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Os clássicos do Black Metal Escandinavo dos anos 90

PARTE 1

Anton Naberius maio 28, 2026 14 min read

Eu tive alguma certa facilidade, talvez a maioria daqueles que estavam envolvidos no underground e nas tapes trades também, de acessar a cena escandinava no início dos anos 1990, aliás que década? Que década espetacular para o metal extremo, meus amigos, foi bem nessa época que estilos como o Thrash Metal e o Death Metal foram perdendo espaço para um espectro novo, ou melhor, inovador ainda que cheio de referências no Speed e Thrash Satânico da década anterior, que se mostrou versátil e cheio de possibilidades de se expandir. Foi naqueles anos que pude conhecer uma nova face do Darkthrone, que em seus primeiros registros mostrou um som totalmente Death Metal através do debut “Soulside Journey”, 1991.

A Escandinávia nos apresentou bandas que seriam mártires de álbuns eternos com sonoridades ímpares e inesquecíveis como o próprio Darkthrone, Mayhem, Burzum, Marduk, Impaled Nazarene, Satyricon, Gorgoroth, Dark Funeral, Emperor, Enslaved, Hades, Immortal, Dimmu Borgir e outras mais que, realmente, nos conduziram a uma sonoridade ímpar assim como uma estética que vai fincar as estacas do Metal Negro definitivamente no imaginário de uma cena em transformação naquela década.

Obviamente que existem muitas outras bandas que também fizeram história nesta mesma época, porém aqui quero trazer essas bandas escandinavas e em outros momentos trazer bandas de outros países (outros textos), por sinal já escrevi um artigo em que discorro sobre bandas gregas… aí teremos as bandas americanas e canadenses também em breve, aliás essas bandas, junto com muitas bandas brasileiras que transitaram entre os anos 80 e 90, foram muito influentes não apenas em seus países de origem, mas também para uma boa parte destas bandas escandinavas.

Como os artigos que costumo escrever são opinativos, claro que vou aqui tentar traduzir algo que percebo no lugar comum, mas ao mesmo tempo vou carregar no gosto pessoal, deixando com que cada leitor tente fazer suas próprias listas de álbuns e de memórias afetivas, tenho muitas, e essas estão muito próximas daqueles álbuns que se configuraram como clássicos perpétuos do Metal Negro Mundial.

Comecemos então como o Darkthrone, qual julgo o divisor de águas, primeiro pelo aspecto estético que é marcante, a capa e a logo da banda, vai nos remeter a um imaginário de identidade fúnebre e ao mesmo tempo profana que o Sarcófago já havia nos entregado imageticamente, talvez o fato da fotografia da capa do “A Blaze in the Northern Sky” ter uma dinâmica mais noturna, obscura e mais sombria que a capa do I.N.R.I., tenha sido o trunfo do Darkthrone naquele álbum. A pele pálida e o corpse paint tão marcante, outra experiência mais selvagem e ritualística experiênciada no underground brasileiro, foi perfeitamente ajustada pelo Darkthrone, assim como uma leva de outras bandas de igual apelo visual que se espalharam rapidamente no início daqueles anos tão importantes.

A Blaze in the Northern Sky, originalmente lançado em 1992 através da gravadora Peaceville Records, tem uma sonoridade extremamente diferente do álbum anterior da banda, que, como já disse, era puramente um álbum de Death Metal, “A Blaze…” se mostra um disco com gravação despretensiosa, crua e simples, porém nos remete imediatamente pra melodia pura, para o ar sombrio e para uma inteligência musical sensível e exuberante que nos traduz perfeitamente a frieza e atmosfera profana proposta pela banda com uma produção marcada pelo obscurantismo e os tons de cinza que carrega a arte da capa, do encarte… chegando a um ponto em que tudo soa minimalista, perfeito e um marco histórico, ali estávamos diante de uma obra prima que teria uma legião de bandas seguindo aquele chamado e aclamado Unholy Black Metal com suas variações que passou a ser conhecida como Raw Black Metal rapidamente.

