Eis que a HUMATHA retorna em seu segundo EP, “Vox Supplicium“, focado na tradição do death/grind com esmero e violência.
Pautado liricamente em conflitos civis que ocorreram no Brasil durante épocas do reinado e da República, transmite em fúria a luta de pessoas comuns contra os desmandos e sua situação de abandono. As faixas exploram o tema ambientando sonoramente a brutalidade que a guerra ou enfrentamento pode ocasionar, sendo que no geral, o povo é tratado com extrema violência moral e física.
Em *Prophetia Mortis* , a guerra movida por fanatismo e ganância, sem heroísmo mostra como a religião pode induzir indivíduos à histeria e surto coletivo, a faixa tem como cerne a Guerra do Contestado. Já em *Sanguinum 1841* , os oprimidos se insurgem por viverem em extrema condição de miséria, mas são “necrosados” pelos canhões, sendo uma referência à revolta popular da Balaiada. Na faixa *Ardenti Mapalia* , traz à memória de um dos conflitos mais sangrentos que houve no país, em que, as camadas populares foram massacradas e brutalizadas pelo governo na Revolta dos Cabanos. Com a participação de Vitor Giovanni (Neural Abyss), nos vocais em *Fuze et Proditiones* , a denúncia reside em como os malês foram traídos e delatados na véspera do levante, o que levou à deportações. Em *Mertu Metcon* alerta para o autoritarismo de D.Pedro I que inicia o declínio de seu governo. Por fim, na faixa título *Vox Supplicium* , tem-se a fome como causa da Revolta dos Alfaiates na Bahia, movimento que foi punido com degredo, enforcamento tortura e espancamentos.
A HUMATHA destila riffs furiosos, seguindo padrão da escola sueca/finlandesa, elevando seu patamar num death/grind consistente que vai agradar à deathbangers e grinders de maneira satisfatória. O projeto de membros da Töhil segue firme em produzir, com podridão, música extrema que não é para ouvidos sensíveis.
HUMATHA é:
Humberto Amorim – letras e vocal.
Athayde Neto – baixo, bateria e guitarra.
Confiram:



