Quarteto francês antecipa o lançamento de Nous, le venin explorando a decadência da sociedade contemporânea e expandindo os limites do Black Metal com influências de screamo, doom e noise.

A inovadora banda francesa de Black Metal Mourir acaba de lançar “Aux inutiles”, terceiro single que antecede a chegada de “Nous, le venin”, segundo álbum de estúdio do quarteto, previsto para 10 de julho pela Pelagic Records.
Oriundo de Toulouse, o grupo continua sua trajetória de ruptura com as convenções tradicionais do Black Metal, desenvolvendo uma linguagem musical que incorpora elementos de scream, doom, sludge, post-metal e noise, sem abandonar a agressividade e a intensidade que caracterizam o gênero. O resultado é uma obra marcada por forte carga emocional e por uma identidade sonora contemporânea.
Liricamente, “Aux inutiles” presta homenagem àqueles que vivem à margem do ritmo imposto pela sociedade moderna: os adoecidos, os deprimidos e aqueles que enxergam com excessiva clareza a realidade que os cerca.
Segundo a própria banda:
“‘Aux inutiles’ é um tributo àqueles que vivem fora de sintonia — os doentes, os deprimidos e aqueles que enxergam claramente demais. É o grito daqueles que a sociedade moderna empurra para as sombras, consumidos por uma profunda desvalorização de si mesmos, capaz de levá-los à autodestruição. A música reflete a depressão inerente a um Ocidente desiludido — o cansaço de existir em um mundo saturado de significados, mas desprovido de emoções autênticas. Musicalmente, ela é mais direta, rápida, intensa e carregada de frustração, transmitindo um sentimento permanente de urgência e conflito interior.”
Essa abordagem resume o conceito de “Nous, le venin”, álbum que observa, de maneira crítica e distante, uma civilização cada vez mais desconectada de qualquer sentido existencial. O disco propõe uma reflexão sobre a alienação contemporânea, a exaustão psicológica e a dificuldade de encontrar significado em uma realidade marcada pela crueldade e pelo absurdo.
Ao mesmo tempo, Mourir não se limita ao niilismo absoluto. Em meio ao peso de suas composições, pequenas passagens melódicas sugerem a existência de alguma esperança, indicando que ainda é possível imaginar algo além da decadência.
As seis faixas do álbum foram compostas no final de 2025 e gravadas em janeiro de 2026 no The Apiary Studio, em Laval, França, sob produção de Amaury Sauvé, conhecido por seus trabalhos com Birds in Row, Igorrr e Pneu. A mixagem privilegia tanto as frequências graves quanto a violência característica do Black Metal, criando uma sonoridade ampla, densa e extremamente expressiva.
A arte da capa, assinada por Thomas Davezac, traduz visualmente a sensação de desconexão e isolamento que permeia todo o trabalho.
Além do lançamento do novo álbum, o grupo prepara uma série de apresentações em importantes festivais europeus, incluindo o Resurrection Fest e o Soulcrusher Festival, consolidando seu nome entre as bandas mais relevantes da nova geração do Black Metal francês.
Tracklist – Nous, le venin
- Ennui Ennemi
- Mon rêve animal
- Feu d’un regard
- Je est absent
- Aux inutiles
- Nous, le venin
Próximas apresentações
- 01/07 – San Sebastián (ES) – Mogambo
- 02/07 – Santander (ES) – Rockbeer The New
- 03/07 – Viveiro (ES) – Resurrection Fest
- 09/10 – Nijmegen (NL) – Soulcrusher Festival
Formação
- Maël Pretet — Bateria
- Alexandre Bérenguer — Guitarra
- Olivier Lolmède — Guitarra e vocais
- Théophile Antolinos — Baixo
Com “Nous, le venin”, o Mourir reafirma sua disposição de expandir os horizontes do Black Metal contemporâneo, equilibrando violência, introspecção e experimentação sonora em uma obra que rejeita o conforto da nostalgia e encara de frente as inquietações do presente.
Fonte: Kronus Mortus News.



