
O Autrest foi formado em 2022 no Rio Grande do Sul e desde então vem ganhando notoriedade por seus magníficos trabalhos, principalmente em solo Europeu onde despertou o interesse do selo alemão “”Northern Silence Productions” lançado seu segundo e mais recente trabalho “Burning Embers, Forgotten Wolves – 2025” Vamos saber mais sobre essa “One Man Band” que tem como mentor Matheus Vidor.
O Autrest é um projeto relativamente novo, criado em 2022, como surgiu a ideia de montar a banda?
Matheus Vidor – O Autrest começou no final de 2022. Desde muito cedo eu sempre gostei de compor black metal atmosférico, inspirado em bandas como Lustre, Basarabian Hills, Eldamar, entre outras que trabalham esse lado mais contemplativo, etéreo e calmo do gênero. Porém, em um determinado momento, senti a necessidade de ir além desse formato, trazendo mais peso, riffs marcantes e também velocidade para a música. Foi nesse ponto que percebi que precisava dar vida a um novo projeto, que conseguisse unir essa atmosfera e a intensidade do black metal. Assim nasceu o Autrest.
Você também tem outros projetos direcionados mais ao lado “depressivo”, no caso a banda Dispar, tem previsão para lançar um novo material?
Matheus Vidor – Sim, além do Autrest eu também mantenho o Díspar, que representa o lado mais depressivo da minha música. Esse projeto é direcionado para algo mais emocional, sem se preocupar tanto com paisagens sonoras vastas, mas sim com a intensidade do sentimento. Tenho algumas demos já gravadas para o Dispar, mas ainda sem previsão concreta de lançamento. Quero que esse material saia no momento certo, sem pressa.
Os materiais do Autrest foram lançados por um selo alemão, “Northern Silence Productions”, assim como outros de seus projetos tiveram selos, italiano e russo, é mais vantajoso fazer trabalhar com um selo de fora?
Matheus Vidor – Trabalhar com selos de fora abre muitas portas, especialmente em termos de distribuição, divulgação e alcance internacional. Logo no início dos meus projetos, tentei contato com vários selos brasileiros, mas não recebi oportunidades. Percebi então que o público que realmente consome o atmospheric black metal está fortemente concentrado lá fora. Por isso, fazer parcerias com selos estrangeiros se mostrou não apenas mais viável, mas essencial para que o Autrest chegasse a um público que de fato busca esse tipo de sonoridade.
No início o Autrest tinha sido batizado de “Mantle”, qual o motivo da mudança do nome?
Matheus Vidor – No início, o projeto foi batizado de Mantle, e cheguei a lançar a demo com esse nome. Mas dias depois, percebi que não soava tão autêntico quanto eu gostaria. Eu queria algo mais simbólico e único. Foi então que surgiu o nome Autrest;
Você, Matheus Vidor, sempre teve seus projetos como “One Man Band”, quais as principais vantagens e desvantagens de ser uma One Man Band?
Matheus Vidor – A principal vantagem de ser uma One Man Band é, sem dúvida, a liberdade criativa. Eu posso compor, gravar e produzir exatamente da maneira que imagino, sem precisar negociar ou adaptar ideias. Todo o processo é uma expressão direta daquilo que sinto e penso. Ao mesmo tempo, isso exige muito mais dedicação, pois tudo depende de mim, desde a composição até os detalhes da produção final. A maior desvantagem talvez seja não ter o intercâmbio criativo imediato que acontece em uma banda completa, onde existem diferentes pontos de vista. Mas, no meu caso, o lado positivo de poder materializar minha visão por inteiro ainda se sobressai.
E a distribuição na Alemanha dos Albuns do Autrest, como anda, como está sendo o lançamento em solo europeu?
Matheus Vidor – A recepção tem sido muito positiva, especialmente na Europa, onde o álbum conseguiu alcançar ouvintes em diversos países. A distribuição feita pela Northern Silence Productions abriu portas que dificilmente eu conseguiria sozinho, permitindo que o Autrest chegasse a públicos em outros países.
Uma pergunta bem pessoal, você tem vontade de tocar ao vivo com o Autrest, existe essa possibilidade no futuro?
Matheus Vidor – Sim, eu tenho essa vontade, e acredito que um dia isso irá acontecer, mas não é algo para agora. Para levar o Autrest ao palco, seria necessário montar uma banda de apoio e adaptar todas as camadas atmosféricas que funcionam no estúdio para uma experiência ao vivo. Isso exige planejamento e dedicação, porque não quero fazer algo pela metade. É uma ideia real para o futuro, mas, por enquanto, prefiro manter o foco no estúdio, onde consigo explorar toda a profundidade sonora que o projeto pede.
Quais as fontes inspiradoras da banda , tanto na parte temática quanto musical?
Matheus Vidor – Musicalmente, minhas maiores inspirações vêm de bandas como Can Bardd, Saor, Caladan Brood, Elderwind e Eldamar, além de influências da segunda onda do black metal e também do blackgaze. Já no lado temático, minha maior inspiração é a própria natureza. As florestas das montanhas da região onde vivo, a música que faço é como uma trilha para esses momentos de contato direto com a natureza, quase como um reflexo sonoro dessas experiências.
Existe alguma One Man Band que pra você é uma referência, aqui no Brasil e lá fora também?
Matheus Vidor – Pra mim, sem dúvida, o grande destaque é o Thy Light. É uma referência não só no Brasil, mas também internacionalmente. Além dele, vejo muitos projetos interessantes surgindo no cenário brasileiro, o que mostra a força do underground. Eu admiro todo artista que consegue levar adiante sozinho um projeto, porque sei o quanto isso exige dedicação e persistência.
Quais os planos futuros frente ao Autrest?
Matheus Vidor – Seguir expandindo a sonoridade. Quero explorar ainda mais esse estilo, sem perder a identidade já construída, tenho muita coisa nova para um próximo álbum, então é questão de tempo até tudo ficar pronto e finalizar os últimos detalhes, pois quero que fique ainda mais especial que ”Burning Embers, Forgotten Wolves”.
Agradeço pela entrevista, meu amigo Matheus Vidor… Deixe suas palavras finais para os admiradores do Autrest…
Matheus Vidor – Eu que agradeço pela oportunidade. Gostaria de deixar minha gratidão a todos que acompanham o Autrest e enviam mensagens de apoio. É incrível perceber que a música, que nasceu de momentos de introspecção pessoal, conseguiu se conectar com tantas pessoas diferentes ao redor do mundo. Em breve, também terei material do Autrest disponível oficialmente aqui no Brasil, para que os ouvintes daqui possam ter acesso mais fácil. Abraços.
Autrest –
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Bandcamp: Burning Embers, Forgotten Wolves | Autrest
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Metal Archives: Autrest – Encyclopaedia Metallum: The Metal Archives



