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CAVALO BATHORY: A CHAMA IMORTAL DO UNDERGROUND BRASILEIRO

Anton Naberius junho 19, 2026 23 min read

Com a iniciativa de fazermos um novo veículo de comunicação underground, nós viemos com algumas propostas novas para realizar matérias, seções e, por conta destas novas ideias surgiu uma que me parecia muito interessante, fazer uma entrevista por escrito como se fosse um bate papo, ao mesmo tempo que era uma entrevista. As escolhas para esse formato foram de algumas figuras que, particularmente, eu considero ilustres na cena e que mereciam uma atenção especial, que falasse sobre coisas ligadas as suas carreiras, muito mais que simplesmente (porém não desimportante) uma entrevista que tratasse de sua banda e seus trabalhos mais recentes. Era pra se aprofundar nas histórias dessa personalidade e sabermos um pouco mais o que acontece na carreira de uma artista do underground extremo nacional, um dos responsáveis pela forja de uma cena inteira assim como o legado que esse foi deixando pelo caminho… assim foi possível realizar essa entrevista levando praticamente um ano e meio conversando, longas pausas e retornos mais acelerados e temos um dos mais importantes músicos do Black Metal nacional, que marcou sua carreira na grande horda Mausoleum, Amasarak e The Black Spade além de participar efetivamente da horda Vobiscum Inferni em muitos eventos. Aqui está uma das entrevistas mais interessantes que já tive a honra de conduzir: Cavalo Bathory.

1. Saudações, meu nobre! É com muita satisfação que vos trago as páginas sangrentas deste pergaminho. Como vamos falar de biografia, para além da carreira como músico, como você iniciou nesse universo do Metal e sobretudo, do underground e do Extremo?

Cavalo Bathory: Saudações Grande A. Naberus e a todos da Lúcifer Rex! Bom, a primeira vez que ouvi um som pesado foi o Love Hurts da Nazareth num 7ep promocional que vinha nas revistas especializadas em músicas que minha Mãe comprava na época, foi através dela que conheci também Queen, e foi com ela, assistindo programas de vídeo clipes, que conheci Bandas como Motörhead, Iron Maiden, Judas Priest, ACDC, entre outros…. Em 1983 o Kiss veio ao Brasil e Eu fiquei mais ainda interessado com o estilo, para tanto pintei o meu primeiro e único visual com o rosto icônico de Gene Simons. Em 1985, aconteceu o Rock in Rio, e foi daí que uma galera do bairro começou a curtir um som, e junto a Eles descobrimos mais Bandas, em 1986, minha Mãe me presenteou sendo o meu primeiro, o LP do Iron Maiden “Somewhere in Time”, e em 1987, um camarada me apresentou uma das Bandas mais Fodas de todos os tempos, BATHORY!!! E inclusive foi por causa desta que comecei a procurar não só mais os seus trabalhos como também outras bandas Extremas da época!!! Nos anos 90, conheci uns Headbangers mais radicais ao contrário dos que conhecia no bairro, aliás todos já nem curtiam mais som…. E estes que conheci, foi na Woodstock e Galeria do Rock, a maioria estavam começando as suas bandas… Estas bandas estavam dando continuidade o que a Vulcano, Sepultura, Sarcófago, Dorsal, Anthares entre outras tinha começado, então foram surgindo bandas que hoje são “Cults” como Crucial, Execration, Desmodus Rotundus, Difamator, Guehenom, Pentacrostic, entre muitas outras e dentre Elas, estava o Crematory banda formada por Marques, Douglas (Dunga), e Marta Blasphemer…. Gravaram uma DT “Lord of Lords” e após um tempo a banda encerrou as atividades…. Eu como era Amigo de ambos e sempre estava no ensaio, fui convidado por Douglas, a fazer parte da banda que seria chamada MausoleuM e lembro que no primeiro ensaio em sua Antiga casa,dividimos o Vocal e a guitarra em um amplificador pequeno enquanto a Marta Blasphemer tocava bateria, e ao seu lado estava Felipe, filho de ambos que estava apenas com 7 ou 8 meses de idade… Este que futuramente seria guitarrista desta cultuada Horda…. E durante 10 anos que estive frente a Horda MausoleuM (1994 há 2004) como Frontbeast, Honramos a Cena Underground através de uma discografia respeitosa, como também Celebrações ao lado de Poderosas Hordas de Nossa Cena….

