Entre guerra, caos, dissolução e transcendência, Cesar Severus conduz o Poeticus Severus em uma nova manifestação de seu Epic Black Metal

De uns anos para cá, o Poeticus Severus tem sido uma das bandas do underground que mais entregam produções, mantendo uma trajetória marcada por uma produção constante, pela liberdade criativa e por uma identidade que não parece disposta a se curvar às fórmulas cada vez mais previsíveis de um cenário extremo mundialmente saturado. A principal guinada em sua carreira se deu a partir do álbum “Ser Guerreiro É a Nossa Lei! Se Não For a Alegria do Mundo, a Nossa Será!”, lançado em 2019, e, desde então, a banda não parou de apresentar materiais que combinam peso, criatividade e uma concepção artística própria.
Em 2026, o Poeticus Severus retorna com um lançamento particularmente significativo: “PACTVS”, álbum concebido para celebrar três décadas de existência da banda. Mais do que uma comemoração, o novo trabalho surge como uma síntese de diferentes elementos que atravessam a trajetória do grupo: guerra, espiritualidade, caos, morte, ancestralidade, dissolução e conflitos interiores são transformados em música, poesia e uma identidade visual cuidadosamente construída.
O álbum chega cercado por uma concepção artística que extrapola o formato convencional de um disco. O material apresenta nove composições, sendo “Mortalha III” identificada como faixa bônus, e reúne músicas inéditas e versões atualizadas de obras anteriores, entre elas “Para além do Inferno” e “Armorial”, apresentadas em suas versões de 2026. O lançamento é associado aos selos Mutilation Records, Misanthropic Records, Ihells Productions, Eclipsys Lunarys Productions e Gruta do Bode Productions.
UM PACTO ENTRE GUERRA, CAOS E EXISTÊNCIA
Desde o próprio título, “PACTVS” estabelece uma atmosfera de compromisso, ritual e permanência. O conceito se desenvolve através de composições que transitam por imagens de batalhas, símbolos ancestrais, morte, destruição e conflitos existenciais.
A faixa de abertura, “Sigilos da Guerra”, estabelece imediatamente essa atmosfera. Seus versos evocam símbolos, runas, campos profanos, mortos e forças ancestrais, construindo uma narrativa em que cada traço se transforma em um juramento e cada símbolo carrega uma dimensão de poder e memória.
Em “Para além do Inferno”, a linguagem assume uma dimensão ainda mais ritualística. A composição utiliza extensivamente expressões em latim e imagens relacionadas ao inferno, à morte e à liturgia, reforçando a natureza cerimonial que atravessa parte do trabalho. A letra desta faixa é creditada a Luiz Carlos Pereira de Oliveira (Luiz Bardus), enquanto as demais letras são atribuídas a Cesar Severus.
Já “PACTVS” e “Vórtice do Eu” ampliam o espectro temático do álbum. Enquanto a primeira mergulha em imagens de muralhas, espadas, guerra, mortos e destino, a segunda direciona o olhar para dentro, abordando ruína, memória, carne, silêncio, morte e a própria existência. O resultado é uma espécie de diálogo entre o conflito exterior e o abismo interior.
Essa dualidade também aparece em “A Lei do Ferro” e “Quando o Caos Explode”. A primeira trabalha a guerra como uma força inevitável, associada à destruição, à morte e à própria condição existencial. A segunda mergulha em uma dimensão mais cósmica, apresentando imagens de muros ruindo, tempo apodrecendo, abismos e dissolução.
Em “O Altar da Dissolução”, o discurso assume uma dimensão de ruptura. A composição fala sobre o desaparecimento da luz, a queda da razão, o enfraquecimento do dogma e a dissolução de estruturas estabelecidas. Ao lado dela, “Armorial” retoma o imaginário de guerra, metal, batalha, conquista e vontade, completando uma das passagens mais claramente bélicas do disco.

TRÊS DÉCADAS DE RETIDÃO E DEVOTO AO EXTREMO
O lançamento de “PACTVS” também representa uma espécie de marco dentro da trajetória mais recente do Poeticus Severus. O material de apresentação do álbum recupera uma sequência de trabalhos que inclui “Ser Guerreiro É a Nossa Lei! Se Não For a Alegria do Mundo, a Nossa Será!” (2019), o MCD “Velhos Tempos” (2022), “Fulgor Sombrio” (2023), “O Rugir da Ira” (2024) e a participação, em 2025, no 3-Way Split CD com o EP “Severus Sigilos da Guerra”.
