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BEHAVIOR – O mais podre e vil do ser humano em forma de Death Metal!

"...antes de mais nada, somos fãs do Death Metal que fazemos. E o compromisso com essa identidade, é algo maior do que qualquer coisa."

Giovan Dias julho 4, 2025 10 min read

Quando se fala em Death Metal oriundo da “terra sem salvação”, é notório que todos concordam que a cidade de Salvador exala o Metal da Morte. E nessa falange do Metal Extremo temos O BEHAVIOR, que em quase duas décadas, vem contribuindo para que essa maldição nunca se acabe. Conversamos com o vocalista e membro fundador, Fabrício Pazelli. Um bate papo rico em detalhes sobre a história da banda e seu futuro. Confiram:

Em 2025 o BEHAVIOR chega à maturidade com seus 18 anos de existência. Qual é a força motriz para seguir com a banda todo esse tempo? Você é o único da formação original, correto?

Fabrício Pazelli: Primeiramente, muito obrigado pelo apoio e espaço. Em Agosto agora de 2025, fazemos 18 anos. Fundei o BEHAVIOR juntamente com Leonardo Pinheiro, que foi da Kaddish, Veuliah e Carnified. E o intuito principal era fazer Death Metal dentro das raízes clássicas das grandes lendas, como Death, Morbid Angel e Obituary. Essa é a nossa essência, e fazemos isso com muita devoção. Inicialmente, eu e Léo tínhamos dado outro nome pro BEHAVIOR, só que não vingou. Léo me mostrou duas músicas, das quais estão na primeira demo, Walking for a Rotten Destiny, e foi nessa mesma época que tive que sair de Salvador por um tempo. Ele deu continuidade sem mim, mas antes das gravações da demo em 2008, eu voltei. E desde então, sou o único da formação original que ainda permanece.

E pensar o quanto o tempo voa… o BEHAVIOR já lançou material com bandas que infelizmente encerraram as atividades, como INCRUST e DEFORMITY BR. Vocês não pensam em relançar algum material antigo como esse?*

Um dia desses a gente fundou a banda, e do nada, 18 anos, rsrsrs. Tempo tá voando mesmo. Esse Split com o Incrust e Deformity BR, seria bem interessante um lançamento em um formato diferente, como um 7`EP, por exemplo. Ia ser muito foda. Mas pra isso acontecer, dependeria de muita coisa. Vamos ver o que o futuro trás. Por enquanto, estamos mais focados em nosso novo álbum, que já tem mais tempo do que planejamos pra lançar ele.

Silvio Libório

Existem muitas bandas que são chamadas de bandas de estúdio. Aquelas que se apresentam uma vez na vida outra na morte. No entanto o BEHAVIOR é uma das bandas mais ativas em Salvador quando falamos de apresentações ao vivo. Vocês têm essa percepção? É um prazer, um vício ou o que será? Vocês sempre produzem os shows ou acontecem muitos convites?

Eu respeito essas bandas de estúdio. Acredito que cada projeto tenha seu propósito. Porém, o BEHAVIOR nasceu pra fazer show. Ensaiar, gravar disco, tudo isso é muito foda e faz parte do processo. Mas estar em palco é algo único. A gente claramente é viciado em show. Fazemos bem menos do que gostaríamos, com toda certeza. Porém, com nossos trabalhos e a vida pessoal, nem sempre dá pra honrar com mais shows. Além dos shows que fazemos por convites, ainda produzimos muitos dos que tocamos. Desde o início da banda, que também nos envolvemos com produção. E é muito foda ver Salvador crescendo com produções e shows a todo momento.

Você tocou numa questão interessante. Seu nome já está escrito na nossa cena como um dos caras que mais produziram eventos em Salvador. De todos jeitos, formas e parcerias. Lembro dos shows nas quartas-feiras no Irish Pub e da caixinha de contribuição na frente do Palco. Recentemente uma polêmica sobre a cena de Salvador teve repercussão nacional. Qual sua opinião, como produtor e músico sobre o que foi levantado? Panelinhas, picuinhas, maus produtores… como você enxerga nossa cena?