2. Muito importante esse seu depoimento, principalmente pelo tempo que você levou até ter contato com bandas mais extremas. Na minha adolescência era tudo muito complicado, principalmente o fator financeiro que me impediu de possuir muitas coisas do metal que desejei. Sobre esse quesito, como foi sua relação com a aquisição de materiais, visto que a maior parte dos contatos com som na época era através de lps e fitas k7 e muito do que chegava era importado custando uma fábula?

Cavalo Bathory: Poxa meu Nobre, acredito que todos Nós passamos por essa dificuldade, pois nos anos 80 e 90; não existia internet e todas estas plataformas e aplicativos de hoje que nos apresenta de bandeja milhares e milhares de Bandas de todos os continentes do mundo, e pelo fato que a fita K7 era mais cara que um LP na época, e muitas das bandas que conheci foi neste formato…. Na época, nós aqui do bairro, nos reuníamos na casa de um camarada que tinha um aparelho de som 3 em 1, e lá ouvíamos além dos Lps, muito material em tape que tínhamos disponível na época, e por sorte, esse camarada tinha um parente mais velho (primo ou tio), que curtia Metal e sempre estava comprando Lps, e este nosso camarada aproveitava para gravar os Lps, foi através dele que conheci muitas Bandas, inclusive o Poderoso Bathory!!!! Quanto as minhas aquisições, eu só consegui mesmo tê-las em meu primeiro salário, lembro que meus primeiros LPs foram das bandas Venom, Slayer, Metallica, Manowar, Sepultura, Possessed, Dark Angel, Anthares, Vulcano, Sarcófago e Sodom, Kreator, Destruction, Rvnning Wild, Celtic Frost (todos pelo Selo da Woodstock Discos), era o início musical e extremo para mim… Já os Importados, é uma outra História, inclusive não muito agradável…

3. De fato, os anos 80, talvez a maior graça tenha sido essa dificuldade, ao passo que as histórias nossas são bem similares, porque passávamos pelas mesmas dificuldades e aqui pra nós do Nordeste era um pouco maior. Mas você falou da desagradável experiencia com os importados, compartilhe conosco dessas histórias, uma quem sabe?

Cavalo Bathory: Então meu Nobre, os discos importados sempre foram caros, não como hoje que além de absurdamente caros, esses lojistas que mais parecem “sionistas”, se aproveitam da situação em cobram o dobro do valor…. É complicado demais isso, principalmente para Nós cultuadores de Lps…. Mas, sobre a sua questão é que eu tenho um Irmão, no qual nunca me deu bem com Ele desde sempre, e houve uma época que o cara começou a ouvir um som incentivado por mim, e após um tempo, tivemos a ideia de comprarmos Lps importados juntos, e isso meio que nos ajudou, pois sempre dividíamos o valor…. Porém, o cara foi apenas um ser de momento dentro da Cena, e em uma de nossas discussões, esse arrombado aproveitou uma situação em que eu não estava, e o desgraçado foi e pegou todos os Lps que tínhamos comprado juntos e saiu vendendo, inclusive alguns meus…. Caralho!!!! Fiquei muito puto e nem de 100% que esse cara vendeu, se consegui resgatar os Lps nem chega nem a 10%…. E passado todo esse pesadelo praticado por esse pilantra invejoso do Caralho, quase 20 anos depois, quando eu estava na Amazarak, em 2010, se não me engano, fomos tocar em um estado, e lá encontrei um cara que morava aqui em SP…. O mesmo me convidou para ir em sua casa, chegando lá, o cara chega e me solta: ” lembra desses Lps aqui Cavalo?”…. Mano! Na hora que Eu vi, Eu peguei um dos Lps e na parte de dentro da capa, logo na beirada, tinha as iniciais “A e C”, a inicial do nome do ripp off do meu Irmão e o meu de Carlos… Ou Cavalo, e falei isso pro cara e expliquei a situação, o mesmo ficou sem graça, dizendo que não sabia, e pedi pra ir embora dali, pois fiquei muito Puto, e a maioria dos Lps, estava tudo na casa desse cara…. É foda…

4. Passei por algo muito próximo disso na minha adolescencia, tinha um amigo que começamos ouvir som juntos e dividíamos as despesas para comprar discos, depois ele deixou de lado e eu fiquei com tudo. Mas seguindo nossa jornada, nos anos 1990, se solidificou muito a cena underground e cada novo suspiro surgiam novas camadas das bandas extremas e os rótulos, como você lidou com essa profusão de subestilos como gore, splatter, gothic, dark, ambient, avantgarde, symphonic etc. etc…?

