O CHAOS SYNOPSIS foi formado em 2005, no interior de São Paulo, e desde então segue destruindo tímpanos desavisados com um Thrash Death Metal direto e insano sem mudar o direcionamento musical, lançou materiais muito bons ao longo destas mais de duas décadas.
01.CHAOS SYNOPSIS já é um nome de peso na cena, e do lançamento da primeira demo “Garden of Forgotten Shadows” já se vão 2 décadas de Thrash Death Metal. Fazendo uma analogia destas mais de 2 décadas e a banda continua a ideia inicial, fazer Metal Old direto e reto, o que mudou de 2005 para hoje, 2026?
Friggi: O estilo padrão da banda não mudou em nada, mas a gente sempre inclui algumas coisas novas a cada álbum, mas são arranjos individuais de cada instrumento. O tempo passa e a gente adquire experiência e maturidade para compor e arranjar as músicas. Então a mudança vem aí, na própria evolução como músicos e principalmente na mentalidade de produção musical, pensando na música e álbum como um todo. Eu trabalho há anos como produtor musical, não só de rock/metal, mas já trabalhei com diversos estilos, então a cabeça começa a pensar de maneira diferente.
02.Da primeira formação somente Jairo e Friggi continuam, e recente fiquei a saber que vocês relançaram a “Garden of Forgotten Shadows”, o que está trouxe de novidade e o valor desta demo para a banda, pergunto pelo simples fato de ser um CD Demo totalmente underground em todos os sentidos de divulgação.
Friggi: Primeiramente, esta demo de 2006 tem um valor sentimental muito grande pra mim e para o Jairo. Além de ser o primeiro registro oficial da banda, também foi a nossa primeira experiência em estúdio, tem toda aquela questão de novidade na vida e que depois se tornou comum. Foi um lançamento muito bom na época, se tratando de uma banda nova, sem muito conhecimento da cena por sermos muito jovens, sem saber como trabalhar um lançamento, etc., mas tivemos um ótimo resultado pra época. E as novidades estão na capa, na sonoridade da produção e em alguns arranjos, que tudo traz a roupagem que a banda foi adquirindo ao longo dos anos. Por enquanto fizemos o lançamento somente digital, mas como somos uma banda que gosta de lançar material físico, tanto em CD quanto em Vinil, logo deve sair uma edição especial para os fãs.
03.Ei mah, em 2008 o selo Visceral Vomit Records (Costa Rica) lançou Garden of Forgotten Shadows em versão tape, limitada em 66 cópias. Como se deu os tramites para este fato? Pergunto por causa das dificuldades da época…
Jairo: Na época, eu tinha contato com muita gente através do MySpace, enviava mensagem para todos os selos possíveis no mundo todo, sempre atrás de conseguir distribuição. Aí rolou este lançamento em K7 pela Viceral Vomit, que teve até uma arte diferente feita pelo próprio selo.
04.Ja em 2009 é divulgado o lançamento do primeiro CD full com o título de “Kvlt ov Dementia”, este que já trazia uma capa com temática forte pra época…, este também foi relançado em formato vinyl em 2019. Qual o significado deste primeiro full pra banda? Este que também marcou o início do primeiro tour fora do Brasil.
Friggi: Assim como na demo em 2006, o primeiro álbum também trouxe muitas novas experiências pra gente. Já com a bagagem de shows maiores, aberturas de shows com bandas grandes, já com um certo nome na cena, então entramos em estúdio com uma responsabilidade maior. Mas foi tudo incrível, curtimos cada momento (e fazemos isso até hoje). Depois disso veio a primeira turnê na Europa, que foi justamente pelo lançamento deste álbum lá, pela Psycho Records da Polônia. Com a volta do interesse pelo vinil no mercado e a volta da produção no Brasil, decidimos lançar em 2019, que foi o nosso primeiro lançamento neste formato. A capa, feita pelo Rafael Tavares, é bem agressiva, sempre chama muita atenção até hoje.
05.Cada CD da banda há uma temática base, mas sempre voltado pra agressividade, o quarto disco, com o título de “Gods of Chaos”, lançado em 2017 este já busca falar de deuses do caos, guerra e destruição, figuras mitológicas, como se deu todo o processo criativo para este álbum?
Jairo: Logo após o terceiro álbum “Seasons of Red”, a gente lançou um Split com a banda polonesa Terrordome, onde gravamos duas músicas inéditas e um cover. A música Serpent of the Nile foi escrita para o deus Apep, deus egípcio do Caos. A partir daí fez todo sentido um álbum que levasse a fundo como tema o nome da banda.