As músicas têm pontas soltas como ressoar o áudio da guitarra em um sonido depois que a massa sonora se encerra, ou o típico barulho de posicionar os dedos nas casas da guitarra ou ainda acionar o pedal de distorção antes de dizer: “valendo!”. Tudo aquilo soava descompromissado, meio que um ambiente de ensaio e isso demonstrava essa maneira quase que informal de registrar música, dando ênfase no que poderíamos contemplar e admirar como o controverso, a contracultura que precisávamos para nos afastar da ideia de perfeccionismo, ou de produtos feitos para as massas, quem estava disposto a ouvir tudo aquilo não estava tão mais empolgado com polidez e perfeição musical e sim com um sentimento despojado, relaxado e desconexo com as exigências de um mundo nutrido por um sistema virtuoso.

“A Blaze…” é um daqueles álbuns perfeitos, a frente de seu tempo, tão magnífico que ficou difícil até a própria banda descobrir a fórmula, foi naquele álbum que eles iniciaram a trajetória que poderíamos facilmente relacionar a escala dos a frente do seu tempo, e foi, ali estava o marco histórico inaugural do que hoje carregaríamos como estandarte do Black Metal propriamente dito. Algo que não pode deixar de ser mencionado é a influencia do Celtic Frost e Hellhammer na musicalidade do Darkthrone neste disco e em outros subsequentes.

Quero agora atravessar a fronteira, e chegar na Suécia, encontrar por lá uma das bandas mais destruidoras que tive a experiência de ouvir naqueles tempos e me sentir num cenário de morte e destruição satânica, acho que eu ainda não havia percorrido aqueles espaços sonoros com tamanha velocidade e melodias aliadas a tanta maldade, tanta perversidade. Ouvir aquele tipo de som me fez associar rapidamente as metáforas de facas rasgando nossa carne e a dor dessas feridas seriam a agonia de uma morte com sofrimento, com angústia, essa foi a sensação de escutar Those of the Unlight. Bom, certamente alguém vai dizer que velocidade e destruição já existia com bandas como Blasphemy (é fato que Blasphemy tem uma sonoridade aterradora, barulhenta, mas não é melódica como o Marduk, é importante ressaltar essas características), mas nada era igual ao que o Marduk estava fazendo em seu segundo álbum, era uma lição de Metal Extremo esfregando na nossa cara coesão, velocidade, peso e maldade num mesmo disco, aquelas melodias ecoavam em meus ouvidos por semanas, aliás, escutar discos nessa época era um rito de intensa repetição quase que ininterrupta, era um ato que se repetia exaustivamente, porque estava na monta de um disco por vez e até tinha mais tempo para apreciar as obras, bem diferente de hoje que eu chego a ficar um mês sem conseguir tirar o lacre de um disco.

MARDUK

Em 1992, Marduk havia lançado seu primeiro álbum Dark Endless, mesmo tendo toda a estética do Black Metal escandinavo dos anos 90, somente no segundo álbum eles encontraram o tom perfeito para sua música, foi com o Those of the Unlight que o Marduk conseguiu se desvencilhar dos rastros do death metal e alcançam um tom perfeito, digno de uma banda que estava buscando sua identidade no Black Metal, despontar sem desapontar. O álbum tem a destreza de propor melodia, ódio e uma melancolia sombria em muitas partes, fazendo com que o ouvinte tenha uma experiência diversa em suas canções e essa foi a minha sensação, tudo isso é muito bem feito, muito bem tocado, mas nos passa uma perversidade surpreendente, o vocal de Gravf são desesperadores, tétricos e o mesmo ar destrutivo ele empregou na bateria deste álbum, ali estava a célula que se desenvolveria e se multiplicaria mais tarde com discos onde as músicas parecem ter pressa, são atormentadas e odiosas… “Those of the Unlight” é uma obra prima do black metal escandinavo e fincou uma estaca no seio do metal extremo.

Trocando mais uma vez de fronteira, chegamos a Finlândia e de lá nossa banda de referência não poderia ser outra se não o Impaled Nazarene, com seu poderoso álbum de estreia Tol Cormpt Norz Norz Norz… lançado em 1993 pela gravadora francesa Osmose Productions, aliás o ano de 1993 nos entregou nada menos que os melhores álbuns do Metal, sem sombra de dúvidas, sem esquecer que neste mesmo ano Impaled Nazarene lança seu segundo álbum, o magnífico Ugra-Karma, também via Osmose, eles estavam com tudo mesmo. O “Tol…” é um daqueles discos em que os músicos ainda estão tateando para encontrar sua identidade, mas eles fizeram isso com muita intuição, baseando naquele hardcore mais sujo e numa referência de metal mais esporrento vindo de banda como o próprio Sarcófago, Impaled Nazarene batizou seu som de Industrial Cyber Punk Sado Metal.