 Cavalo Bathory: Ah, você teve Sorte ao contrário de mim…. Rsrsrs, o importante que apesar desta primeira de muitas decepções, não me abalou e estou até hoje como Você ostentando essa Chama que Queima na Alma!!!! Quanto a sua questão, bom , muitos subgêneros apareceram e inclusive aqui no Brasil, creio que chegaram até aí não muito atrasado, já que a Internet ainda estava para surgir, mas com estes subgêneros, muitas Bandas de muitos estilos apareceram, algumas interessantes outras nem tantos, porém, o Metal esteve alí… Sinceramente, acho que os únicos estilos que nunca aceitei foram essa merda de New Metal e essa Praga cristã que tenta a qualquer custo ganhar força dentro do Underground com seu subgênero “unblack” do já hipócrita estilo White Merdal!!! Tirando essas duas merdas, os outros estilos como Vc citou são bem-vindos, apesar que minhas preferências sempre foram desde o Velho e Marginal Rock and Roll, passando pelo Heavy, Speed, Power (Old), Thrash, Death, Extremo Black Metal!!!!

5. Como já chegamos nos anos 1990, creio que foi nessa década que você iniciou sua carreira como vocalista, correto? Sendo ou não, como foi o início de tudo, foi com a Mausoleum ou houve outra (s) banda (s) antes de tudo isso acontecer?

Cavalo Bathory: A Banda Crematory estava em seu início, e eu era muito Amigo do Vocalista Marques, e sempre que podia acompanhava os ensaios da Banda, inclusive sempre fazia umas jams junto a Eles, lembro que tirávamos Hórus Agressor e Massacra da Hellhammer e Dethroned Emperor do Celtic Frost…. Inclusive assim como a Crematory, muitas outras Bandas estavam surgindo como o poderoso Crucial a Cult Band Erebo, e as lendárias Difamator, Execration, Desmondus Rothundus…. Foi uma época de ouro da Segunda escola (digamos assim), do Metal Extremo, já que as bandas que nos influenciaram tinham mudado os seus sons… A Crematory gravou sua DT oficial Lords of Lords e após algum tempo, encerrou as suas atividades…. Foi quando Douglas e Marta Blasphemer ansiando por continuarem os seus envolvimentos com a Música Extrema, me convidaram para fazer um ensaio…. Não lembro bem a data se foi em dezembro de 1993 ou o começo de 1994…. Mas lembro que a Marta tocou numa Bateria de marca Pinguim (acho e ela possui essa bateria até os dias de hoje), e Douglas e Eu estávamos dividindo a sua Guitarra e o meu Vocal em um amplificador pequeno…. Tocamos dois sons próprios, sendo Condemned to Death, e acho que Malign Souls, e três covers sendo, Gates of Nanna (Beherit), um som da Demo Land of Frost da Dark Throne e um Som da DT da Rotting Christ…. Alí dávamos o início ao surgimento de uma das Bandas mais importantes para com o Nosso Underground…. Chamada MausoleuM!!!

E uma observação: Felipe que atualmente tornou se o guitarrista da MausoleuM, tinha acho que 8 meses de vida e estava num carrinho acompanhando o ensaio…. Rsrsrsrsrsrs, o destino dele já era predestinado, pois desde sempre este fora membro da Horda!!!!

6. Com esse início com a horda Mausoleum, como foram os primeiros movimentos da banda, shows, lançamentos e a vida no underground. É de conhecimento amplo das pessoas que circulam no underground a resistência que a banda teve em lançar álbuns por um bom tempo, fale um pouco sobre sua participação na banda e quando essa relação começou a terminar?

Cavalo Bathory: Cara, foi algo muito foda e até nostálgico lembrar o início, pois apesar de já passar trinta e um anos quase dois, parece que foi ontem, quando a Mausoleum iniciou as suas atividades…. E como já disse, nosso primeiro ensaio foi na própria casa, onde moravam, e eu e o Douglas dividíamos um amplificador pequeno para a guitarra e vocal, enquanto Marta Blasphemer, usava a sua bateria de marca Pinguim, (creio que ela tenha até hoje essa bateria), Felipe, o primogênito deles (Marta e Douglas), tinha entre 6 ou 8 meses, e jamais iria imaginar que um dia Ele (Felipe) fosse se tornar guitarrista da mesma. O início, como sempre, nunca foi fácil, mas a força de vontade de todos Nós, era Grande…. Lembro que passaram muitas pessoas que não vingaram na Horda Mausoleum, mas passaram pessoas importantíssimas que fizeram e fazem parte da história desta Cult Horda…. Gravamos nossa primeira demo ensaio intitulada Malign Souls (1996), e que, apesar de ser uma Reh, foi muito bem aceita…. Fizemos uma apresentação fechada para a divulgação desta DR, mais para os amigos e os que sempre apoiaram a Mausoleum, e os poucos que estavam presentes se impressionaram com nossa apresentação… Isso nos motivou a compor mais sons, e na época eu já tinha muitas letras como também, sempre estava escrevendo sobre muitos temas, desde Guerras Épicas, Culto a Noite e a Morte, Licantropia…. Nesta época, R. Sorcerer ( Baixista da Unholy Flames-BH), chegou a dar um Suporte para a Mausoleum no qual ficou por um bom tempo tocando conosco, e creio que chegou a tocar em dois eventos fechados como o primeiro quando divulgamos o primeiro trabalho, e em 1998, lançamos a Demo Reh” Hymn of War”, no qual apresenta um trabalho mais coeso, mais maduro e inclusive é deste trabalho que a Mausoleum apresenta o seu estilo, um Black Metal Tradicional mesclado com a Escola oitentista, mas com algo da atualidade para época, que no caso foi a escola Grega, como Varathron, Rotting Christ…. Porém, sem perder as suas características e firmar o seu estilo próprio de tocar, foi deste segundo trabalho que a Mausoleum começou a chamar mais a atenção…. E inclusive, novamente, fizemos outras celebrações fechadas aqui em SP e em BH, tanto que foi daí que começamos a ter uma Amizade muito foda com as Bandas da Época de BH, especialmente a Unholy Flames, Defacer, Imperial Lúcifer… E com isso, chegamos a sair em uma compilação por um selo mineiro, onde além de nós e outras Bandas Brasileiras, também tinham Bandas gringas….

Foi quando em 1999, e com a formação estabilizada, pois no baixo estava o Grande W. Shipanski ( Shipanski/ Necrosound), resolvemos fazer um show aberto no Bar do Baal, antigo e Cult bar de Rock situado na região da Extrema Zonal Sul da Capital Paulista, e este show foi memorável, pois além de nós tocaram também: Regnvm Vmbra Ignis, Kaziklu Bey e Diabolous Obscenous… E foi daí que todos que ali presenciaram nossa apresentação, não só apreciaram, como também foi deste show, que muitos convites foram aparecendo…. Se não me engano foi na mesma época, porém lançando somente em 2000, a nossa participação na compilação Southern Warriors Cult vol. I, pelo selo S.W. C. e nesta compilação foi gravada duas faixas: BESTIAL MASSACRE (versão para esta compilação), e RITUAIS PROFANOS AO REINO PAGÃO, este que era obrigatório tocar todos os shows em que a Mausoleum participou…. Inclusive, o ano de 2000 foi muito importante,  pois foi o início de muitos shows importantes, como ter dividido o palco com As The Shadows Fall, Bestymator, Ayperos, Evil War, Mithological Cold Towers, Miasthenia, entre muitas outras pelo qual fizeram História não só para Nós mas ao Underground… No mesmo ano, gravamos nossa primeira Demo Tape Oficial intitulada O retorno à Batalha, neste , formação continha além de W. Shipanski, nosso Grande Irmão M. Cérberus das Lendárias Difamator, Intoctum, e este contribuiu  as suas composições dentro da Horda junto ao Douglas, e até então, um dos melhores trabalhos já lançados. As apresentações continuavam, muitos pelo interior Paulista e alguns em BH, meio que BH era nossa segunda Terra Matter, pois era uma Honra, não somente pela Grande Irmandade que tínhamos no qual sempre nos recepcionava e muito bem, mas porque nos sentíamos em Casa …. Salve a Terra das Montanhas, das Alterosas Terras do Metal da Morte!!!!

Em 2001, gravamos o 4way Split LP pelo Selo S. W. C., e foi a realização de um segundo sonho para mim, já que o primeiro foi de ter uma Banda … E neste segundo sonho realizado de ter um trabalho em formato LP … PQP!!!! Lembro que quando peguei em mãos fiquei admirando a capa, a contracapa, o encarte…. E ouvindo faixa por faixa de cada Banda, neste trabalho, estávamos além de nós, Bestymator, Ayperos e Kaziklu Bey… E lembro que o lançamento deste 4way Split foi em um sítio onde as 4 bandas se apresentaram de forma majestosa….. Tempos bons que jamais serão superados….

Entre os anos de 2002 e 2003, estávamos sempre tocando em alguns Festivais, maioria no interior de São Paulo, não lembro a época, mas W. Shipanski tinha deixado a Horda e em seu lugar no baixo, entrou E. Von Labarth…. Acho que foi em 2003, pois lembro que chegamos a tocar em Goiânia, ao lado do Poderoso Vultos Vocíferos, Miasthenia, Sheol…. E tocamos sem baixista inclusive, mesmo assim, foi uma apresentação muito foda…. Também foi a época quando estávamos começando a compor sons para o primeiro Full Álbum, no qual iria ser conhecido como 10 ANOS DE BESTIAL MASSACRE, e seria lançado de forma Independente…

Este álbum, se tornou um marco para o Underground, contendo sons próprios e dois tributos em Homenagem a uma Grande Influência da Horda Mausoleum, com as faixas Witch Sabbat e Total Destruição (VULCANO), o álbum foi lançado em versão LP Preto e versão LP Vermelho, sendo muito bem aceito e tornando-se item de colecionador.

Porém, como toda Banda, sempre há seus altos e baixos, desentendimentos entre outras coisas… Eu já estava na Banda há 10 anos, e tinha muitas músicas e composições, mas as ideias entre Eu e Douglas, já não era mais a mesma e infelizmente, acabei saindo da Banda…. De qualquer forma, os últimos shows que fiz, parece que foram os mais foda enquanto fui o Frontbeast, sendo eles em Contagem- MG, se não me engano, Cerquilho -SP e aqui na Capital-SP, sendo este o meu último show frente a Mausoleum…. Após isso, passados dois meses, deixei a Banda…. Foi algo muito triste para mim, mas não tinha como continuar…. E sim, não saí de forma pacífica e inclusive, ficamos anos sem se falar….

De qualquer forma, nada como o tempo para amadurecer as ideias, e foi isso que aconteceu em 2019, o próprio Douglas entrou em contato comigo para fazer uma participação em show comemorativo de 25 anos de Horda e com muita Honra participei tocando dois Sons, sendo REVERENCIAÇÃO DOS FILHOS MÓRBIDOS À DEUSA HÉCATE, E RITUAIS PROFANOS AO REINO PAGÃO, esta celebração foi muito importante e a Mausoleum estava dividindo o palco com a Lenda Varathron!!!! Após isso, como nos velhos tempos, Douglas organizou um Fest fechado onde além de Mausoleum, tocou a The Black Spade, Abismo e Defacer, e mais uma vez fiz uma participação ao lado deles, e foi muito honroso… E claro, na última edição do Brazilian Ritual, que inclusive, você (Anton Naberius) estava presente, a Mausoleum fez a sua última apresentação, encerrando as  atividades, e mais uma vez a convite da Horda, fiz uma pequena porém importantíssima apresentação… Fechando assim de  vez este Ciclo….

