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FRANHELL KRAMER – ONDE O ABISMO ENCONTRA A DERME

"Eu gostaria que as pessoas vissem como eu vejo e sinto o mundo. Pode até soar triste, mas é isso mesmo: eu vejo beleza no obscuro e na morte. Eu nasci e cresci na dor, então isso é o que eu conheço."

Rah Brilhante maio 1, 2026 6 min read

Com traços intensos, contrastes marcantes e uma estética profundamente ligada ao simbolismo e ao imaginário sombrio, FranHell Kramer constrói uma identidade artística que vai além da tatuagem, suas obras parecem narrativas visuais carregadas de força, misticismo e personalidade. Entre figuras femininas enigmáticas, animais ritualísticos e composições densas, seu trabalho se destaca tanto na pele quanto no papel. Recentemente,a artista expandiu ainda mais seu campo de atuação ao assinar a arte para a horda Brasileira Hecate, do Ceará, mostrando que sua linguagem visual também dialoga com o universo musical. Nesta entrevista, FranHell fala sobre suas origens, processos criativos e os caminhos que vêm moldando sua trajetória.

01 – Para começar, conta pra gente: como nasceu seu interesse pela tatuagem?

Primeiramente, quero agradecer pelo espaço e pela honra de participar de mais essa jornada dentro do mais puro e sombrio underground brasileiro.

Bom, meu interesse pela arte começou logo aos 6 anos de idade, quando eu tentava reproduzir desenhos de revistas e jornais. Meu sonho era ser estilista. Logo depois disso, passei a fazer tratamento nos olhos. Sim, sou deficiente visual. Eu passava por um estúdio de tatuagem duas a três vezes na semana e foi ali que vi aqueles caras cabeludos, de preto, cheios de tatuagens e motos. Aquilo era muito subversivo para a época, acredito que era pouco mais de meados dos anos 90. Enfim, eu fiquei hipnotizada, apontei o dedo e disse à minha mãe: “Eu quero ser igual a eles”. Para não virar uma biografia: eu cresci, aprendi a tatuar com esses caras e hoje sou do grupo da “velha guarda”, como eles. Imaginem o tabu para a época: eu, mulher, de família tradicional… não preciso nem contar o quão chocante foi. Acredito que ainda seja, pois além de tatuar, eu estudo ocultismo e o metal negro, acredito que seja o  maior  impacto tanto familiar como social também.

02-Teve algum momento decisivo que te fez escolher esse caminho?

Foi tardio, acredito que lá pelos 23 anos. Não havia mulheres na época. Hoje tenho 44 anos e as coisas mudaram muito, mas nunca esquecerei do bullying que sofri. Acredite, foi um fator indispensável na disciplina para me tornar uma artista de pele. Hoje lembramos de eventuais histórias e rimos muito; eu faço o mesmo com os novatos também kkkkkk.

02 – Seu trabalho tem uma identidade muito forte, com uma estética sombria e simbólica bem marcante. Quais são as suas principais referências dentro e fora da tatuagem?

A principal é Giger e, dentro da tattoo; vou ser clichê:  Paul Booth, entre outros. Eu me interesso por niilismo, arte macabra, romantizo a morte… sei lá, deve ser pelo fato de eu ter nascido em um luto profundo. Minha mãe ficou viúva comigo na barriga; meu pai foi tirado dela muito cedo, fora assassinado. Então, eu nunca tive festinhas e afins. Também nasci com um problema sério de visão, passei por várias cirurgias e uso grau altíssimo até hoje. Eu realmente fui uma criança frágil e “esquisita”; acho que ao longo da vida tive centenas de apelidos. Eu odiava ser menina, não era igual às gurias “normais”.

Comecei a me interessar por som extremo quando conheci uns punks doidos. Me identifiquei na hora; som e política. Sou anarco eternamente. Comecei a ouvir som escandinavo e aquilo mudou tudo; já não tinha mais medo de andar entre as pessoas. O visual e as tatuagens viraram meu escudo; acredito que isso faça sentido até hoje, e fará até eu morrer.

Eu me sentia foda com aquela “peita” do Napalm Death que tenho até hoje. Quanto mais underground fosse, mais eu mergulhava no material das bandas. Sou assim até hoje. Como sou uma canhota disléxica, sou um desastre tocando, juro que tentei ahahahaha, Então minha missão era essa mesma: mostrar nos desenhos o que as bandas obscuras mostram. O objetivo é o mesmo, só a leitura que é diferente, mas são artes que se completam, são intrínsecas.