Muitos, talvez, contestem a importância desse álbum transferindo para o Ugra-Karma esse título, mas nada pode ser mais aterrador e brutal quanto o “Tol…” aqui o nível de brutalidade e espontaneidade é a marca registrada desse disco, é um álbum absolutamente selvagem, onde eles encontraram um caminho que desviasse da obviedade do Thrash ou do conservadorismo do Death Metal, Impaled Nazarene rompe com uma fronteira imaginária sobre como poderia ser tocado uma música extrema àquela altura em que houve uma dominação de bandas massacrantes feito Blasphemy e seus conterrâneos Beherit, Impaled Nazarene vai desafiar o que podemos interpretar como um Metal Negro violento e incessante.

Diante de tudo que nós conhecemos durante esse período sobre o Black Metal Escandinavo, para além da música houve uma série de eventos já largamente noticiados, transformados em livro e até em filme, por essas e outras eu vou me ater aos lançamentos que foram marcantes para mim, claro que não na sua totalidade e sim aqueles que eu considero discos que marcaram uma época, que marcaram por seu “ineditismo” e, não há como negar, a Noruega se destaca pela quantidade de bandas e de álbuns que foram marcantes nesse momento.

IMPALED NAZARENE

Dois discos de uma mesma banda foram muito emblemáticos para que conhecêssemos bem o que esses músicos estavam criando dentro de uma via que não teria retorno e sim novas vias se abririam mais a frente, estes discos foram: Deathcrush e Live in Leipzig, Deathcrush foi uma demo que virou EP e ainda carrega uma atmosfera “antiga” próxima da sonoridade dos anos 80, mas o Live in Leipzig é um álbum visceral, onde tudo está exposto em uma gravação crua, sem overdubs, sem retoques, talvez aquilo seja o exemplo de como deve soar um show genuíno de uma banda de Black Metal tendo como seu frontman alguém com o perfil de Dead, um músico alucinado com uma aura mística que fez história com sua forma medonha de entoar os cânticos e que nunca mais ninguém conseguiu empregar o mesmo ódio, a mesma crueza e a mesma perversidade nas músicas do Mayhem, mesmo sendo um admirador da voz versátil de Áttila, Dead até hoje é a cara do Mayhem… Sem perder muito tempo, claro que o clássico do Mayhem é o De Mysteris Dom Sathanas que simplesmente reúne a nata de repugnantes da cena nos anos 1990: Hellhammer, polêmico baterista de multibandas, inclusive bandas de “unblack”, whitemetal mesmo, Varg Vikernes o modelo de olhos azuis que ama sua pele branca feito neve e Euronimous, um idealista que foi assassinado por “olhos azuis” numa crise de rejeição. De qualquer modo, “De Mysteris…” é um disco cheio de composições maravilhosas e gravado com uma elegância marcante, tudo se encaixa muito bem e como já disse acima, eu admiro a voz de Attila, porém fico imaginando como Dead cantaria neste disco. É, eu disse dois discos, mas acabei por citar três e tudo certo!

Como podemos notar, a geração dos anos 90, que deu vida a segunda onda do Black Metal é repleta de músicos talentosos com bandas que tiveram a capacidade de nos surpreender com discos com In the Nightside Eclipse 1994 (Candlelight Records) do Emperor, aliás que banda? Uma das sonoridades mais ímpares, claro que hoje tudo isso deve soar normal e, até em alguns casos, envelhecido. Em minha opinião esses discos são atemporais, e digo que possuem sonoridades surpreendentes porque eles eram sonoridades únicas, ainda que repleta de influências, o que é absolutamente normal, o que essas bandas nos entregaram foram álbuns profundamente inspirados e performances fantásticas, com toda imaturidade, inexperiências, mas algo profundo que pertence aos gênios da arte que é a natureza inata de suas obras, aquilo poderia ser, facilmente, considerado um patrimônio para quem apreciava o Metal mais sombrio, satânico e perverso, aqueles riffs são inesquecíveis como músicas do tipo: Into the Infinity of Thoughts, Cosmic Keys to My Creations and Times e Inno a Satana.

