Sado Baron Zsandor Kastiphas é uma alma obscura que vagueia pelo necrounderground há décadas. Tendo sua energia nefasta registrada em diversas manifestações malignas como Forsaken, Eternal Sacrifice, Morbid Perversion, Mystifier, The Cross, In Infernal War, esse ser do submundo traz ao mundo físico, sua própria essência, que como mentor se revela com o nome de KASTIPHAS…
KASTIPHAS foi um projeto one-man -band, que teve seu primeiro trabalho em 2002, com a demo “Apenas os Sábios Possuem as Sombras”. 16 anos após, retornam como duo, e mais recentemente se apresentam como um infernal trio. Qual foi o momento que perceberam a necessidade desse retorno e o por que de ter uma formação estabilizada como banda?
Kastiphas: O que me motivou a evoluir para uma criação de um Tormentor Black Death Metal foi a necessidade de começar algo com as temáticas mais abrangentes e explícitas em apresentações ao vivo como mentor e convocar alguém próximo, que estivesse com a mesma vibração da intenção sonora e temática. Eu como Front Man fiquei muito tempo sem executar a função de vocalista… senti uma necessidade extrema de voltar a atividade dessa forma em palco e gravações.
Essa recente formação é de seres que vagam há décadas no submundo do metal extremo. O que difere o KASTIPHAS, musicalmente e liricamente, das demais hordas que os membros participaram/participam?
Kastiphas: Minhas inspirações são de atmosferas atormentadas e agressivas. Desde uma dinâmica arrastada ou agressiva que possa ser canalizada por quem escuta de uma forma intensa. A Intensões das características sonoras foram criadas naturalmente, quando passou a existir e ter um conjunto de sons, que eu fui pensar como intitular e analisar as influências. A construção foi feita em uma espontaneidade de improvisos antes de ser esquematizada para gravar. Citações de Aleister Crowley é uma inspiração temática qual usamos em boa parte das letras.
No último trabalho, “Intense Bewitched Instinct”, percebo que a temática do sagrado feminino, intrínseco no ocultismo, é algo marcante. Fale-nos um pouco sobre este tema na ótica da banda.
Kastiphas: As entidades femininas são importantes para a organização, o desenvolvimento e a transmissão de poder nas nas práticas mágicas, além de representarem a força, a sabedoria ancestral e a conexão com a natureza e o sagrado feminino. A intenção representativa do sangue da criação, sangue da ovulação e o sangue da dor…Reflete de vários ângulos que diferem a cada estado emocional que o ser humano instintivamente sente na existência. Nos leva a um êxtase de emoções em tudo que é ligado aos instintos de uma forma enfeitiçada e com a dinâmica expressiva que caminha desde o Tormento agressivo das sensações explosivas da alma tanto a lascividade de encantamentos nas dimensões que nos desperta a espiritualidade em vibrações astrais em conexão sexual.
Ainda falando sobre o feminino, como vocês enxergam o papel da mulher no Metal Extremo? Andam por campo minado machista ou isso é algo do passado?
Kastiphas: Um fator importantíssimo e significativo ao nosso meio é o ideal de cada ser que cria (Além de tocar um instrumento), a ser expressado, seja homem ou mulher. A todos que adentram a esse conjunto de fatores que envolve a contra cultura, a expressão do pensar e a quebra de barreiras por uma ferramenta que é o modo artístico musical. O machismo é discrepante diante de tanta arte de pensar que nos rodeia. De certa forma existe sim, ao observarmos aleatoriamente em alguma atitude engessada das pessoas.
“A vida sem prazer não é vida, apenas escravidão“. Nessa concepção do KASTIPHAS, como o prazer é escravizado? Há limites para os prazeres carnais? No Metal Extremo o preconceito pela homossexualidade é grande, isso também não seria uma contradição e também uma forma de escravidão para aqueles que estão inseridos neste estilo de vida underground, mas precisam ocultar seus prazeres?
Kastiphas: Penso que os nossos sentidos devam ser explorados e usados da melhor forma de adaptação aqui na terra, de uma maneira fluida e existente ao nosso favor. Que não seja invasiva a quem tem opção e gostos distintos dos mais próximos. A discriminação e o preconceito sobre o homossexualismo no Metal vão existir por mentes retrógadas e que geralmente estão presos a uma cultura machista.
A cena nacional também estigmatiza bandas em que ex-membros sucumbem ao cristianismo. Apesar das bandas expulsarem o “traidor”, reformularem sua formação, muitas vezes os “juízes” da cena são implacáveis. Como você ver essa situação e conduta?
Kastiphas: Acredito que a fase pra conhecermos o nosso íntimo seria na infância e adolescência. E criarmos a personalidade a partir das experiências pessoais. Tais como sexualidade, gosto musical, índole, opção religiosa, profissão… Portanto quem se descobre depois, geralmente foi embalado pelo fluxo de se manter uma postura porque tem banda até que algo na vida aconteça e descubra de outras formas de agir e pensar. A depender da situação um ex-membro não pesa nos ideais da banda que vai continuar as atividades sem ele.
Por fim, deixe suas considerações finais e nos diga uma curiosidade: KASTIPHAS, qual música deveria tocar em seu funeral e por que?
Kastiphas: Para o meu funeral a marcha fúnebre de Chopin mesclada com a marcha fúnebre de The Sign Of The Unholy Cross. A música clássica sempre me inspirou pra compor e pra sentir atmosferas intensas nas dinâmicas dos estados abissais da mente. Desde as audições nos desenhos animados, nos filmes de terror e nas sessões matinais em família. E depois que conheci o metal ouvi essa marcha fúnebre do “The Sign Of the Unholy Cross” agressiva, com riffs de guitarra, bateria e berros. Que me marcou bastante pra seguir nas buscas de mais bandas nesse estilo. Muito grato aos que se conectam intrinsecamente e absorvem as manifestações de minhas composições e ideais em comum, assim dando força a essa atmosfera que ecoa pelo universo. Oque a voz não fala, a alma exala!! Atormentemos os importunos desprazeres da alma e regurgitemos a trindade sagrada anulando com blasfêmia a inconveniência petulante que nos afrontam. Meus atormentados cumprimentos!!!
Galeria:
Confiram a faixa ‘The Nervous Dust That Invokes the Exalted Dimension (Satanic Drugs in Insane Rites with Alcohol)‘ que está no álbum “Intense Bewitched Instinct”:










