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EMINENT SHADOW – Mantendo a tradição do Death Metal Old School.

" Somos vistos com maus olhos para a sociedade que nos julgam. Mal sabem que eles são manipulados. A guerra nunca acabará. Agora "bangers" que apoiam isso, eu não entendo. Pra mim, são pseudos bangers na cena, sem crédito nenhum."

Giovan Dias junho 26, 2026 9 min read

EMINENT SHADOW é uma das grandes representantes do Death Metal Nacional. Entre sombras e ao seu tempo, a banda vem há anos firmando seu nome com respeito e fidelidade ao estilo sem se preocupar com holofotes. Conversamos com o guitarrista e um dos fundadores, Lamartine Jansen. Confiram!

Por: Giovan Dias (*).

Foram 8 anos aguardando a nova manifestação do EMINENT SHADOW. Finalmente o terceiro full da banda, “Dawn of the Dark Age – Inferno Diaboli” veio ao mundo anunciando a era das trevas. Apresente este trabalho, aos que por acaso, ainda desconhecem.

Lamartine: Saudações, Giovan e Lucifer Rex Magazine! Começamos a compor esse álbum depois do lançamento do ep “Perverted Liturgy” que saiu em 2017. Fomos compondo aos poucos com a intenção de continuar a fazer nosso old school Death Metal. Já tínhamos algumas músicas prontas quando, em 2019/2020, veio a pandemia que nos forçou a dar uma pausa nos ensaios. Aos poucos fomos retomando e em 2022 nosso baterista Marcelo saiu da banda. No mesmo ano, convidamos um velho amigo nosso, o Iago (ex-Nauseous Surgery) a entrar na banda. Iago pegou todas as músicas já feitas e ainda ajudou a compor o restante do álbum fazendo um grande trabalho. O que nos impressionou bastante foi que Iago estava sem tocar bateria há 10 anos!!! Durante esse processo, Dimitri fez um dedilhado no violão e me mostrou daí surgiu uma ideia de compor uma música instrumental no meio do álbum. Algo parecido com que o Morbid Angel fez no Blessed Are The Sick por exemplo e outras bandas dos anos 90. Toquei violoncelo e acrescentei um solo de guitarra no final. Apesar de ser curta, essa música é um diferencial nesse disco porque é algo que nunca fizemos e por isso um desafio. O restante do álbum são músicas que trazem características que sempre gostamos de usar como peso, morbidez e um Death Metal cadenciado característico dos anos 90. Ricardo Lucas do selo peruano Crypts of Eternity se interessou em lançar. Como já tínhamos trabalhado com ele no ep “Perverted Liturgy” e pelo fato de ser um selo respeitado com grandes bandas no cast aceitamos e durante esse processo, fui indicado a procurar o artista Cayo Farias que fez um ótimo desenho pra capa utilizando nossas ideias e acrescentando elementos baseados em nossas letras e conceitos. Nossa foto foi tirada por um grande amigo nosso, Renato Young e a arte gráfica foi feita pelo Joseph Curwen da grande banda Unaussprechlichen Kulten. Gravamos no Formigueiro Studio aqui em Brasília. Como visto, foi um trabalho desenvolvido com muitos obstáculos, mas que no final nos agradou bastante e que muitos o consideram nosso melhor álbum.

Muito interessante essa ficha técnica do álbum e toda trajetória até sua finalização. O selo peruano Crypts of Eternity Productions tem uma atenção especial ao Death Metal feito no Brasil, é indiscutível. Mas por aqui há alguma possibilidade ou tratativas para um lançamento nacional?

Desde 2017, a gente trabalha com a Crypt of Eternity e o Ricardo Lucas sempre faz uma grande distribuição na América do Sul e outros países. Já vi nosso CD vender em selos da Itália, Rússia, Alemanha. Estamos querendo muito fazer um lançamento nacional e até o momento não temos proposta. Seria muito bom ter além do novo trabalho o ep “Perverty Liturgy” que também não foi lançado aqui no Brasil, pois nem todo mundo pode comprar material importado.

Pois é. Recentemente li uma postagem em que se comenta que os lançamentos de bandas nacionais estão encalhando nos selos, diferente dos relançamentos de bandas gringas. Você concorda que o público brasileiro ainda não valoriza o prato da casa da forma que merece?

