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CNOC AN TURSA RETORNA COM A CRY FOR THE SLAIN, UMA CELEBRAÇÃO ÉPICA DA HISTÓRIA, DO FOLCLORE E DA ALMA ESCOCESA

Anton Naberius maio 31, 2026 6 min read

Após oito anos de silêncio fonográfico, os escoceses apresentam um álbum que une Black Metal, tradição celta, melancolia ancestral e orgulho cultural em uma de suas obras mais ambiciosas

Capa do álbum “A Cry for the Slain”

Para aqueles que foram profundamente impactados pelos dois primeiros álbuns do Cnoc An Tursa — The Giants of Auld (2013) e The Forty Five (2017) — a longa espera por um novo trabalho da banda escocesa foi acompanhada por uma inevitável sensação de expectativa e inquietação. O intervalo entre lançamentos se estendeu por quase uma década, tornando incerta a possibilidade de um retorno. Contudo, essa espera finalmente chegou ao fim com a chegada de A Cry for the Slain, terceiro álbum do grupo e uma das obras mais significativas de sua trajetória.

Lançado pela Apocalyptic Witchcraft, o disco é descrito pelo selo como uma homenagem evocativa à história, ao folclore e à magia singular da Escócia, reunindo canções que transitam entre luto e desafio, mistério e medo, orgulho e paixão. A própria banda declarou que o objetivo deste novo trabalho foi revisitar suas origens:

“Com este novo álbum sentimos que estamos retornando às nossas raízes, com uma abordagem mais orientada pelas guitarras e recuperando elementos folclóricos tanto musicalmente quanto liricamente, que foram a inspiração original para a banda.”

Essa declaração sintetiza com precisão a essência de A Cry for the Slain. O álbum representa não apenas um retorno após anos de ausência, mas também uma reafirmação da identidade artística que sempre diferenciou o Cnoc An Tursa dentro do universo do Black Metal.

O portal No Clean Singing, responsável pela estreia exclusiva do álbum, destaca que a obra possui uma riqueza de nuances capaz de torná-la constantemente envolvente. As oito composições apresentam características próprias, tanto em suas estruturas quanto em suas atmosferas, construindo uma experiência dinâmica que evita repetições e mantém o interesse do ouvinte do início ao fim.

O álbum se inicia com “Na Fir Ghorma”, uma composição breve, mas profundamente impactante. A faixa estabelece imediatamente o tom emocional da obra através de uma combinação de melancolia, grandiosidade e elementos espectrais. Guitarras ecoam como lamentos distantes enquanto vocais limpos e elevados transmitem uma sensação de perda e reverência. Apesar de sua duração relativamente curta, a música evolui para momentos de grande intensidade, impulsionados por ritmos marcantes e harmonias de forte apelo emocional.

Além da força composicional, a produção do álbum recebe destaque especial. Segundo a análise do No Clean Singing, A Cry for the Slain apresenta um equilíbrio exemplar entre clareza e peso, permitindo que cada instrumento encontre seu espaço sem comprometer a potência da sonoridade geral.

Essa qualidade torna-se ainda mais evidente em “The Caoineag”, uma das faixas centrais do álbum e uma das mais impressionantes de toda a obra. Inspirada na figura mitológica da banshee das Terras Altas escocesas — entidade associada a presságios de morte e tragédia — a composição conduz o ouvinte por uma jornada marcada por atmosferas sobrenaturais e uma intensidade quase cinematográfica.

A faixa alterna explosões de Black Metal feroz com passagens mais contemplativas, onde guitarras acústicas, teclados etéreos e melodias inspiradas na tradição musical escocesa ampliam a sensação de imersão. Em determinados momentos, os riffs assumem características que remetem diretamente ao folclore celta, enquanto os vocais transitam entre gritos desesperados e expressões carregadas de sofrimento.

De acordo com a publicação, “The Caoineag” estabelece um padrão de excelência tão elevado que surge naturalmente a dúvida sobre como a banda poderia manter esse nível nas faixas seguintes. No entanto, o restante do álbum demonstra que o grupo não apenas sustenta essa qualidade, como a expande em diferentes direções.

Ao longo da obra, o Cnoc An Tursa comprova ser capaz de rivalizar com bandas tradicionais do Black Metal mais agressivo sem abrir mão de sua identidade singular. A música da banda incorpora mudanças constantes de dinâmica, alternando momentos de fúria devastadora com passagens de forte caráter atmosférico e contemplativo.