EMPEROR

Emperor vai nos mostrar uma música absolutamente imersa nessa atmosfera Black Metal, porém que não se parecia com Marduk, nem com Darkthrone, tão pouco com Impaled Nazarene ou Mayhem, aliás nenhuma dessas bandas se parecem entre si e todas estavam ocupando um espaço musical novo atingindo centenas de milhares de pessoas a fim de mergulhar nesse universo sombrio da música extrema, e ávidos por apreciar toda um imaginário de suas capas, fotografias, encartes e letras que nos nutrisse do desejo de nos surpreendermos cada vez mais, era mágico demais ouvir um disco como esse e não sentir a adrenalina subir dos seus pés à cabeça!

Satyricon foi uma das bandas que fizeram parte dessa geração de bandas talentosas e gravaram, ainda na primeira metade da década de 90 dois discos muito bons: Dark Medieval Times (1993) e The Shadowthrone (1994), mas o que realmente eu chamaria de clássico é o perfeito Nemesis Divina de 1996 (Moonfog Prod.), este é um disco espetacular, e o disco mais inspirador que eu pude ouvir nos anos 90. Eu tinha uma namorada na época e foi ela quem comprou esse disco e que, surpreendentemente, ganhei de presente dela e estou com o mesmo até hoje, trinta anos depois! Nemesis Divina é um daqueles álbuns de inspiração única e perpétua, porém, antes de ouvir o álbum inteiro, circulando por uma das lojas especializadas em rock/metal aqui da minha cidade (Salvador/Ba), tive a experiência de assistir a um videoclipe do Satyricon para a música “Mother North”, música extraída do Nemesis Divina e, até hoje eu não conheço nenhum clipe, de banda nenhuma de Metal, mais espetacular que esse! Foi a melhor experiência de áudio visual que já pude ter na minha história de vida, sem exageros, é certo que a juventude e o excesso de hormônios me deixou cheio de tesão com Monica Braten, mas esse detalhe foi um recheio que deu sabor ao clipe, tudo ali parecia tão verdadeiro e tão inspirador, os enquadramentos, a fotografia, as cenas em si, com fogo, o machado quebrando o fio ao dividir uma cruz ao meio, o passeio na floresta de Satyr com dois metros de altura e Monica com meio num vestido transparente…

Nemesis Divina é o disco de 42 minutos e 48 segundos mais preciosos que pude dedicar a uma audição que se multiplicou infinitas vezes e tudo nesse álbum é invejável pra mim, da produção, as composições, a arte gráfica, tudo ali me soou perfeito e se tornou meu álbum de Black Metal preferido do Black Metal Escandinavo, eu consigo enxergar ali aulas de uma alma negra que ficou difícil, até mesmo, da própria banda superar nos seus discos subsequentes. Aquela altura, o Black Metal já estava gigante demais, tinha banda para todos os gostos, bandas que estavam ousando misturar com outros estilos da cena musical como a música folclórica, a música gótica e outros gêneros, mas o que o Satyricon nos entregou no Nemesis Divina, era a mais pura lição do genuíno Black Metal que a Escandinávia tinha para nos oferecer.

Ainda na Noruega, uma banda que me causou um impacto absurdo naqueles anos foi o Immortal com o magnífico Pure Holocaust, lançado em 1993 pela Osmose Productions. É curioso pensar nisso hoje, porque o Immortal, diferente de muitas bandas contemporâneas, parecia carregar uma identidade muito própria, quase como se estivesse construindo um universo paralelo dentro do Black Metal escandinavo. Enquanto muitas bandas estavam mergulhadas numa atmosfera mais satânica, ritualística ou mesmo necrológica, Abbath e Demonaz nos transportavam para paisagens congeladas, montanhas cobertas por neve eterna e um sentimento quase épico de isolamento absoluto. Claro que havia satanismo, obscuridade e ódio, mas o Immortal parecia mirar seus olhos para outro horizonte, para uma espécie de reino sombrio habitado pelo frio e pela guerra.

Quando ouvi Pure Holocaust pela primeira vez, tive imediatamente a sensação de deslocamento. Era rápido, extremamente veloz, mas ao mesmo tempo profundamente melódico. Aqueles riffs pareciam ventos cortando geleiras enquanto a bateria transformava tudo numa avalanche incessante. Não era apenas brutalidade, existia uma construção atmosférica muito forte ali e isso me fascinava profundamente. Talvez fosse justamente essa capacidade de criar imagens mentais que fazia o Black Metal daquela época tão especial. Você não apenas escutava um disco, você mergulhava nele, vivia aquele universo durante semanas, observava a capa inúmeras vezes, lia os agradecimentos, decorava cada trecho das letras e criava um vínculo quase espiritual com aqueles registros.

