Em entrevista ao canal This Is Black Metal, Argyris fala sobre guerra, misantropia, o novo álbum Nex, o renascimento da banda e sua visão sobre o verdadeiro espírito do Black Metal.
Às vésperas do lançamento de “Nex”, novo álbum da horda norte-americana SICARIUS, o guitarrista Argyris concedeu uma extensa entrevista ao canal This Is Black Metal, abordando temas que vão muito além da música. Em uma conversa marcada por reflexões sobre guerra, niilismo, religião, violência e identidade artística, o músico deixou claro que o objetivo da banda permanece inalterado desde sua fundação: representar a essência mais violenta e indomável do Black Metal.
Logo no início da entrevista, Argyris reafirma que a missão da SICARIUS sempre foi traduzir musicalmente o potencial destrutivo presente na natureza humana.
“Nossa intenção sempre foi demonstrar o potencial da violência como forma de arte.”
Essa filosofia se manifesta em uma sonoridade extremamente agressiva, frequentemente comparada a nomes como Revenge. Questionado sobre as origens dessa abordagem brutal, Argyris revelou que sua maior fonte de inspiração nasceu durante sua atuação como fuzileiro naval dos Estados Unidos, quando foi enviado ao Afeganistão em 2012.
Segundo ele, a experiência da guerra altera completamente a percepção da realidade.
“Você conhece outros países, outras culturas, combate em lugares completamente diferentes do seu mundo. A guerra mostra como tudo pode ser cru e primitivo. Depois disso, voltar para a sociedade dita normal deixa de fazer sentido.”
O músico ainda comenta que diversos companheiros de combate tiraram a própria vida após retornarem para casa, incapazes de se readaptar à rotina civil. Para ele, o Black Metal tornou-se uma válvula de escape para canalizar toda essa violência psicológica.
“Destruidores criam coisas… ou acabam destruindo a si mesmos.”
Durante a conversa, Argyris também comentou o atual cenário do Black Metal norte-americano. Embora afirme não se preocupar com disputas internas da cena, ele acredita que o gênero deve concentrar seus ataques naquilo que considera uma ameaça real.
Na sua visão, os Estados Unidos vivem um preocupante renascimento do fundamentalismo cristão, comparável ao observado nas décadas de 1980 e 1990.
“Estamos criando uma nova geração completamente doutrinada pela máquina de Jesus. Se Black Metal é uma guerra, então escolhemos combater as ameaças que realmente importam.”
Naturalmente, boa parte da entrevista girou em torno de “Nex”, novo trabalho da banda, lançado pela Adirondack Black Mass.
Quando solicitado a resumir o conceito do disco em poucas palavras, Argyris respondeu de maneira direta:
“Morte. Renascimento. Vingança.”
O músico explicou que o retorno da SICARIUS ocorreu após anos de inatividade. Depois de se afastar completamente da música em 2018, ele voltou a conversar com Carnage, único integrante remanescente após o período da pandemia.
A partir desse reencontro, ambos decidiram reconstruir a banda praticamente do zero.
Segundo Argyris, o processo de composição aconteceu de forma extremamente natural.
Carnage já possuía diversas ideias prontas e, logo após retornar ao grupo, novas composições começaram a surgir rapidamente. Em poucos meses o álbum estava completamente estruturado, enquanto as gravações consumiram aproximadamente nove meses de trabalho.
Mesmo enfrentando dificuldades — como a ausência de um baterista e de um vocalista fixo durante parte da produção — o resultado superou as expectativas da banda.
Levi Xvl assumiu as baterias do álbum, enquanto Akefalos entrou para ocupar os vocais e colaborar diretamente nas letras e nos arranjos.
Argyris considera “Nex” o trabalho que melhor representa a identidade da SICARIUS.
“Sem dúvida alguma. Este é o álbum que melhor expressa aquilo que a banda realmente é.”
Outro ponto interessante da entrevista abordou uma discussão antiga dentro do Black Metal: seria o satanismo um requisito obrigatório para que uma banda seja considerada verdadeiramente Black Metal?
Argyris responde de forma equilibrada.
Segundo ele, o gênero possui raízes profundas na magia negra e naturalmente mantém uma ligação histórica com esse universo, porém acredita que essa conexão não precisa ser necessariamente exclusiva.
Em sua visão, o verdadeiro elemento essencial do Black Metal é a oposição, a rebelião e o caos.
Ele também afirma incorporar em sua espiritualidade elementos ligados ao culto da morte, citando figuras como Qayin e Santa Muerte, símbolos que dialogam diretamente com a filosofia violenta da SICARIUS.
Encerrando a entrevista, o músico revelou que a banda já trabalha na reconstrução de sua agenda de apresentações ao vivo. Após o show de lançamento de “Nex”, realizado em Hollywood, o grupo pretende expandir suas atividades internacionais ao longo do ano.
Enquanto o Black Metal continua sendo frequentemente reduzido a estereótipos superficiais, a SICARIUS permanece defendendo uma visão mais radical do gênero: não apenas como música extrema, mas como manifestação artística voltada à confrontação, à guerra interior e ao questionamento permanente da condição humana.
Line -up:
Carnage Bass
Argyris Guitars, Vocals
Akéfalos Vocals
Fonte: This Is Black Metal.



