Einar Selvik revisita uma obra que ultrapassou os limites da música e passou a integrar experiências pessoais, cerimônias e rituais de passagem, reafirmando a relação entre tradição, memória, espiritualidade e a permanência das manifestações culturais ancestrais.

Os noruegueses do WARDRUNA apresentam “Helvegen II”, uma nova gravação de uma das composições mais representativas de sua trajetória artística. Lançada em 30 de outubro de 2026, através da By Norse Music, a nova versão chega acompanhada de um filme musical dirigido por Tuukka Koski, colaborador de longa data do grupo, e representa uma reflexão sobre a maneira como uma obra pode ultrapassar as intenções originais de seu criador e adquirir novos significados através das experiências daqueles que a recebem.
Originalmente registrada em 2012 e posteriormente incluída no álbum Runaljod – Yggdrasil, lançado em 2013, “Helvegen” tornou-se uma composição profundamente associada às temáticas da passagem, da morte e da relação entre a existência humana e as tradições espirituais ancestrais.
Ao longo dos anos, a música passou por diferentes interpretações, arranjos e apresentações, incorporando novas possibilidades instrumentais e vocais. Entretanto, para seu compositor, Einar Selvik, a transformação mais significativa não aconteceu exclusivamente no campo musical, mas na relação estabelecida entre a composição e as pessoas que passaram a incorporá-la às suas próprias experiências de vida.
Selvik relata ter recebido inúmeros testemunhos de ouvintes que utilizaram “Helvegen” em funerais, cerimônias memoriais, casamentos e nascimentos. A composição também passou a ser interpretada coletivamente, recebendo adaptações e versões em diferentes idiomas, demonstrando sua capacidade de atravessar fronteiras culturais e assumir significados particulares em diferentes contextos.

Sobre essa trajetória, o músico declara:
“Ela havia se tornado algo maior, moldado pelas pessoas que a acolheram e pelos incontáveis momentos nos quais recebeu um lugar e um propósito. Esta gravação é a nossa maneira de reconhecer essa jornada.”
A declaração evidencia uma compreensão da música como manifestação cultural viva, cuja existência não se encerra no momento de sua criação ou registro fonográfico. Pelo contrário, sua permanência encontra continuidade nas experiências humanas que lhe atribuem novos sentidos.
“Helvegen II”: a permanência de uma tradição através da experiência humana
O significado de “Helvegen” está profundamente relacionado à ideia de travessia e ao caminho associado à morte dentro do imaginário espiritual nórdico. A composição desenvolve uma atmosfera de contemplação e solenidade, estabelecendo uma relação entre a finitude da existência e os mistérios que envolvem a passagem para além do mundo dos vivos.
Ao revisitar a obra, o WARDRUNA não procura simplesmente reproduzir sua gravação original, mas reconhecer as transformações acumuladas durante mais de uma década de apresentações e interpretações.
Desde sua primeira versão, diferentes orquestrações, participações especiais e experiências ao vivo contribuíram para ampliar as possibilidades expressivas da composição, tornando-a parte de um processo artístico em constante desenvolvimento.
Essa perspectiva encontra correspondência na própria concepção musical do WARDRUNA, cuja produção procura estabelecer conexões entre instrumentos tradicionais, manifestações vocais ancestrais e elementos simbólicos associados à história e à espiritualidade dos povos nórdicos.
A música, nesse contexto, não representa apenas uma reconstrução estética de tradições antigas, mas uma tentativa de estabelecer relações entre essas manifestações culturais e as experiências contemporâneas.
Einar Selvik sintetiza essa compreensão ao afirmar:
“Uma tradição não sobrevive verdadeiramente quando é apenas lembrada, mas quando é vivida.”
A reflexão apresentada pelo compositor constitui um dos fundamentos centrais dessa nova interpretação de “Helvegen”. A permanência de uma tradição depende de sua capacidade de continuar produzindo significados e de encontrar espaço nas experiências daqueles que a mantêm viva.
Um filme musical concebido como representação da travessia
A nova gravação de “Helvegen II” é acompanhada por uma produção cinematográfica dirigida por Tuukka Koski, responsável por trabalhos anteriores em colaboração com o WARDRUNA.
As filmagens aconteceram em locações naturais da Islândia, território cujas paisagens contribuem para a construção da atmosfera contemplativa e simbólica proposta pelo projeto.
A produção conta com a participação da dançarina finlandesa Sofia Ruija, que representa a figura da pessoa falecida através de movimentos corporais, utilizando a dança como linguagem expressiva para simbolizar a passagem entre diferentes estados da existência.
Outro elemento presente na narrativa visual é Krummi, o corvo, que assume a função de testemunha silenciosa dessa travessia.
A presença da ave acrescenta uma dimensão simbólica à composição cinematográfica, estabelecendo uma conexão com o imaginário nórdico, no qual os corvos frequentemente aparecem associados ao conhecimento, à observação e às relações entre diferentes esferas da existência.
A combinação entre música, movimento corporal e paisagem natural procura traduzir visualmente os aspectos contemplativos de “Helvegen II”, transformando a experiência sonora em uma representação cinematográfica da passagem e da memória.
Edição especial em vinil prevista para fevereiro de 2027
Além do lançamento digital, o WARDRUNA anunciou uma edição especial de “Helvegen II” em vinil de 12 polegadas, prevista para fevereiro de 2027.
A edição receberá o acabamento denominado “Marbled Fog”, com aparência marmorizada, e será comercializada exclusivamente através dos canais oficiais de venda online do grupo.
A quantidade de exemplares produzidos corresponderá ao número de unidades reservadas durante o período de pré-venda, estabelecido até 30 de novembro de 2026.
O lançamento contará ainda com um encarte de quatro páginas, complementando a apresentação física dessa nova manifestação da composição.
Tracklist — Helvegen II (Vinil 12″)
Lado A
- Helvegen II
Lado B
- Helvegen (Skaldic Version)

