Uma pedra bruta, com tremendo potencial, que não desejou ser lapidada. Apresentando um som sujo, denso e abafado, camuflando inicialmente fúria e força.
Essa é a primeira impressão que tenho de “Scorned God”, o quinto e novo álbum da veterana DESCEREBRATION, lançado pela Misanthropic Records em parceria com a Deranged for Leftovers Productions e WP and RO Productions.
Ao lapidar este novo trabalho, onde talvez a mixagem e masterização poderiam aprimorar melhor sua essência, encontramos um material colérico, agressivo e enraizado na brutalidade que o Death Metal tem para nos oferecer, começando por ‘Contempt For God’ com bases pesadas e viscerais, uma pancadaria sem contenção. Música foda onde a “cozinha” dá logo o seu recado, deixando a cristandade de joelhos, sangrando e lamentado por seus ídolos de barro. Em ‘Fool God’ as blasfêmias perante um deus tolo e patético, iniciam com um tempo mais cadenciado, que em breve da passagem para riffs velozes e violentos, uma bateria furiosa e baixo dando ainda mais peso na composição, quebrando as regras dogmáticas na ponta da lança. A próxima faixa, ‘Decadent Paradise’ é uma convocação à guerra, onde escrituras e palavras sagradas nada valem, um Death Metal reto e bruto, uma desgraça em forma de música. ‘We Worship The Pleasures of Death’ é a continuação dessa guerra, um tormento deathmetálico onde os mestres do próprio caminho, Rondinelli, Jackson e Rodolfo demonstram a veia destrutiva que segue o DESCEREBRATION por mais de três décadas.
Dando uma pausa nas composições, ressaltamos, que o conceito de pedra bruta, não se encaixa na parte gráfica deste álbum. CD com slipcase e uma bela arte de capa, assinada por Leonardo Silva, com excelente escolha de cores. A imagem no slipcase é um bom destaque da arte principal e o layout por L. Muralhas bem feitas, com letras das músicas legíveis no encarte, escolhendo a cor certa para contrastar com as imagens de fundo.
Retornamos então com ‘Beheaded Crowned Lord’, onde o baixo dá o tom para uma composição reta e irada com passagens mais trabalhadas, entre riffs bem afiados, decapitando o rei da coroa de espinhos e nuances com quebradas de tempo e por vezes uma metranca infernal. ‘Chaos-Doomed-Human Race‘ é literalmente caótico e aconselhado apenas para ouvidos acostumados a pandemônios sonoros. ‘We Honor With Blood the Shadow of War’ soa intolerante com bumbos anunciando a guerra, bases cadenciadas mirando o inimigo e riffs rasgando a carne podre dos fracos.
Por fim, temos ‘Placed Below Immorality’ seguindo a mesma inquietação da outras sete faixas.



