Avé LUCIFER REX! Depois de um bom tempo sem fazer resenhas, tenho em minhas mãos o debut da banda PROFANE ANGER. Eu andei pensando bastante a respeito de resenhas e cheguei a alguns questionamentos:
1- Qual o sentido de fazer uma resenha, se hoje todo o material produzido acaba disponível nas plataformas? Afinal, basta o interessado ouvir para saber se curte ou não!
2 – Qual o sentido de se fazer uma resenha técnica de um material de um genero que, porventura não me agrade? Analisar particularidades de produção, composição, arte e etc, “dentro do genero a que o autor da obra se propõe”?
E essa obra, intitulada “Posthumous Memories” me ajudou a resolver, pelo menos a nivel pessoal, esse dilema. Para o primeiro questionamento, a resposta é que um álbum é muito mais que apenas o aspecto sonoro. No aspecto físico eu pude:
– Observar todo o acabamento deste material,com um slipcase em forma de caixinha se constituindo de uma sobrecapa com uma imagem a oléo, extremamente pertinente à tematica do pós-morte e uma contra-capa com a classica foto “graveyard cult”;
– Ao puxar a jewel case interna perceber o poster no mais clássico estilo Mystifier;
– Apreciar a arte de capa em tons de cinza, que interpretei como o momento de transição entre a vida e a morte, em que você encontra os companheiros do além.
– Conhecer os personagens que animam as personas por trás da música.
– Acompanhar as letras, tranformar as palavras em imagens e sentir as emoções e sensações que a música comunica.
Tudo isso faz parte de um importantíssimo ritual de imersão que a arte enseja. Perceber que a música tem todo uma superestrutura, todo um universo como pano de fundo. Sem esse contexto todo, que te permite conhecer a face humana e o abismo das almas da entidade que cria a arte, você apenas arranha a superfície…
Então, com relação à primeira questão, é isso: A resenha tem sentido quando pode transmitir uma experiência complexa e completa de conhecer o outro através da sublimação do que ele sente e expressa, não só pela música, mas pelas imagens, pelas letras,pelas cores e formatos.
E com relação ao segundo questionamento, realmente não faz sentido nenhum falar de algo que não se goste. Nem pra criticar. Neste ponto eu concordo que o gosto é individual. Mas se não me agrada e eu apenas estou tentando convencer alguém a adquirir, toda a essencia do underground se perde. O pertencimento é colocado em segundo plano em uma tentativa de profissionalismo num ambiente onde o que mais importa é o apreço verdadeiro.
Já quando se fala de algo que realmente te agradou, aí estamos partindo pra algo que é a essencia do headbanger: falar sobre som, visual, postura…Indicar o que você conheceu e curtiu a ponto de querer que mais pessoas conheçam e curtam.
E eu realmente gostei desse “Posthumous Memories”. Pra mim um dos melhores lançamentos do ano. Pesado, denso, arrastado..Com um vocal poderosíssimo,reverb na medida certa, baixo na cara. Como o baixo faz diferença no peso do som!E aí fica como se a gente tivesse na frente do bar, esperando começar um evento e conversando com os amigos:
– “Mano, tu conhece PROFANE ANGER? Fudido hein? Tem hora que entra um tecladão que lembra o Mystifer, pesadão! As letras são do caralho, velho, referencias ao livro “Memórias Postumas de Brás Cubas”!
– “Não ouvi ainda não, indica umas músicas ai..“
– “Cara, perai que vou te mandar o link, mas vai direto na faixa titulo “Posthumous Memories“…e deixa rolar a intro que é em português.Depois vai pra “Cancer” cheia das viradas. Dai volta pra “God Still Dead”, que tem uma vibe meio Celtic Frost do meio pra frente!Depois me fala o que achou”
E é desse jeito que tem que ser, de headbanger pra headbanger como diz o Zhema do Vulcano! E se curtir, compre o album e execute o ritual completo...Você vai ver como faz a diferença!
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