Primeiro de tudo, quando você ouve o nome da banda carioca “Sangue de Bode” logo remete a algo estranhamente atrativo, os mais olds vão entender bem a direta, lembro de quando vi a capa do “A Sombra Que Me Acompanhava Era a Mesma do Diabo” (CD 2020) já foi um misto de curiosidade e aflição, uma arte conturbadora, agonizante e significativa sem precisar de muito, e ai em seguida recebi o “Eu Sou a Derrota” (CD 2024) este já com uma capa mais enigmática e que remetia as artes de bandas Doom Metal (paixão à primeira vista, risos), e agora com este “O Funeral de Tudo” novamente uma arte enigmática e atrativa, mostrando a total atenção e completitude da arte em si.
O Funeral de Tudo não traz novidades, mas traz um Sangue de Bode mais coeso com as pitadas sarcásticas, niilistas e diretas e reforçando a veia death/black mas com partes doom, grindcore, heavy e até algo de groove e stooner, um misto inteligente que tem bons resultados e unidos a vocais cantados em português o transformam em uma trilho sonora de terror.
Este trillher de O Funeral de Tudo é composto por 8 sons portentosos, diretos, macabros que funcionam muito bem, um destaque especial vai para a performance de Verme, sua dosagem de personalidade e atitude nos vocais, domínio no controle de vibrato e tons, Sinuê tem o domínio do ataque brutal dos blast beats ritualísticos, as guitarras frias e cortantes ficam a cargo do maestro da precisão Nekrose, e o Zé do bass que trouxe a morbidez necessária para mostra a intensidade do som extremo que é o Sangue de Bode.
01. “Quase Fantasma”, uma pré-intro que logo vira um ataque brutal de riffs velozes.
02. “Máxima Miséria”, aquele deathão veloz e direto, digno de um sr. Torcicolo.
03. “O Mundo Acabou E O Novo Mundo Também”, a faixas mais pesada (assim digamos), blast beats e vocais insanos entoando o neo aeon, os calafrios aumentam quando o refrão grudento ao final da faixa é entoado “E o meu caixão, quem vai carregar?”, fechando a tampa do caixão no funeral.
04. “Ele Era Tão Bom…” pedrada violenta na muleira indigesta na melhor linha Emtombed/Gorefest.
05. “Massacres”, esta tem uma pegada bem Samael/Hellhammer, apodrecendo ainda mais o som.
06. “Atento Ao Sussurro”, tem uma pegada brutal de filme de B, bem perturbadora com alternâncias de climas densos e rápidos com a cita atmosfera de horror.
07. “Pus E Vômito”, a mais arrastada do disco, sombrio, doomzera das boas.
08. “Clube Velho”, um “outro”, jogando a pá de cal por cima da tampa do caixão, o versado sombrio e tenebroso, morte sem velório.
Material enviado por: Rafael da Sangue Underground Records ( @sangueunderground )
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