava as músicas.
Por fim, nos tempo atuais, principalmente durante a pandemia, a facilidade da tecnologia facultou que qualquer um com um computador em casa e uma guitarra, registre suas composições, monte suas musicas sua arte e publique em plataformas de streaming, em tempo quase real. Antes que me perguntem, não vou entrar na música gerada por IA. Novamente, cada um com seus problemas, mas na minha concepção, não cabe.
Este artigo tem uma proposta um pouco diferente dos outros dossiês que elaborei. Como sempre, vou me ater ao metal extremo. Mas depois de alguma fundamentação teórica, eu pretendo transformar o artigo num texto colaborativo. Como vai ser:
Em primeiro lugar, não tenho pretensão nenhuma de esgotar o assunto ou ditar um portar uma verdade absoluta. Todo o texto vai ser pautado na minha percepção, através do meu gosto musical e do meu tempo no underground. Então não espere um tratado e se faltar alguma informação, sinta-se livre pra fazer contato. Se confirmar o contexto eu atualizo.
Segundo, o foco, depois de fundamentado, vai ser o metal extremo nacional. Vou publicar algumas bandas que conheço, tentar alguma cronologia, mas outras bandas, á critério da minha aprovação, podem ser objeto de atualização.
Me proponho a considerar projetos com alguma solidez. O que quero dizer com isso: Existem alguns projetos que o próprio idealizador, não consegue executar novamente o que gravou. Simplesmente faz na hora, de improviso, registra e publica num bandcamp ou youtube da vida. Nada contra. Mas não vai ser objeto deste artigo. Projetos de idealizadores com 150 bandas ou que lançam musicas todos os dias também não serão considerador. Repito, nada contra, mas meu foco é outro. Vamos ao trabalho:
Acredito que a primeira banda no metal extremo a ser considerada uma One Man Band, foi o BATHORY. Embora acredite que todas as composições sejam fruto da genialidade do Quorthon, na minha opinião a banda não se enquadra no conceito de one man band pelo fato de que as gravações foram realizadas com músicos de apoio.
Considerando o fato acima, acredito que a primeira banda de grande relevância que viria a se enquadrar nesse conceito seria o BURZUM. Por que primeira banda de grande relevância? Porque,provavelmente, alguém fez isso anteriormente e não teve o impacto que o BURZUM teve. Como eu disse, o artigo é colaborativo, se tiver informações, me mande que eu atualizo.
Aqui no Brasil, eu acredito que posso citar duas bandas, uma de grindcore e outra de noisecore, ali entre 1992 e 1993 e que já faziam uso do expediente de gravar a guitarra e os vocais e usar bateria eletrônica. E até para tocar ao vivo: Eu falo do POLLUTIO SONAX e do DEFECAL GESEOFOBIA
Voltando ao contexto internacional, podemos citar várias bandas como o NARGAROTH, TAAKE, NATTEFROST, JUDAS ISCARIOT, MYRKUR e etc. Tem até um documentário chamado “One Man Metal”, que aborda as bandas XASTHUR, LEVIATHAN e STRIBORG.
Enfim, o conceito do one man band vai abertamente de encontro a cosmovisão misantrópica que envolve principalmente o Black Metal. Mas como eu disse, a proposta deste texto é ser colaborativo. Então, quem tiver mais informações, envie! Vamos a algumas bandas, numa tentativa cronológica – a partir dos anos 90 –, aquelas que for possível, com os devidos links e descrições.
Em tempo: Encontrei informações sobre algumas one man bands das quais não encontrei material nenhum seja no youtube, bandcamp, mp3 ou em meus arquivos. Subentendi que essas bandas não tem interesse em divulgação. Logo, foram sumariamente descartadas.
ANOS 90
POLLUTIO SONAX
O POLLUTIO SONAX é a primeira oneman band brasileira de que eu me lembro.Acredito que seja de 1992. Era formada pelo Rogers Babu, que foi membro da maior banda grindcore que o Brasil já produziu: O ROT. Eu até tenho o material do POLLUTIO SONAX em k-7, mas vai ser praticamente impossivel achar no meio das minhas fitas antigas. Se alguém tiver a logo, me manda que eu atualizo o artigo. Por hora vai o link para aquela que eu acho que é a segunda demo da banda: COCK PHOSGENE
A próxima banda é o DEFECAL GESEOFOBIA.Essa tava tocando até uns 10 anos atrás. Como eu disse acima, formada pelo Cernnunos do WOLFLUST, que na época atendia por Carlos Necrovore. Me parece que a primeira demo era de 1993. Mas o Material que eu vou postar aqui é o EP de 1996, pela melhor qualidade de gravação. Link GRINDING MADNESS

