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DEATHRAISER: FORJADOS NO ÓDIO, DE VOLTA À GUERRA

Anton Naberius outubro 9, 2026 9 min read

Após quatorze anos, a DEATHRAISER encerra um longo ciclo de silêncio com Forged in Hatred, um álbum que transforma frustração, experiências pessoais e indignação diante do mundo em Thrash Metal agressivo, visceral e fiel às raízes do underground.

Após quatorze anos de Violent Aggression, a DEATHRAISER retorna com Forged in Hatred, álbum que transforma o longo período de hiato, as experiências acumuladas e a indignação diante da realidade em um Thrash Metal agressivo, visceral e fiel às raízes do underground. Com influências que passam pelo Metal mineiro, Thrash alemão e a cena extrema norte-americana dos anos 1980 e 1990, o novo trabalho reafirma a identidade da banda ao mesmo tempo em que aborda temas como tragédias sociais, exploração, destruição ambiental e alienação tecnológica. Em entrevista ao Portal Lucifer Rex, William fala sobre o processo de criação, a produção do disco, a cena brasileira, a parceria com a Xtreem Music e os novos caminhos da DEATHRAISER.

Antes de iniciarmos nossa entrevista, gostaríamos de agradecer à DEATHRAISER por aceitar o convite do Portal Lucifer Rex. É uma satisfação receber uma banda que, desde os primórdios de sua trajetória, mantém viva a essência do Thrash Metal mais agressivo e autêntico. Desejamos sucesso no lançamento de Forged in Hatred e agradecemos pela disponibilidade em compartilhar um pouco dessa nova fase com nossos leitores. Sejam muito bem-vindos ao Lucifer Rex!

1 Depois de quatorze anos desde Violent Aggression, Forged in Hatred finalmente chega ao público. O que este novo álbum representa para a história da DEATHRAISER e quais foram as principais mudanças musicais e pessoais que aconteceram entre um disco e outro?

William: Saudações Headbangers e a todos do Portal Lucifer Rex, pra gente é um prazer trocar essa ideia com vocês e agradecemos o oportunidade, são muitos anos de lá pra cá, e com certeza esse álbum fecha um ciclo de hiato que a banda sofreu, pensamos que tínhamos que lançar algo novo a muitos anos, mas devido as intempéries da vida, culminou nesse grande atraso, mas enfim conseguimos gravar e lançar esse tão aguardado álbum, queríamos poder mostrar essas músicas novas depois de muita dedicação a cada detalhe, e o álbum reflete essa evolução da banda, tanto na composição como no aspecto individual de cada integrante, já é um grande marco pra gente poder ter lançado esse álbum, e ficamos muitos felizes com o resultado.

2 Embora a banda tenha permanecido ativa ao longo desse período, houve um intervalo bastante longo entre os álbuns. O que motivou essa pausa nos lançamentos e por que este foi o momento ideal para apresentar Forged in Hatred ao mundo?

William: Tivemos vários problemas pessoais durante esses anos que nos impossibilitou uma retomada com mais gás na banda, mas ao mesmo tempo nunca paramos de compor, tanto que tínhamos músicas prontas mesmo após o “Violent Aggression”, e de lá pra cá fomos lapidando melhor, nosso processo de composição também é bastante lento, pois queremos dar o melhor em cada música, por isso nesse novo trabalho acho que fizemos as melhores músicas das nossas vidas hahaha.

3 A sonoridade da DEATHRAISER sempre remete ao Thrash Metal mais clássico e agressivo. Quais bandas e discos tiveram maior influência na construção da identidade musical do grupo? Essas referências permanecem as mesmas ou novos nomes passaram a fazer parte do processo criativo?

William: Desde o início do Deathraiser, sempre queríamos soar aquele Thrash Metal Old School, com aquela pegada clássica de bandas da onda mais agressiva do thrash, o metal mineiro nos influenciou demais durante nossa trajetória, Sepultura, sarcófago, Chakal, Mutilator, e claro, o thrash metal alemão, Kreator principalmente, Sodom, Destruction, e também aquela cena mais Thrash/Death dos EUA do final dos anos 80 início dos 90, Demolition Hammer, Evildead, Malevolent Creation, Death, Slayer. Essas referências sempre se mantiveram e fortalecem a nossa identidade.

4 Produzir um álbum independente continua sendo um grande desafio para bandas de Metal extremo. Quais foram as maiores dificuldades encontradas durante a composição, gravação, produção e lançamento de Forged in Hatred? Em contrapartida, quais facilidades a tecnologia e a experiência adquirida ao longo dos anos proporcionaram desta vez?