O que posso dizer sobre tudo isso…. Agradeço imensamente por ter feito parte desta História, mesmo em situações citadas aqui no qual fora uma época negativa, mas que não teve forças para apagar essa história no qual fiz parte da Horda e a Horda fez parte de mim, até os dias de hoje…. Agradeço ao Douglas, Marta Blasphemer, Mário Cérberus, Wagner Shipanski, Pedro B. Wolf, Ricardo Sorcerer, Morpheus, Felipe Mojo, Evandro Von Labarth, Lene Lâmia e a todos que fizeram parte desta História … Pois o que fizemos e fazemos sempre irá e ecoar por toda a Eternidade, Ppassado… Presente…. Eternamente!!!!!

7. Cara, essa história toda é muito forte, esses anos todos dentro de uma horda emblemática para a cena e para as vivencias pessoais dos músicos integrantes dela como você foi, são indescritíveis. Tive a honra de ver esse encerramento e foi de fato, um dos festivais mais importantes que presenciei na minha trajetória do underground. Diante desse histórico, você sai da Mausoleum e diz ter muitas composições prontas, onde foram empregadas essas energias obscuras?

Cavalo Bathory: Meu Nobre Frater, muito Obrigado pelas palavras, realmente esta última Celebração da Horda Mausoleum, fechou com Chave de Ouro, e me sinto muito Honrado por ter feito parte desde o início, e mesmo com a minha saída, e após alguns anos ter retornado a convite de Douglas e Marta, para fazer duas participações importantes, sendo a última de Extrema Importância, não só para a Banda, e só Underground Mundial, mas as Nossas Vidas, isso é algo muito Pessoal, sem dúvidas… É algo Ímpar!!! E sim, tenho muitas composições, sendo algumas já utilizadas (reescritas), para a Impura Legião de Amazarak, e atualmente na Falange The Black Spade, tanto que a música Hino á Wallachia é de época, quando ainda era Front Beast da Mausoleum… E acredite, tenho letras e até alguns Sons que fiz, estas que foram lapidadas com o tempo para serem usadas atualmente, sejam na The Black Spade ou na Amazarak ou em até Projetos Futuros…. Deixemos Fluir.

8. Aproveitando que falou sobre as duas hordas e suas composições, conte-nos um pouco sobre o histórico dessas bandas, creio que o Amazarak seja mais antigo, pelo menos na discografia, pois não?

Cavalo Bathory: Amazarak se deu em 1999… Eu mesmo achava que a mesma era de 1997, por conta da primeira Banda do K. Profano chamada “Black Mantle”, e no início a Amazarak se chamava “Mandrágora”; mudando o nome em 2001 após gravarem sua primeira demo chamada ” Officinarvm”. Eu entrei na mesma em 2005, e no terceiro ensaio, estávamos gravando a demo “Comando Blasfêmia”; neste trabalho, pude contribuir com uma letra minha chamada “Sangue Manchado no Trono de deus”, já no Full “Ascensão do Anticristo”, fiz a letra e o som que leva o título do álbum, como também algumas letras junto ao T. Anduscias que foi responsável pela maioria dos Sons junto ao K. Profano… Assim como no Split 7 EP de 2017 “No Reino da Feitiçaria” com os Grandes Irmãos da Horda Velho, pelo qual Eu já não estava mais como Front Beast da Amazarak, e inclusive, já estava em atividade com a Falange, e gravando o EP “Sangvis Et Honor” de 2018. E em 2022, retornando a Impura Legião, gravamos o EP “Impuro Armagedom”, no qual este Som é de 2005, da época do “Comando Blasfêmia”.

Uma curiosidade, pois creio que muitos não saibam, o som ‘It’s The End” é um Som que está no EP  “Sangvis Et Honor” da The Black Spade, mas que já foi ensaiada pela Amazarak, e no Full “… E do Fim, se faz o Início… “, o Som “The Magick Bullet”, fora composta por T. Anduscias, e a Amazarak, também chegou a ensaiá-la, mas como o Som é muito diferente do que a Impura Legião, está acostumada a tocar, ao sair, pedi ao Anduscias este Som e junto a Música “It’s The End”, levei para a The Black Spade.

Desde pequeno, gostava de escrever, e em muitas vezes, eram mais desabafos, devido a galera da escola que sempre me tiravam pra caralho, e tinha receio sobre a opinião de minha Família, devido a criação “antiga” deles… Essa tiração, hj conhecida como Bullying, e que no caso, meus Pais e Avós, chamavam esta palavra de “Bulinar”! Então, cresci com isso de escrever o que sentia, e em sua maioria, eram desabafos de tristezas, solidão, ódio!… Isso de certa forma com o tempo, foi moldando me como letrista, e sempre que posso, desde sempre, escrevo algumas frases, e destas, as transformo em algo… Ou quando tenho Sonhos, visões, escuto Sussurros, experiências do outro lado…. São o que me inspiram a Manifestar o que a Alma pede.

Quanto as Músicas, bem, na Mausoleum por exemplo, creio que umas quatro, eu tenha criado e foi tipo “cantarolando” enquanto os músicos na época, iam pegando as notas em suas guitarras e baixo, lapidando as… Na Amazarak, foi a Música “Ascensão do Anticristo”… E claro na The Black Spade, em sua Maioria, as músicas da época da “Condessa Sangrenta”, são de minha autoria, já as mais recentes, são de E. Soulreaper, T. Aversvs, R. Maniac Hammer, C. Est Von Avr e recentemente com um novo Som para nosso futuro trabalho, W. Infernvm! Grandes Músicos da PHALANX BLACK METAL!!!!

9. Considerando todo esse tempo de estrada e de experiencias com todos esses históricos de bandas e atuação na cena underground, como você avalia a atualidade em termos gerais e como você se vê como agente dessa construção, desse legado, você acredita que temos uma nova geração de headbangers se desenvolvendo ou vê como uma arte envelhecida com apreciadores envelhecidos?

Cavalo Bathory: Muitos de Nós, já fomos jovens dentro da Cena, e muitos, antes de nós, não nos aceitavam, devido ao Radicalismo na época, e que se tornou estúpido no final dos anos 80 e décadas de 90 e 2000…

Confesso SIM, que já intimei alguns mais novos que Eu, assim como JÁ FUI intimado pela primeira vez, quanto estive com o visual do Sodom “In The Sign of Evil”; (tenho esse Visual até hoje!); porém, nunca me tomaram, como também nunca tomei nada de ninguém, e as “minhas encrencas”, sempre foram por um outro motivo.  Com o tempo fui observando, aprendendo e absorvendo uma filosofia que sigo até os dias de hoje, que é o “Radicalismo Consciente”, totalmente ao contrário deste Radicalismo deturpado ao extremo, copiado descaradamente da Cena Norueguesa… E destes que ostentavam tal ideia, me afastei, outros, saí na porrada sem dó, e aqui estou lhe respondendo esta entrevista. E pergunto, a onde estão estes “radicais ao extremo”? O tempo se encarregou destes, e o tempo mostrou inúmeras manifestações, evoluindo a Cena em sua faca de dois gumes, pois sempre houve os dois lados, basta ver o qual é o sensato para você, e segui-lo sem olhar para trás. Nós que somos da Velha Guarda, passamos e ainda “passamos” por muitas coisas, inclusive até pessoais, porém, nunca desistimos de nosso Ideal, somos os Últimos Evoluídos, pois a maioria, nem estão mais nessa caminhada e os que “persistem inutilmente”, são os Zumbis parados no tempo, os parasitas que não apoiam em nada ao Underground, os mendigos em portas de show, os radicais enfeita pavão… A Lista é imensa…, mas nós (Eu, Você e muitos dentro do Underground, que iniciaram e carregam esta Chama que adquirimos pela Cena), estamos em constante movimento, ativos e manifestando nossa Arte Obscura através da Música Extrema!!! Claro, que nos dias atuais, estas manifestações registradas estão mais fáceis em sua divulgação pelo mundo, graças as plataformas digitais, e acredito, a maioria que escuta os nossos Sons, além de alguns já velhos, são os Jovens, que assim como Nós no passado, se identificou com o Metal, pois lhe garanto e não estou generalizando, tem muito cara das antigas que, prefere pagar pra tomar uma pinga, mas não compra o CD de uma Banda por achar caro, enquanto que esta geração nova que além de usufruir destas plataformas digitais, Eles compram o CD, o material da Banda, e digo isso porque todas as vezes quando estou na Mutilation do Grande Amigo Tullula “The Big Boss”, sempre entram muitos Jovens na loja e compram muitos Cds e camisas e inclusive, já vi comprando Cds da The Black Spade e Amazarak… E aí, vem a pergunta, vou fazer o mesmo que aqueles mais Velhos que Eu; (aliás, não estão mais na Cena, porque ou já foram pra Vala ou viraram evangélicos); e vou intimá-los ou passar conhecimento a estes jovens? Prefiro passar o Conhecimento e no demais, eles que busquem a Sabedoria, pois é o sensato a se fazer… Nós somos os Últimos de nossa Geração… E não podemos deixar essa Chama se apagar ou se perder…. Esta será digna a quem merece, mas pelos Ventos do Tempo….