Leonardo Reis

No início do BEHAVIOR, me envolvia em produções pra poder tocar mesmo, por necessidade. Já que na época, Salvador enfrentava uma fase bem difícil de shows. Só que foi ficando cada vez mais frequente e cada vez mais, aumentava a quantidade de produções. Até que tive a ideia de um projeto chamado Quartas de Peso, que foi uma parceria com uma antiga casa de show, o finado Taverna. Interessante que a casa na época só abria dia de sexta e sábado. Quando eu levei a ideia do projeto, eu me responsabilizei por tudo, desde fazer o cartaz do show (aprendi a fazer o básico no Photoshop na época com a ajuda de Marcelo Almeida, um grande irmão, ex-BEHAVIOR e excelente artista gráfico) até cuidar de todo o resto da produção. Foram 2 anos desse projeto, dezenas de bandas da Bahia e de diversas partes do Brasil, tocando em todas as Quartas-feiras. E criei mais dois projetos também, o Ensaio Aberto dia de quinta e o Domingo Rock. No final das contas, o Taverna estava abrindo de quarta à domingo. Kkkkkk E tive também outros projetos de muitas outras produções no Irish Pub. Foram anos bem intensos. Kkkkk Minha sorte é que tive muitos amigos e parceiros durante esse tempo. Foram muitas pessoas que me ajudaram, não vou citar nomes pela quantidade enorme, mas jamais vou esquecer de cada um dos que ajudaram. Sobre a polêmica, eu tenho mais pena de quem não vê o nosso potencial, do que qualquer outro sentimento. Problemas? Sempre teremos! Mas não nos resumimos a isso. Eu acredito na cena de Salvador, como sempre acreditei e fiz a minha parte por bastante tempo. Me doei por uma união que na maioria esmagadora das vezes, foi questionada e desrespeitada. Mas não parei, e continuei. E isso sem ficar com discursinho de revoltado ou depreciação por conta de uma parcela que só faz reclamar. E esse sim é um problema grave. Eu não tô nem ai pra essa galera. São totalmente insignificantes pra mim. Pra essas pessoas, eu abro minha cerveja e dou risada. Só isso. Tenho muito orgulho da nossa cena e de ter conseguido ajudar a fazer dela um pouco melhor. E tenho certeza que ela vai continuar crescendo. No dia que a gente deixar de acreditar no nosso Underground, ai sim ele acaba. Mas sabemos que isso é impossível. Todo dia nasce alguém disposto a se doar pela cena. E sim, está viva e mais forte do que nunca! Sempre teremos problemas. E isso é inevitável. A luta não está em apontar os culpados e errados, e sim em se dispor a ajudar. Juízes e advogados de acusação, já temos em demasia. Precisamos mais de apoiadores do que de gente reclamando.

Voltando a falar em apresentações, não recordo da banda tocando fora de Salvador. Já fizeram alguma turnê? Pensam na hipótese? Qual principal obstáculo?

Fizemos poucos shows fora de Salvador, infelizmente. Por incrível que pareça, sempre tivemos dificuldade de fazer turnês. Muito por conta do trabalho de cada um. Nossa rotina pessoal é bem puxada, e conciliar isso é bem difícil. Além também da dificuldade logística de sermos cinco. Mas esperamos que isso mude e pelo menos uma tour a gente consiga fazer.O máximo que já fizemos foi uma mini turnê há muito tempo. Quando estávamos pra chegar em Recife, que era a última cidade, teve um acidente na estrada e ficamos presos por umas 5 horas e acabamos perdemos o show. Escrevi até uma letra sobre esse incidente, que é ‘Corpses on the Road’. Um caminhão tombou na estrada, já bem pertinho de Recife, e como é de costume, as pessoas pararam pra roubar a carga. Outro caminhão veio atrás e não viu as pessoas na pista, simplesmente atropelou dezenas de pessoas. Foi a coisa mais brutal que já vi na vida. Tinham corpos espalhados pelo asfalto, famílias ao redor chorando porquê seus familiares tinham parado o carro pra saquear e morreram no acidente. Irmão, foi insano. Nosso carro chegou uns 5 minutos depois que o acidente aconteceu. E você acha que os corpos inibiram as pessoas? Que nada! A todo momento passavam pessoas com mercadoria na cabeça. E muitas delas, manchadas de sangue das vítimas. Depois desse caos, fomos pra Recife só pra dormir e voltar pra casa.

Putz! História bizarra! Realidade do nosso país; “The gore reigns in the misery…”. Já que chegamos nesses temas, desde o primeiro álbum “The Awakening of Madness” vocês trazem uma personagem na capa. Personificação de algo ou alguém? Fale-nos sobre esse “velho mascote” da BEHAVIOR!

É meu irmão, infelizmente. Triste realidade. Esse velho saiu na primeira capa como a representação de um psicopata assassino e sanguinário que estava a procura de sua vítima. E como nossas letras retratam muito sobre esses temas, principalmente sobre Serial Killers e o mais vil e podre da mente humana, tivemos a ideia de mantê-lo em todas as capas. Perceba que no primeiro álbum ele esta procurando sua vítima que está embaixo da cama, e no segundo álbum ele está moendo uma pessoa em um moedor de carne. É, ele conseguiu encontrar. Já para o terceiro álbum, quase todas as letras contam a história de um assassino em série. E ele estará na capa também, pra figurar esses psicopatas doentes.

E esse terceiro álbum? Tem previsão de lançamento? Já se foram cinco anos desde o último álbum “Morbid Obsession”. De lá pra cá lançaram uns singles e um EP com faixas ao vivo, demonstrando que estão em plena atividade. O que podem nos adiantar?