O Immortal conseguiu algo muito raro naquele período: soar extremo sem perder identidade. Muitas bandas tentavam alcançar velocidade e peso, mas poucas tinham aquela assinatura tão particular. Faixas como Unsilent Storms in the North Abyss e Pure Holocaust carregavam uma sensação de urgência quase desesperadora, mas tudo era conduzido por melodias memoráveis e por aquela aura fria que se tornou uma marca definitiva da banda. A produção crua ajudava ainda mais nessa experiência porque tudo parecia distante, congelado, enterrado sob toneladas de neve e obscuridade.

Fica nítido nos primeiros álbuns do Immortal uma forte influencia do Bathorym claro que isso não soaria estranho sendo o Bathory uma das bandas responsáveis pela marca sonora que deu base ao Black Metal. Bom, para um primeiro momento, ficarei por aqui com esses primeiros grandes álbuns, na próxima edição dessa série trarei outros discos, mas, por hora, fiz uma lista do que eu considero essencial conhecer sobre a cena escandinava dos anos 1990.

1992

  • Immortal (NOR) – Diabolical Fullmoon Mysticism — Osmose Productions

1993

  • Darkthrone (NOR) – A Blaze in the Northern Sky — Peaceville Records
  • Marduk (SWE) – Those of the Unlight — No Fashion Records
  • Impaled Nazarene (FIN) – Tol Cormpt Norz Norz Norz — Osmose Productions
  • Mayhem (NOR) – Deathcrush — Posercorpse Music
  • Mayhem (NOR) – Live in Leipzig — Obscure Plasma Records
  • Mayhem (NOR) – De Mysteriis Dom Sathanas — Deathlike Silence Productions / Voices of Wonder
  • Immortal (NOR) – Pure Holocaust — Osmose Productions
  • Dissection (SWE) – The Somberlain — No Fashion Records

1994

  • Emperor (NOR) – In the Nightside Eclipse — Candlelight Records
  • Gorgoroth (NOR) – Pentagram — Embassy Productions
  • Enslaved (NOR) – Frost — Osmose Productions
  • Hades (NOR) – Again Shall Be — Full Moon Productions

1995

  • Ragnarok (NOR) – Nattferd — Head Not Found
  • Gehenna (NOR) – Seen Through the Veils of Darkness (The Second Spell) — Cacophonous Records
  • Ulver (NOR) – Bergtatt – Et eeventyr i 5 capitler — Head Not Found
  • In the Woods… (NOR) – Heart of the Ages — Misanthropy Records
  • Fleurety (NOR) – Min tid skal komme — Misanthropy Records
  • Trelldom (NOR) – Til evighet… — Head Not Found
  • Dødheimsgard (NOR) – Kronet til konge — Malicious Records
Satyricon

1996

  • Satyricon (NOR) – Nemesis Divina — Moonfog Productions
  • Dark Funeral (SWE) – The Secrets of the Black Arts — No Fashion Records
  • Setherial (SWE) – Nord… — Napalm Records
  • Arcturus (NOR) – Aspera Hiems Symfonia — Ancient Lore Creations
  • Borknagar (NOR) – Borknagar — Malicious Records / Century Media
  • Vinterland (SWE) – Welcome My Last Chapter — No Fashion Records
  • Old Man’s Child (NOR) – Born of the Flickering — Hot Records
  • Limbonic Art (NOR) – Moon in the Scorpio — Nocturnal Art Productions
  • Mysticum (NOR) – In the Streams of Inferno — Full Moon Productions
  • Troll (NOR) – Drep de kristne — Head Not Found

1997

  • Thy Primordial (SWE) – Where Only the Seasons Mark the Paths of Time — Blackend Records
  • Aeternus (NOR) – Beyond the Wandering Moon — Hammerheart Records
  • Urgehal (NOR) – Arma Christi — Narcissus Records

1998

  • Carpathian Forest (NOR) – Black Shining Leather — Avantgarde Music
  • Horna (FIN) – Kohti yhdeksän nousua — Sombre Records

A obra prima audiovisual do Black Metal

Anton Naberius

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