A partir de agora começamos a entrar no Black e Death Metal, que vão permear o restante do artigo. E a primeira banda que eu consegui mapear foi o poderoso SOVEREIGN, de 1994. A banda é projeto de Rudolf – The Proud e, embora tenha sido criada em 1994, lançou sua primeira demo em 1998, com 07 faixas, entre um epílogo e um prólogo. O SOVEREIGN lançou bastante material: Além de demos e ep’s, lançou 05 full-lengths. Aqui apresentaremos o debut da banda, “In The Influence of Mars“

O MORTIFERIK é uma banda do interior do Rio de Janeiro, mais precisamente de Campos dos Goytacazes e foi criada por ANDERSON MORPHIS no ano de 1998. A banda apresenta um som calcado no Death Funeral Doom Metal.
Possuem duas demos – sendo uma de 1998 e outra de 2012 – dois EPs e um Live Album! E pelo que consta, pois não tive acesso ao material físico, inclusive o Live Album é no formato one man band. Abaixo o link para o primeiro EP da banda, “Empire of the Sadness Return” de 2013.
ANOS 2000

E entramos nos anos 2000. E a primeira banda a ser abordada é o LUTEMKRAT, de Curitiba no Paraná. A banda foi formada em 2002 por Wolf Lutemkrat. O som da banda é o mais puro e gélido Black Metal de segunda onda.
O LUTEMKRAT é outra banda bem produtiva, contando com uma demo de 2003, um full-length, um EP, uma compilação, um split e vários singles recentes. O ultimo, inclusive, é de 2025. E é este que apresentamos aqui.Excelente banda: SUPREME RITUAL OF DECOMPOSITION

Fundada no ano de 2005, a próxima banda é o THY LIGHT, que teve seu início na cidade de Limeira, no interior de São Paulo, mas hoje tem como base Glasgow na Escócia. A banda, que conta com uma formação para apresentações ao vivo, em estúdio é fruto da mente criativa de Paolo Bruno e executa o estilo conhecido por Depressive Black Metal.
Em sua discografia o THY LIGHT conta com uma demo de 2007 , um full-length, uma compilação e um EP. O ultimo material lançado é o EP auto intitulado e que é o material que iremos apresentar no link abaixo.

O IMPURE ESSENCE é um projeto criado no ano de 2006 por um dos caras mais ativos do underground que eu conheço: O cidadão em questão tem selo, distro, escreve, já organizou eventos e ainda tem este excelente projeto.
O idealizador é o A. Luvarth e o projeto, que tem sua sede na cidade de São Paulo, possui em sua discografia, 02 demos, 05 splits, 01 EP e 04 Full-Lengths do mais puro Black Metal. O Material que irei apresentar aqui é o primeir full do IMPURE ESSENCE, chamado In the Form of a Black Goat

O OLD THRONE também é do ano de 2006 mas este projeto tem como base a cidade do Rio de Janeiro. É um projeto bem conhecido e é capitaneado pelo Fernando Count Old. Também milita nas fileiras do Black Metal e tem bastante materia editado, contando em sua discografia com 06 demos, 02 compilações, 02 EPs e 04 Full Lengths.
O material que eu irei apresentar aqui é o ultimo full da banda, lançado em 2023 e intitulado “Alimentando as Estrelas com as Cinzas da tua Espécie“. Como se percebe pelo nome, nietzschidamente niilista. LINK

E a próxima oneman band apresentada vem do interior de São Paulo, mais precisamente de São José dos Campos, foi criada em 2008 pelo Alexandre Rodrigues e milita na seara do Death Metal. Estou falando da CRUSHING AXES, acredito que uma das mais prolíficas oneman bands do nosso cenário, com impressionantes 19 – isso mesmo DEZENOVE – full-lenghts e 05 EPS.
A tematica abordada pelo CRUSHING AXES remete a temas como Mitologia e Misantropia e o som é um Death Metal brutal que acha espaço pra algumas nuances Thrash. A banda lançou quase um album por ano desde que foi criada – em 2018 lançou 03 – e o trabalho que vou linkar aqui é o ultimo, de 2024, intitulado “Reign of Fire”
E findamos a primeira publicação desse nosso dossiê colaborativo. Se alguém tiver alguma correção pra fazer ou quiser indicar alguma oneman band até 2010, o contato éwarfarenoiseproject@gmail.com . Em alguns dias eu volto com mais bandas do período entre 2010 e 2020.





