Projeto internacional radicado entre Portugal, Reino Unido, Noruega e Egito apresenta os primeiros sinais de um álbum concebido sob o peso de Hegel, Händel e das deformações experimentais de Virus, Arcturus e Dodheimsgard.

A entidade recentemente estabelecida LABOR OF THE NEGATIVE revelou os primeiros vestígios de sua obra de estreia, “The Triumph of Time and the Disillusioned”, álbum que será lançado no dia 7 de agosto pela I, Voidhanger Records.
As pré-vendas já estão disponíveis através da gravadora.
Radicado entre Portugal, Reino Unido, Noruega e Egito, o LABOR OF THE NEGATIVE apresenta-se como um projeto internacional profundamente envolvido com filosofia e literatura. Não se trata, contudo, de simples ornamentação intelectual aplicada posteriormente à música. O próprio nome da entidade nasce de uma reflexão encontrada no prefácio de “Fenomenologia do Espírito”, de Georg Wilhelm Friedrich Hegel.
Ali, a vida de Deus e a cognição divina poderiam ser descritas como uma espécie de jogo amoroso consigo mesmas. Entretanto, segundo a reflexão hegeliana evocada pelo projeto, essa ideia afunda em mera edificação — e mesmo em insipidez — quando lhe faltam a seriedade, o sofrimento, a paciência e aquilo que Hegel denominou “o trabalho do negativo”.
O título do primeiro álbum, “The Triumph of Time and the Disillusioned”, encontra outra origem. Desta vez, a inspiração remete à obra de Georg Friedrich Händel, especificamente “The Triumph of Time and Disillusion”. A alteração aparentemente discreta do título já oferece uma chave para o universo do LABOR OF THE NEGATIVE: onde antes havia a personificação do desengano, agora parecem restar os próprios desiludidos — indivíduos submetidos ao movimento inexorável do tempo.
Com tais premissas, é possível compreender por que o Black Metal do LABOR OF THE NEGATIVE assume uma forma simultaneamente áspera e intelectual, aventureira e criativa, obscura e iluminadora.
Sua investigação filosófica absorve referências que atravessam universos distintos. Hegel, Hume, Nietzsche, Kierkegaard e Durkheim surgem entre os pensadores relacionados à concepção do projeto, formando uma arquitetura intelectual que parece rejeitar qualquer resposta simples para as contradições da existência.
Musicalmente, “The Triumph of Time and the Disillusioned” finca suas raízes no Black Metal de vanguarda de nomes como VIRUS, ARCTURUS e DODHEIMSGARD, entre outras manifestações que, ao longo das últimas décadas, compreenderam o gênero não como uma estrutura imutável, mas como matéria passível de deformação.
Nas mãos do LABOR OF THE NEGATIVE, o Black Metal mais feroz é infiltrado por vocais esquizoides e alucinatórios, responsáveis por conceder uma aura quase teatral às composições. Essa presença é frequentemente duplicada ou confrontada pelos sons igualmente retorcidos e venenosos de um trompete, instrumento que amplia a sensação de deslocamento e estranheza presente na obra.
O resultado é um trabalho descrito como complexo, estratificado e singular.
Não parece haver, aqui, qualquer intenção de utilizar a filosofia como simples verniz para uma manifestação musical convencional. Pelo contrário: tudo indica que “The Triumph of Time and the Disillusioned” pretende transformar conceitos em tensão sonora. O pensamento deixa de ser apenas discurso e converte-se em matéria de conflito — vozes fragmentadas, estruturas instáveis e instrumentos que parecem disputar o espaço interno das composições.
O título da quinta faixa, “151 – The Eternal Present and the Endless Dream”, surge quase como uma fissura no interior da sequência de Epoché que domina o álbum. O termo, historicamente relacionado à suspensão do juízo na tradição filosófica, estabelece uma curiosa recorrência conceitual ao longo do disco. Entre as seis Epoché, essa presença intermediária parece interromper — ou talvez aprofundar — o processo de suspensão.
Em sua estreia, o LABOR OF THE NEGATIVE parece interessado justamente nesse território em que pensamento e ruína deixam de ocupar posições opostas.
Talvez o trabalho do negativo não seja destruir aquilo que existe.
Talvez seja obrigá-lo a atravessar sua própria contradição.
TRACKLIST
- Epoché I
- Epoché II
- Epoché III
- Epoché IV
- 151 – The Eternal Present and the Endless Dream
- Epoché V
- Epoché VI
Fonte: The Void Journal.
Link do Bandcamp
https://i-voidhangerrecords.bandcamp.com/album/the-triumph-of-time-and-the-disillusioned