06.Como é composto o setlist da banda nos shows? E aproveitando, como está a agenda da banda para 2026, alguma tour gringa em mente?
Friggi: A gente fez uma turnê pelo nordeste e também tocamos no Bangers Open Air logo em seguida, então demos uma “reformulada” no set list para este ano. Incluímos a música Corona Virus que foi lançada em abril de 2020 e a 2100AD que é do primeiro álbum. A gente está colocando todas as fases da banda no show e as escolhas das músicas e a sequência delas é baseada na energia de cada uma, sempre pensando em “animar” a galera. Por mais que sejamos uma banda que tem muita coisa de death metal, ao vivo a gente entrega uma experiência mais puxada para o Thrash e com uma energia Rock and Roll, algo pra cima. Agora em 2026 temos alguns shows pontuais e também uma turnê com o Six Feet Under, que passará por Belo Horizonte, São Paulo, Limeira e Curitiba. Bom, nós estamos compondo um novo álbum e o lançamento sempre é feito com uma turnê européia, então aguardem novidades hahahaha
07.O trampo mais recente é o já citado “Unforgotten Shadows”, lançado em formato digital, aproveitando o gancho, qual o valor/diferencial a banda vê entre a versão física e a digital? Sendo que no BR o digital/streaming ajuda muito a divulgar o som da banda pra fora do BR.
Friggi: Eu acho que um complementa o outro e eu vejo como coisas diferentes. O trabalho nas redes sociais e o streaming hoje em dia é inevitável e ajuda muito na divulgação e no crescimento da banda pelo mundo todo. Nós somos uma banda que gosta de estar na estrada, que gosta de lançar material físico, e aí entra o diferencial da internet: a vida real. A gente sempre vende muito material nos shows e turnês, e isso é além de rede social e streaming.
08.Mah, Jairo e Friggi durante algumas apresentações também fizeram parte de uma das bandas que curto muito o som, o WISDOM, Black Metal do Paraguay (ficou estranho né, a 5ª série gritando, risos), comente como se deu esta experiência e também a mudança de estilo saindo do Thrash/Death para o Black Metal, houve alguma dificuldade de adaptação ou foi tudo natural?
Friggi: Os Wisdom são os nossos irmãos do Paraguay (continuei a piada hahaha). Os primeiros shows na época do Kvlt ov Dementia foram com eles durante uma turnê no Brasil, viajamos juntos com eles e o Ophiolatry na mesma van e foi incrível! Após isso, eles nos levaram pra tocar no Paraguay e eu já vinha fazendo participações em alguns shows com eles aqui e lá. Aí quando rolou este show deles no Brasil, foi algo bem natural que eu fizesse a bateria e o Jairo, já que eles estavam tendo problemas com a formação. Não tivemos nenhuma dificuldade, a gente ensaiou bem antes e foi muito massa. No ano passado eles fizeram uma turnê grande pelo Brasil, e no último show em SP eu novamente fiz a minha participação especial de sempre na música Behold the Beast of the South.
09.“É difícil viver de música no Brasil”, esta foi a chamada de uma matéria/entrevista em 2016 com a banda, uma década se passou, vocês ainda têm a mesma afirmativa?
Friggi: Sim. Viver de uma banda Underground em todo o mundo é difícil. Eu vivo da música, mas não exclusivamente do Chaos Synopsis, trabalho com produções, vídeos, social media e técnico para outras bandas, e também toco guitarra na banda Debrix.
10.Friggi, você tocou com o Attomica, essa experiência se deu quando no retorno da banda ou foi somente live session?
Friggi: A banda decidiu voltar em 2008 mais ou menos com a formação original, porém o Mário decidiu não continuar e aí eu entrei como membro oficial. Em 2012 a gente lançou o Attomica 4. Foi uma excelente experiência pra mim, fizemos vários shows pelo Brasil, México e EUA. Eu saí em 2015.
11.Friggi, meu amigo de longas datas, a clássica, o que podemos esperar do Chaos Synipsis para esta metade de 2026 (e início de 2027) e, agradeço imensamente o tempo cedido…, desejo supremas vitória$ ao Chaos Synopsis, espaço para algo mais que queiram relatar.
Friggi: Cara, foi muito bom responder a esta entrevista e nos falar novamente, você foi muito importante pra gente! Nós que temos que agradecer! A gente está trabalhando em um novo álbum, temos alguns shows pelo Brasil ainda em 2026 e pro ano que vem teremos muitas novidades grandes! No mais, nos acompanhem nas redes sociais! Abraço!
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