Agora, em seu trigésimo aniversário, Cesar Severus capitaneia o projeto em uma formação apresentada no livreto como um quarteto robusto, reafirmando a intenção de levar o Poeticus Severus também para além do circuito nacional.
A formação creditada para “PACTVS” reúne Cesar Severus nos vocais e primeira guitarra, Alexandre Dias na segunda guitarra, Cecília Katrini nos vocais líricos, baixo e piano, e Mkult na bateria.
A participação de Cecília Katrini ganha ainda maior importância na concepção do álbum. Além de sua atuação musical, ela é responsável pelas ilustrações da capa e das páginas 14 e 15 do livreto, enquanto Cesar Severus assina as demais ilustrações, além da arte gráfica, layout e finalização. O logotipo do Poeticus Severus, originalmente criado por Christophe Szpajdel em 1999, também foi finalizado por Cesar Severus em 2002.
Um dos aspectos mais marcantes de “PACTVS” é justamente a dimensão visual que acompanha a música. As 16 páginas do encarte ampliam esse universo. Fotografias de Cesar Severus, Cecília Katrini, Mkult e Alexandre Dias, entre outros registros, aparecem integradas ao conceito visual do trabalho, utilizando figurinos, maquiagem e elementos cênicos que reforçam a atmosfera ritualística.
A produção musical ficou novamente sob responsabilidade de Cesar Severus, que também realizou a mixagem e a masterização no Gruta Estúdio, no Rio de Janeiro, em maio de 2026.
A gravação da bateria foi realizada por Mkult, em abril de 2026, no Estúdio HCR, também no Rio de Janeiro. O material ainda registra os créditos autorais específicos de cada composição, incluindo a participação de Luiz Bardus em “Para além do Inferno” e de Cecília Katrini na obra instrumental “Mortalha III”.
O álbum, portanto, carrega uma produção essencialmente ligada ao próprio núcleo criativo do Poeticus Severus, preservando uma característica importante da banda: a capacidade de controlar diferentes aspectos de sua própria linguagem artística.
“PACTVS”: O MANIFESTO DE 30 ANOS
O título “PACTVS” parece funcionar, nesse contexto, como uma síntese adequada para uma banda que construiu sua trajetória através de permanência, resistência e insistência em uma linguagem própria.
Não se trata apenas de olhar para três décadas de história, mas de transformar essa experiência em uma nova manifestação artística. As letras de “PACTVS” oscilam entre a guerra e a introspecção, entre o ancestral e o cósmico, entre a destruição exterior e a dissolução interior.
O resultado é um álbum que procura preservar aquilo que parece estar no centro da identidade do Poeticus Severus: o confronto permanente com o caos, a morte, a memória e a própria existência, utilizando o Black Metal como ferramenta para transformar essas imagens em som e símbolo.
Para uma banda que completa 30 anos de trajetória, “PACTVS” surge, portanto, menos como um simples registro comemorativo e mais como uma declaração de continuidade. Um pacto renovado com a música extrema, com a criação artística e com a própria trajetória construída ao longo de três décadas.
PACTVS — Tracklist
- Sigilos da Guerra
- Para além do Inferno (versão 2026 e.v)
- Pactvs
- Vórtice do Eu
- A Lei do Ferro
- Quando o Caos Explode
- O Altar da Dissolução
- Armorial (versão 2026 e.v.)
- Mortalha III (faixa bônus)
Artista: Poeticus Severus
Álbum: PACTVS
Lançamento: 2026
Selos: Mutilation Records, Misanthropic Records, Ihells Productions, Eclipsys Lunarys Productions e Gruta do Bode Productions.
Formação:
Cesar Severus — vocal e guitarra
Alexandre Dias — guitarra
Cecília Katrini — vocal lírico, baixo e piano
Mkult — bateria
Arte gráfica, layout e finalização: Cesar Severus
Ilustrações: Cecília Katrini e Cesar Severus
Logotipo: Christophe Szpajdel / Cesar Severus



