Surgida na cidade Paulista de Auriflama em 2020, é no Mato Grosso do Sul, nas terras de Três Lagoas, que a banda ALMANON, em 2021, enterra sua maldição e contamina a terra local, trazendo agonia e tormento.
E é assim que após cinco anos de criação, trazem ao mundo em 2025, seu debut álbum “Primitive Infernal“, através dos selos Misanthropic Records (que nos concedeu uma cópia), Heavy Metal Rock, iHells Produções, Terror Shop e Trevas Nascemos.
Estamos passando por uma época de transição no Underground, ao que se refere a materiais físicos. Cada vez mais a expressão “para colecionadores” é utilizada, reduzindo o nincho daqueles que ainda adquirem material físico. E por isso mesmo, cada vez mais este tipo de material vem em alta qualidade, com capricho e digno para os que deles fazem questão de adquirir. “Primitive Infernal ” tem essas características, apresentado em um slipcase de alta qualidade com um encarte robusto de 16 páginas. Design/layout e arte ficaram sobre a responsabilidade de nomes já renomados em nossa cena, o Rubens Azoth e o Márcio Blasphemator, respectivamente. Neste trabalho o ALMANON mergulhou no mundo sombrio da literatura de Edgar Allan Poe, expandindo visualmente o conceito, com capa e contracapa que dialogam diretamente com as faixas e suas temática. Faixas essas com tradução para o português em todo encarte.
Iniciam com uma intro funesta e primitiva que dá nome ao álbum, composta por Aletea, baixista da banda Miasthenia, utilizando uma viola clássica. Em seguida, velhos corvos da escuridão Infernal crocitam para anunciar a faixa ‘The Black Birds’, fazendo um black/death metal rápido com riffs nervosos e passagens cadenciadas, aterrorizando os desavisados. ‘Shadows‘ surge entre ventos fortes, anunciando através da entonação pútrida de Paulo Lopes a tempestade em forma de música. O sentimento primitivo e maligno é impregnado com tempos cadenciados, mas com uma essência orgânica nas bases de Sérgio Vieira, tornando-se visceral e ressoando à velhos hinos da cena nacional dos anos 90. Mesmo sentimento me traz a faixa ‘Tormented by Agony‘, uma das que mais me fez bater cabeça, além da faixa ‘Pendulum‘ .
O corcel gigante em chamas surge cavalgando, pisoteando os fracos e trazendo consigo ‘Horses Infernal Flames‘ , dando continuidade à estrutura da faixa anterior, entre bases candenciadas e passagens bate estaca, no comando das baquetas por Ricky Longinus.
Os caras decidiram gravar sem metrômono, ao vivo, em canais separados, trazendo essa sonoridade orgânica que venho destacando nesta resenha. ‘Death Red‘ dá continuidade a este processo, onde a cozinha da banda se destaca, trazendo peso através do baixo de Gustavo Jianoto. ‘Human Perversity‘ chega devastando, sem pedir licença, é metranca e vociferaçào desde o primeiro segundo, intercalando o tempo no decorrer da composição e questionando nossa moral. “O demônio não tem chifres… ele está dentro de você..”.
No livro Contos de Mistério e Imaginação escrito em 1842 por Edgar Alan Poe há o conto O Poço e o Pêndulo, onde ele discorre sobre a barbárie humana e suas atrocidades, analisando o temor e falta de esperança no ponto de vista do fim da vida. O ALMANON destrincha este conto nas faixas “Despair” e “Pendulum“, trazendo aos ouvintes angústia, inquietação e mistério, sensações típicas das escritas do escritor.
No CD ainda contamos com quatro bonus track, gravados ao vivo no Três Lagoas Metal Fest.
“Enlouqueci, alternando com longos períodos de terrível lucidez.”