Alexandre Vitorino

Quando a gente lançou o Morbid Obsession, dissemos que o terceiro álbum não ia demorar tanto pra sair quanto ele foi. Mas pelo visto, não deu certo. Kkkkkkkk Foram tantos imprevistos, que nem a gente imaginava que era possível acontecer tanta coisa. E ainda teve a pandemia, o que piorou tudo. Está demorando mais do que a gente planejou, mas finalmente estamos na reta final. O álbum vai sair pela Eternal Hatred e Mutilation Records. Estamos trabalhando pra que saia esse ano ainda. E é certo, quando sair, faremos show de lançamento. Desde o início da banda, que a gente dá muito valor à gravações ao vivo e edições limitadas feitas à mão. Hoje em dia poucos fazem isso, infelizmente. Sempre faremos esses lançamentos. Acreditamos que esse empenho mantém a chama acesa. Ter uma edição feita totalmente à mão, com cuidado e atenção, sempre terá um sentimento diferente do que vem de fábrica. Eu sou colecionador assíduo, costumo sempre comprar materiais físicos. E sou totalmente aficionado por essas edições. É importante que de tempos em tempos, façamos esses lançamentos com o BEHAVIOR. Uma das coisas que com certeza está em nossos planos pro futuro é o lançamento de um álbum inteiramente ao vivo. Sempre tivemos esse desejo. Infelizmente não rolou no passado, mas estamos empenhados que role o mais breve possível.

A banda é formada por grandes músicos, que se destacam não só na BEHAVIOR, como também em outras bandas e projetos. Como é feito esse ingrediente de influências para chegarem na música feita pela banda? Há um limite tipo, “só vamos até aqui”?

Apesar de ajustar nossa agenda ser a parte mais difícil, a gente sempre acha uma saída. Todos temos outras bandas, o que dá pra perceber o quanto a gente gosta de compor, ensaiar, fazer show e estar inserido nesse universo underground. Faz parte do que somos. Você tocou em um ponto bem importante, que são nossas influências. Não ficamos preso ao que fizemos na demo, mas temos uma honra com nosso feeling e campo de composição. Esse novo álbum mesmo, você vai perceber que apesar de ter novas influências, você sabe que é o BEHAVIOR Nossa identidade estará lá perceptivelmente. Somos 5 pessoas distintas, e isso enriquece bastante o nosso som. Entretanto, todos sabem o que é, e o que não é o BEHAVIOR. E esse é o “limite”. Já perguntaram o porquê, e a resposta é bem simples: antes de mais nada, somos fãs do Death Metal que fazemos. E o compromisso com essa identidade, é algo maior do que qualquer coisa. BEHAVIOR é como se fosse uma entidade com vida própria em nossas vidas. E fazer parte disso é imensurável.

Fabricio Pazelli

Você acha que o Death Metal, musicalmente falando, tem limites?

É até engraçado falar de limites. Acredito que todo limite existe por uma “teórica” questão de ordem. Mas venhamos e convenhamos, se não fossem as quebras de limites, talvez nunca estivéssemos fazendo Death Metal hoje em dia. Já que quando o Black Sabbath surgiu, os puritanos foram contra, porque fugia à regra e ao limite. E isso aconteceu com todos os novos estilos que foram surgindo. E no fim, os limites tratam disso mesmo, existem para serem quebrados. Porém, cada um vive suas próprias verdades. A nossa é fazer esse Death Metal calcado nos pilares e mestres do gênero. Mas limitar qualquer coisa que seja? JAMAIS! “Faze o que tu queres, há de ser tudo da lei”. Quem impõe limite é cristão. Cada um faz o que quiser. Só tenham honra para arcar com qualquer consequência de suas decisões.

Meu nobre, agradeço demais por nos conceder essa entrevista. Foi gratificante bater esse papo contigo. Agora é com você, sinta-se a vontade para expor algum assunto que não falamos, dá um recado aos nossos leitores ou simplesmente mandar um foda-se pra quem quiser! Hahahaha O espaço é seu.

Eu que agradeço a oportunidade e o apoio meu irmão. Vida longa à LUCIFER REX. Estamos em fase de finalização de nosso terceiro álbum, intitulado Eternal Hunger, e espero que o mais breve possível a gente possa estar com ele em mãos pra fazer um lançamento fudido. Aos nossos, um grande HAIL e muito obrigado por todo apoio, suporte e irmandade de sempre. Vocês alimentam cada vez mais a nossa fome de continuar fazendo Death Metal com muita verdade e honestidade. E, aos que costuman excrementar pela boca, não nos importamos com vocês. Muitos dos que “latiram” suas verdades absolutas e suas leis, nem aqui estão mais pra contar história. MAS NÓS ESTAMOS! Produzindo, fazendo shows e gravando álbuns. SEM MAIS!

STAY BANGERS UNTIL THE END! STAY HUNGRY! 666

Fotos banda por: Rafael Almeida

Fotos ao vivo por: Cycero Tavares

Giovan Dias

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