Músicos participantes e créditos de gravação
- Einar Selvik — Vocais, tambores, percussão, lira, taglharpa e moraharpa.
- Lindy-Fay Hella — Vocais.
- Eilif Gundersen — Lur.
- John Stenersen — Moraharpa.
- Sondre Veland — Vocais de apoio.
- Arne Sandvoll — Vocais de apoio.
- Hans Christian Dalgaard — Vocais de apoio.
- Iver Sandøy — Vocais de apoio.
Entre a memória ancestral e a continuidade das tradições
A apresentação de “Helvegen II” representa um momento significativo na trajetória do WARDRUNA, especialmente por evidenciar a maneira como determinadas composições ultrapassam sua condição original de obras musicais e passam a integrar experiências coletivas e individuais.
A relação estabelecida entre “Helvegen” e cerimônias associadas à morte, ao nascimento e à celebração da vida demonstra a capacidade da música de assumir funções que transcendem o entretenimento e a apreciação estética.
Nesse sentido, a nova gravação não constitui apenas uma releitura de uma composição anteriormente registrada, mas um reconhecimento de sua transformação ao longo do tempo.
Ao incorporar a experiência acumulada durante anos de apresentações e ao reconhecer a participação dos ouvintes na construção de seus significados, Einar Selvik reafirma uma perspectiva na qual a tradição permanece viva através de sua prática e de sua transmissão.
O filme dirigido por Tuukka Koski amplia essa concepção ao apresentar uma representação visual da travessia, utilizando a paisagem islandesa, a expressão corporal de Sofia Ruija e a presença simbólica do corvo Krummi como elementos de uma narrativa sobre passagem e continuidade.
Com “Helvegen II”, o WARDRUNA reafirma sua ligação com as manifestações culturais ancestrais e demonstra como a música pode preservar, transformar e transmitir significados através das gerações.
Mais do que revisitar uma obra de sua discografia, o grupo reconhece o percurso de uma composição que encontrou lugar em momentos fundamentais da existência humana, tornando-se parte da memória e das experiências daqueles que a acolheram.
Fonte: Kronus Mortus News.