10. Sensacional esse depoimento, apesar de eu ter uma sensação um pouco diferente, eu acredito que o publico e os artistas ligados ao metal tem envelhecido e se renovado pouco, inclusive acho a nova geração muito distante da cultura Metal como ela foi construída, ou seja, eu acredito que esse legado tenha poucos herdeiros, eu tenho uma visão um tanto pessimista sobre a nova geração. Antes de tudo, quero agradecer muito por sua disponibilidade de aderir a esse formato de entrevista e que tenha durado por tanto tempo diante de tantas pausas, mas foi uma experiência muito satisfatória pra nós e que essa chama nunca se extinga… No mais quero desejar sucesso em sua jornada e êxito em seus projetos mais obscuros, deixo esse espaço final para o que você quiser proliferar.

Cavalo Bathory: Eu entendo perfeitamente a sua visão e sentimento sobre esta nova geração, mas entenda que, antes de Nós existia uma outra geração, e antes destes outra geração, assim como as suas culturas de época, e depois Nós e a nossa Cultura, que sem dúvidas, foi a mais Radical de todas as épocas juntas, inclusive, foi através deste Radicalismo, que Eu, Vc e tantos outros “Sobreviventes” do passado, fomos moldados e ainda continuamos na ativa, carregando essa Essência, esta Chama pelo Verdadeiro Underground. Quanto a esta nova geração e a sua Cultura, no qual eu mesmo demorei um pouco a me adaptar; (refiro-me aos meios de comunicação e a sua forma de divulgação); mas atualmente, vejo de uma outra forma, pois se não fosse por isso, um Hellbanger ou Hellgirl do outro lado do Velho Mundo, não estaria conhecendo o nosso trabalho. E esta nova geração, claro, tiveram essa vantagem de, em sua maioria conhecerem bandas através destas divulgações da forma mais fácil, ao contrário de nós em nossa Época…

Mas, como Eu sempre disse e vou dizer até o final de minha Vida, nada como o tempo para mostrar e “peneirar” quem é Digno de estar caminhando nessa Cena, pois sempre foi assim!!! E no meu caso, eu apoio e incentivo quem realmente mereça, seja alguém de minha época ou estes e estas que darão a continuidade de todos Nós.

Para finalizar meu Querido e Nobre Frater, agradeço e muito por este tempo muito precioso, pois cada palavra aqui escrita foi sincera, a cada ideia aqui trocada, foi de muita importância e satisfatória, e sou muito grato por isso, em poder manifestar um pouco de meus pensamentos e visões que tenho nesta minha longa jornada até então. Obrigado pelo seu apoio aos meus Almejos concluídos e conquistados, e desejo o mesmo a ti e as suas Poderosas Manifestações através da Música Extrema!!! E um Grande Salve as Hordas Eternal Darkness, Ocultan, Catacomb Voices, Necrosound, Necrogosto, Necrosound, Labar Oculto, Hinarivm, Justabelli, Satanatos, Vvlthvm, Vobiscvm Inferni, Clenched Fist, Mørk Wisdom, Blasphemaniac, Iron Bastard, Nihillivm, Mortem Solis, Mätädor, Mäcabro, Sculpture, Abjeto, Sadokult, Mortal Profecia, Spiritual Hate, aos Aliados da Impura Legião de Amazarak e aos Fraterers da Falange The Black Spade!!! Sangvis Et Honor Semper!!! L.E.E.P.G.É.M.!!! V.C.F.

 

Anton Naberius

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