William: Com certeza na época do nosso primeiro álbum as coisas eram mais difíceis, de lá pra cá muita coisa mudou, houve facilidades e dificuldades, durante esse novo álbum tivemos mais facilidade com a questão de gravação e produção, já preparamos melhor as músicas, ensaiamos mais, então o processo de gravação foi bem rápido e mais tranquilo, gravamos as guitarras e baixos em casa, e baterias e vocais no estúdio, isso nos facilitou demais, além de poder contar com uma qualidade analógica no Tellus Estudio onde houve toda a produção, ficamos muitos satisfeitos com a qualidade do disco, foi exatamente o que planejamos.

5 O Brasil possui uma tradição extremamente forte dentro do Thrash Metal, com nomes que influenciaram gerações em todo o mundo. Como vocês avaliam a cena brasileira atualmente? Existem bandas mais novas que chamam a atenção de vocês e que acreditam merecer maior reconhecimento?

William: O Brasil sempre foi um celeiro de ótimas bandas de Thrash e de Metal, cabe essas bandas serem mais divulgadas e ouvidas, com essa era digital sinto as vezes que as coisas acontecem muito mais rápido e as pessoas as vezes não dão a atenção devida as bandas nacionais, sempre focando em fofocas e bandas que todo mundo estão cansados de falar, sempre os mesmos assuntos, essa é a parte ruim disso tudo, mas temos muitas bandas boas que estão fazendo um belo trabalho, posso indicar algumas de amigos e que escutamos também, Sadistic Messiah, Creatures, Damn Youth, Blasthrash, Violator, Farscape, Ereboros, entre uma vasta quantidade de bandas que merecem a atenção do ouvinte.

6 Voltando o olhar para a cena internacional, quais bandas vocês têm escutado com mais frequência nos últimos anos? Há grupos contemporâneos de Thrash ou mesmo de outros estilos do Metal extremo que vêm inspirando ou surpreendendo os integrantes da DEATHRAISER?

William: Nos últimos anos tenho escutado de tudo um pouco, desde o metal clássico ao Grindcore, no thrash uma das bandas que mais curto e que sempre surpreende a cada lançamento é o Violator, também o Warbringer, no Death old School tem o Skeletal Remains, Gruesome também, com certeza essas bandas nos inspira também a manter essa chama acessa.

7 O título Forged in Hatred desperta imediatamente a curiosidade. Existe um conceito central que une as composições do álbum ou cada música desenvolve uma temática própria? Sobre o que tratam as letras e quais reflexões vocês pretendem transmitir ao ouvinte?

William: O conceito do álbum expressa bem o título, as composições se identificam, apesar de assuntos diferentes, Forged in Hatred expressa toda nossa raiva contida nesses anos em que a banda ficou em “Hiato”, e se revela no lançamento, forjado no ódio remete também a maioria das letras, pois cada assunto ali expressa um pouco da nossa visão sobre o mundo, dessa vez num aspecto mais realista, com letras de assuntos reais, do passado e do presente, e quem sabe do futuro, com uma visão mais pessimista das coisas, tem letras que falam desde a tragédia que aconteceu aqui no Brasil na pandemia, indo para o passado com o Holocausto Brasileiro, passando por essa escravidão capitalista em que a gente vive, onde a ganancia destrói a natureza e as pessoas, e também sobre essa Idiotização virtual, onde as pessoas estão lobotomizada por uma tela de celular, uma epidemia de ignorância diante dos nossos olhos.

8 A identidade visual sempre foi um elemento importante dentro do Heavy Metal. Gostaríamos que vocês comentassem sobre a arte de capa de Forged in Hatred: como surgiu o conceito visual, quem foi o responsável pelo trabalho artístico e de que forma essa imagem dialoga com a proposta musical e lírica do álbum?

William: Sempre nos preocupamos com a capa do disco, sempre fomos muito fã disso, acho que a capa além de expressar o sentido do disco, e ela que dá o impacto a primeira vista, queríamos algo na cor vermelha, que passasse aquela visão mórbida, pesada e agressiva, de álbuns como Beneath the remains (Sepultura), Game over (Nuclear Assault), Pleasure to Kill (Kreator), dessa vez optamos por um artista Brasileiro, o Carioca Bebeto Daroz, que fez essa arte linda, uma caveira decadente em chamas, combinando exatamente com a proposta lírica do disco, que expressa toda nossa raiva diante a realidade.

9 Aproveitando esse assunto, poderiam compartilhar com nossos leitores alguns detalhes da ficha técnica do disco? Quem assinou a produção, gravação, mixagem, masterização e demais aspectos técnicos? Houve alguma preocupação específica em alcançar uma sonoridade que representasse fielmente a essência da DEATHRAISER?

William: Muito bom você comentar sobre isso, eu sempre ficava vendo atrás dos vinis a ficha tecnica, qual o estúdio, quem produziu, sempre gostei disso, nesse disco, optamos por gravar as guitarras e o baixo em casa, finalizando com a bateria e vocais no Tellus estúdio em Niterói-RJ, com a produção/Mix/Master do Caio Mendonça, Ex-Lacerated in Carbonized, que fez um ótimo trabalho, utilizando somente equipamentos analógicos de ótima qualidade, garantindo assim uma qualidade foda de som que buscávamos, queríamos uma gravação que remete-se  aquela fase final dos anos 80, início dos anos 90, uma coisa suja mas ao mesmo tempo refinada, estilo Beneath the remains, Cause of Death, Arise, Extreme Aggression, curtimos muito o resultado final.

10 Ao longo da carreira, vocês dividiram palco com inúmeras bandas nacionais e internacionais e acompanharam diferentes fases do underground. Como enxergam a evolução do público de Thrash Metal? A nova geração tem valorizado as raízes do gênero ou vocês percebem mudanças significativas na forma como o estilo é consumido hoje?

William: Sinto que o mundo mudou muito após a pandemia, em certos aspectos as coisas mudaram demais, a tecnologia veio com força, hoje você consegue “tudo” de graça e no tempo que você quiser, acho que ao mesmo tempo que tem seus benefícios isso atrapalhou também, deixou as pessoas mais preguiçosas, mas também trouxe a nova geração, que não vive sem celular, então hoje você tem que se adequar a isso ou você morre, tudo está na internet, e acontece pela internet, então nesse aspecto ficamos reféns disso, mas ao mesmo tempo vejo a nova geração ainda se interessando por metal, e comparecem em nossos shows, acho isso foda demais, e acredito que ainda acontece essa renovação da cena, e precisa ter pra manter esse legado.

11 A parceria com a Xtreem Music continua sendo um importante elo entre a banda e o mercado internacional. Como essa relação contribui para a divulgação da DEATHRAISER no exterior e quais são as expectativas para a recepção de Forged in Hatred fora do Brasil?

William: Nossa parceria até então foi muito positiva, de início fechamos em 2 álbuns, e com o Forged fechamos esse ciclo, a Xtreem sempre fez um ótimo trabalho, nossa relação sempre foi ótima, Dave Rotten é um cara do Underground, ele esteve lá quando tudo começou, então sabe como funciona, nos deu todo o suporte que precisávamos, e acho que isso contribuiu demais pra divulgação do nosso nome na Europa e resto do mundo, e com certeza a recepção está sendo ótima, tivemos dessa vez o lançamento em Vinil,Cd,K7, coisa que sempre sonhávamos desde a adolescência, isso foi muito importante pra gente, e acredito que para o fã de Thrash Metal também, pois além de ouvinte curto muito colecionar material físico.

12 Para os leitores do Portal Lucifer Rex que desejam conhecer melhor a DEATHRAISER e adquirir Forged in Hatred, onde o álbum estará disponível? Quais são os canais oficiais da banda, formatos de lançamento (CD, LP, cassete, streaming etc.) e onde o público pode acompanhar novidades, agenda de shows e adquirir o merchandising oficial?

William: Já está no ar a nossa loja virtual (https://deathraisermerch.lojavirtualnuvem.com.br/) nela vocês podem adquirir todo nosso material, cds, camisas, vinil, Fita K7 e em breve mais novidades na loja, para acompanhar a banda sigam nossas redes sociais:
instagram.com/deathraiserofficial
facebook.com/deathraiserofficial
youtube.com/deathraiserofficial
por lá postamos tudo sobre a banda, agenda de shows, merch, e muito mais.

Quero agradecer a vocês pela oportunidade de estarmos aqui no Portal Lucifer Rex, a todos que acompanham o portal e a banda, esperamos encontrar cada um de vocês nos shows pela vida, em breve mais novidades da banda, acompanhem nossas redes, Thrash or be Thrashed!

Anton Naberius

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Tags: Anton Naberius brazilian thrash metal Death Thrash Metal lucifer rex portal lucifer.rex.magazine metal nacional Old School Thrash Metal thrash metal Underground webzine

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