Os sintetizadores desempenham um papel fundamental na construção de paisagens sonoras majestosas e místicas, enquanto as melodias frequentemente evocam instrumentos tradicionais como gaitas de fole e liras. Em outros momentos, os ritmos sugerem cavalgadas épicas, procissões fúnebres ou mesmo o estrondo de antigas batalhas.

A riqueza emocional do álbum é um de seus maiores méritos. Algumas passagens transmitem uma sensação de esplendor quase triunfante; outras evocam cenários sombrios, povoados por criaturas folclóricas e sombras ancestrais. Os vocais permanecem intensos durante toda a duração da obra, transmitindo uma paixão feroz e frequentemente próxima da ruptura emocional.

Entre os destaques do disco encontra-se “Baobhan Sith”, que apresenta solos de guitarra expressivos e melodicamente exuberantes. Os fraseados carregados de emoção contribuem para transformar a música em um dos momentos mais memoráveis do álbum.

Outra composição de grande relevância é “Am Fear Liath Mòr”, cuja combinação de ritmos marcantes e melodias dançantes cria uma atmosfera simultaneamente agressiva e celebratória. A análise publicada pelo No Clean Singing observa que alguns de seus elementos chegam a sugerir discretas influências pós-punk, sem que isso comprometa sua essência extrema.

Já “Alba In My Heart” surge como uma das peças mais épicas do trabalho. A faixa desenvolve uma energia arrebatadora, impulsionada por ritmos velozes e uma carga emocional que oscila entre reverência patriótica e profunda melancolia. É uma música que sintetiza perfeitamente o compromisso da banda com a celebração de sua herança cultural.

Naturalmente, merece destaque especial “Address To The Devil”, inspirada em um dos poemas mais célebres de Robert Burns, considerado o maior poeta nacional da Escócia. Como uma das composições mais extensas do álbum, a faixa constrói uma narrativa musical complexa, transitando entre agressividade, mistério, sedução e sofrimento.

A presença de uma vocalista convidada adiciona novas camadas à composição, enquanto melodias limpas de guitarra contrastam com momentos de extrema violência sonora. O resultado é uma das experiências mais multifacetadas de todo o disco.

Encerrando a jornada, o álbum apresenta “The Nine Maidens Of Dundee”, uma peça instrumental breve e hipnótica. Utilizando piano, instrumentos acústicos e arranjos orquestrais sutis, a música conduz o ouvinte para uma conclusão contemplativa, quase onírica.

Segundo os materiais promocionais citados pelo No Clean Singing, a faixa “nos conduz das montanhas de volta ao mundo comum, com a mente repleta de sonhos e a crença de que a magia ainda possa existir nos vales menos explorados do norte”. Uma descrição que sintetiza perfeitamente o impacto emocional deixado pelo álbum.

Em sua avaliação, o No Clean Singing considera A Cry for the Slain uma obra extraordinária, recomendando sua audição integral para que toda a profundidade de sua narrativa possa ser plenamente absorvida. Mais do que um simples álbum de Black Metal, trata-se de uma celebração da memória, da cultura e das tradições escocesas através de uma linguagem musical intensa, sofisticada e profundamente emocional.

Tracklist

  1. Na Fir Ghorma
  2. The Caoineag
  3. Baobhan Sith
  4. Am Fear Liath Mòr
  5. Alba In My Heart
  6. Address To The Devil
  7. The Longest Night
  8. The Nine Maidens Of Dundee

Formação

  • Alan Buchan – Vocais
  • Rene McDonald Hill – Guitarras e Teclados
  • Bryan Hamilton – Bateria

O álbum foi masterizado por Jaime Gomez Arellano, conhecido por seu trabalho com nomes como Paradise Lost, Primordial e Hexvessel. A impactante arte de capa foi criada por Olga Kann, artista que já colaborou com bandas como Winteria, Withered Land e Ruadh.

A Cry for the Slain foi lançado pela Apocalyptic Witchcraft em formatos LP, CD, fita cassete e plataformas digitais, sendo especialmente recomendado para apreciadores de Primordial, Winterfylleth, Saor e Forefather.

Fonte: No Clean Singing – matéria originalmente publicada em 22/04/2026 consultada e adaptada em 31/05/2026

Anton Naberius

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Tags: Anton Naberius black metal blackmetal Cnoc An Tursa Folk Metal lucifer rex extreme web portal Underground webzine

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