03 – Seus traços chamam muita atenção pelo nível de detalhe e contraste. Como foi o processo de desenvolvimento desse estilo tão característico?

Realmente, esse detalhe só é bem notável por quem realmente entende e lê a arte. O contraste é justamente como eu vejo: minha visão não atinge nuances, é preto no branco ou preto na pele. Não diluo tinta, não faço contraste de paletas, detesto tatuar e desenhar colorido. Eu digo sempre que sou monocromática, até nas vestes; uso apenas preto há 30 anos.

Note que dou ênfase em deusas, e todas elas são cegas ou choram. Eu gostaria que as pessoas vissem como eu vejo e sinto o mundo. Pode até soar triste, mas é isso mesmo: eu vejo beleza no obscuro e na morte. Eu nasci e cresci na dor, então isso é o que eu conheço.

04 – Muitas das suas artes trazem figuras femininas, elementos ocultistas e animais carregados de simbolismo. O que esses temas representam dentro da sua visão artística?

Representam o quão ricas são as ordens e religiões que existem há milhares de anos. Culturas ricas em histórias e lendas fantásticas. Também é uma afronta ao catolicismo. Tenho ranço; detesto a ideia de entregar algo mastigado e doutrinar. Poxa, tem deuses que voam! Eu prefiro um deus com cabeça de lobo do que um andarilho de chinelo ahahahahha.

Meu interesse em religiões e doutrinas é justamente por isso: resolvi estudar de tudo um pouco e fazer a fusão disso visualmente, e deu certo. Eu estudo o tempo todo, minha mente não cala a boca, eu não calo a boca… às vezes fico com dó de quem tem que conviver comigo. Atualmente estou estudando astrofísica. E estou começando uma nova série de desenhos; o que posso dizer é que vem muito simbolismo, muita negação e muitas ofensas aos falsos por aí.

05 – Como funciona o seu processo criativo no dia a dia? Você prefere partir de ideias dos clientes ou gosta de ter mais liberdade para criar desenhos autorais?

Autoral sempre. Mas, claro, como qualquer tatuador, eu abro exceções, desde que estejam dentro do meu alcance. Nem tudo eu sei fazer, e nem quero.

06 – Recentemente você desenvolveu a arte para a renomada horda brasileira Hecate, do Ceará. Como surgiu esse convite e como foi participar desse projeto?

A Olindina já é amiga há anos e fui ao Ceará tatuá-la. Foi uma conexão energética, não tem como explicar em palavras. Só sei que tenho muito orgulho e me sinto honrada de fazer parte da vida dela, da banda e, agora, de estar cravada na capa desse disco.

07 – Esse trabalho com a banda foi sua primeira experiência criando arte para o universo musical? Como foi essa vivência em comparação com a tatuagem?

Já tive outros convites, mas, por divergências artísticas, não foram para frente. De fato, este é o primeiro: manual, feito com tinta e pincel. Arte bruta, real, demonstrando todo o peso do mundo a cada pincelada.

Hoje a arte está sendo banalizada pela IA e, de uma coisa, tenha certeza: vou resistir até o fim. Jamais deixarei papel, lápis, pincéis e tinta para trás. Esse é o tesão de produzir arte: com as mãos, para ser consumida com os olhos.

08 – Existe diferença no seu processo criativo ao produzir uma arte para banda/merchandising em relação a uma tatuagem?

Tem diferença, sim. Tecnicamente, no papel temos mais liberdade para colocar detalhes infinitos e formatos diversos. Na pele, detalhes pequenos demais acabam se juntando ao longo dos anos. A pele é um órgão, não esqueçamos; ela molda as linhas ao longo do tempo. Além disso, para desenhar na pele, usamos conhecimento de anatomia para encaixar os desenhos em determinadas partes do corpo.

09 – Para fechar; quais são seus próximos passos como artista? Pretende explorar ainda mais outras áreas além da tatuagem?

No momento, abri uma salinha para tatuar e ilustrar. Sinceramente, prefiro ilustrar. Acho que a idade está chegando e estou querendo ficar mais sozinha, introspectiva… a misantropia enfim chegando. Claro que, se eu for convidada mais vezes por outras bandas, será maravilhoso. Espero outros convites, pessoal!

Bom, é isso. Agradeço pelo convite de contar um pouquinho da minha história para vocês. Grande abraço.

Vida longa ao obscuro. Hail Satan!

CONHEÇA MAIS O TRABALHO DE FRANHELL KRAMER: @franhelltattoo

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Rah Brilhante

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