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VULCANO – BLOODY VENGEANCE “Resenha Clássica”

A um clássico absoluto, seu lugar de direito. Uma resenha de fan!

M. Prophanator setembro 21, 2025 4 min read

Avé, LUCIFER REX! Eu estou em processo de elaboração de um texto sobre o VULCANO fase 3. Parafraseando o próprio Zhema, é a fase com os vocais do Luiz Carlos Lousada. E, pra isso, eu revisitei toda a discrografia. Até pra entender o processo, dentro de um recorte temporal. E, realmente, não tem como não destacar o “BLOODY VENGEANCE“! Pra mim é o álbum mais brutal lançado no mundo,no ano de 1986.E eu realmente queria que alguém me provasse que eu tô errado.

O gênero que o VULCANO apresenta nesse álbum, se fosse pra definir com termos de hoje, seria um Blackened Death/Thrash metal. O que eu posso falar do VULCANO, pra ser justo? Bem, vamos lá…

Diferente de outras bandas, como as de Belo Horizonte, por exemplo, onde os caras eram músicos mais orgânicos, os caras do VULCANO tocavam muito bem. É só ver os riffs que tem espalhados pelo álbum todo – como por exemplo em “Death Metal” -, o baixo marcado, bem alto e pujante e as viradas de bateria. Os solos, mesmo caóticos, tem fundamentação técnica, não é só briga de gato.

E tudo isso dentro de um contexto de brutalidade inacreditável pra época. O Angel, na música “Bloody Vengeance” tem o vocal mais brutal que EU já vi na vida! E é o drive dele!!Como diz o Renato Black Sin and Damantion, da banda SATAN’S SIGH: Puro Marlboro vermelho!

Pra vocês entenderem o meu ponto, o “Bloody Vengeance” foi gravado no inicio de 1986 – saiu em agosto por falta de papelão pras fazer as capas -. A primeira “Warfare Noise” saiu em novembro, o Morbid Visions do Sepultura também e o INRI, do Sarcófago só no outro ano, 1987. Vamos ser sinceros: o “Bloody Vengeance” influenciou todo mundo.

E se o “Live” dava pra definir como uma mistura de Venom e Motorhead, o “Bloody Vengeance” é pura identidade própria, não tem NADA igual…Duvido que muita gente famosa, e do mundo todo, não tenha ouvido e se influenciado… O próprio Wagner Antichrist citou o Bloody Vengeance como referência. O Rodrigo Fuhrer do Holocausto também.

Além disso, a gente precisa considerar que os membros do VULCANO era um pessoal menos adolescente, mais centrado.Só ver que, já naquela época de radicalismo total, quem ajudou nos corais da Voices From Hell foi o pessoal do Golpe de Estado, uma banda de Hard Rock bem conhecida naqueles tempos.

E tem outra parada importante, essa com relação à gravação: Embora o Bloody Vengeance tenha sido gravado e mixado em 02 dias, foi num dos estudios mais top do Brasil, o “Nas Nuvens”. Por que eu tô citando isso?Simplesmente porquê o Sepultura “Morbid Visions” também foi gravado num estudio top de SP, o “Vice Versa”, e o som ficou horrível…O VULCANO, dentro da mesma falta de recurso e de bons produtores, que era comum na época, ficou do caralho! Prova que os caras do VULCANO tinham mais domínio técnico e musical e faziam metal extremo porque QUERIAM e não porque era o que conseguiam.

Até liricamente também tinha uma diferença: O Sepultura era um satanismo adolescente. o Sarcofago era mais levar a parada toda do Sepultura ao extremo.A Dorsal era politica…O VULCANO, desde o inicio, era cheio de simbologia.Só olhar a capa do EP Om Pusnhe Namah e observar os sigilos. Se você não percebeu, é porque não as chaves de interpretação.As letras do VULCANO, embora dentro do contexto da época, tem no Zhema e no parceiro de composição dele, o Carly Cooper, dois estudiosos reais de ocultismo.

E agora vamos falar diretamente das musicas: Meu amigo, não tem intro aqui não, já começa na brutalidade, é “tch, tch, tch,” e a porrada come solta, com “Dominius of Death“!! são só 23 minutos de álbum, mas a sequência é brutal!

Quem vai ter coragem de ouvir a “Ready to Explode” e dizer que o Sarcofago não se influenciou aqui? De novo, ouve a porra do riff de introdução da “Death Metal“! E “Voices from Hell? Não é palavrão tocado ao contrário não, É satanismo de verdade by Carly Cooper. E o álbum fecha inovando com Bloody Vengeance, arrastadassa, com um solo de guitarra lindão – nada de briga de gato – e, de novo, com o vocal mais bruto, fudido, desgraçado da história…

Dava pra parar aqui. Mas como não falar da capa, que foi proibida em vários países, que gerou pro Zhema o apelido de “churchburner“, dado pelos caras do Nifelheim e que algúem realmente acredita que não influenciou os caras da Noruega?

Como não falar do visual do VULCANO, que sempre foi uma desgraça: olha essas fotos da contra-capa? Couro, spikes, velas, pentagramas.. A gente não pode esquecer que foi na época do Bloody Vengeance que saiu a polemica de que pessoal do VULCANO exumava túmulo e tocava bateria com fêmur humano! E o VULCANO – quem viu ao vivo naquela época sabe – era aquele tipo de banda que os caras caiam de joelhos tocando, pura energia, pura malignidade.

Voltando lá no começo dessa resenha, primeira parada que eu disse foi que o “Bloody Vengeance” foi o disco mais extremo do mundo em 1986. Só pra comparar as bandas mais extremas que lançaram em 86: Aqui teve a Dorsal e o Sepultura. Nesse ano sairam também o “Pleasure to Kill“, o “Obsessed by Cruelty“, o “Eternal Devastation“, o “Beyond the Gates” e o “Reign in Blood“. Na boa, são clássicos, são importantíssimos mas, em termos de brutalidade, não dá nem pra comparar. Ao VULCANO seu lugar de direito!

M. Prophanator

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