O Brasil tem essa cultura de valorizar o que é de fora. Isso não acontece só na música. Desde pequeno, observo que todo produto comercial importado tem mais valor do que o nacional. Até para ser valorizado no Brasil você tem que se igualar ao que é feito no exterior. Se você observar, vai perceber que consumimos muito cinema, séries, livros, bebidas e música gringa, muitas vezes desconhecendo o que é produzido aqui. Pra você ter ideia, em 1950, Nelson Rodrigues usou a expressão “complexo de vira-lata” ao se referir a essa atitude. É um costume bem enraizado no brasileiro. Eu concordo com esse comentário e acho que as bandas mais novas sofrem mais com isso porque não têm uma identidade ainda conhecida fora que hoje o consumo da música mudou bastante a ponto de só colecionadores têm o costume de comprar material físico.

Voltando ao novo álbum, a intro é de autoria de Mist e Zalmonix Cervicapri da horda DENIAL REDEMPTION. Como é a relação do EMINENT SHADOW com a cena e o público de Brasília. E o que vocês destacam hoje por aí?

Os membros do Denied Redemption são amigos nossos de longa data. Mist é amigo do Xandy e Dimitri desde da adolescência e sempre nos apoiaram a ponto de organizarem shows conosco. São excelentes pessoas que temos um grande respeito e foi algo natural convidarem eles para desenvolver a nossa intro. Sobre nossa relação com a cena e público de Brasília, não temos problemas com ninguém e por questão de afinidade temos mais contatos com bandas contemporâneas a nossa. É difícil destacar bandas porque Brasília tem muita banda e sempre se corre o risco de ser injusto ou esquecer de alguém. Como eu disse, por questão de afinidade destaco as contemporâneas: Embalmed Souls, Nauseous Surgery, Valhalla, Vultos Vocíferos, Denied Redemption, Human Atrocity, Miasthenia, Nightmare Slaughter, Insolitum e Uncouth.

Já na primeira faixa encontramos o mais puro ódio contra a cristandade. “ Apocalyptic Chaos” declara guerra à santíssima trindade. Em termos de Brasil você acha que estamos perdendo essa guerra quando vemos uma bancada evangélica cada vez mais forte na política, no suposto Estado Laico, ou até mesmo no nosso underground, onde bangers apoiam aqueles que tem como slogan “Deus, Pátria e Família “?

O Congresso Nacional é a cara da população brasileira e a bancada evangélica representa a mentalidade de alguns brasileiros. Não digo todos porque não me incluo nisso. Há tempos estamos presenciando um aumento dos evangélicos e os políticos envergam isso como votos, por isso usar discursos como “Deus, Pátria e Família” e defender dogmas pra eles são importantes porque é uma forma de alinhamento com esse povo e uma forma de se manter no poder. Nós bangers sempre fomos a minoria da população. Acho que cerca de 16% da população mundial são ateus, agnósticos ou não possuem religião. Somos vistos com maus olhos para a sociedade que nos julgam. Mal sabem que eles são manipulados. A guerra nunca acabará. Agora “bangers” que apoiam isso, eu não entendo. Pra mim, são pseudos bangers na cena sem crédito nenhum. At war with Satan!!!

Você faz parte da banda desde o início dessa jornada, juntamente com o grande amigo Dimitri, sempre com a espada em punho. O que mais significativo mudou na sonoridade da banda desde a demo “Warrior Of The Centuries” até este novo álbum?

Desde do início, temos como definição do Death Metal como um som pesado, sombrio, mórbido e agressivo. Na demo, buscamos uma sonoridade mais pesada e mórbida. Usamos muito esses elementos a ponto de nos rotularem como uma banda de Death Doom Metal. Com o passar do tempo, surgiram várias bandas de Death Doom que usavam muito teclados, vocais líricos e não era o som que queríamos fazer. Queríamos tocar Death Metal. A partir dessa percepção começamos a usar mais elementos do Death Metal sem deixar nosso lado pesado e obscuro. Acho que essa mudança foi a mais significativa para moldar o som que fazemos hoje. Não somos uma banda de Brutal Death Metal, mas sim uma banda Death Metal Old School influenciada pelas bandas dos anos 90 e por nossas influências individuais.

Falando em Old School, isso me remete a um assunto. EMINENT SHADOW é uma banda respeitada e conceituada no underground. Contudo, é uma banda mais restrita no que se refere a modernidade atual, sem redes sociais, sem muitas evidências. É uma escolha natural da banda ou algo pensado e decidido. Por que?

Sobre contatos, desde do início eles eram feitos pelo Messias por carta. Quando ele saiu, nós dividimos essa tarefa entre mim e o Dimitri. Com o passar do tempo, percebi que nossas cartas não eram mais respondidas e passamos a usar o e-mail. Eu deixei de usar e-mail pelo mesmo motivo das correspondências, mas o Dimitri continua a usar e-mail como principal contato para a banda. Então fiz uma conta pessoal no Facebook e no Instagram na qual também divulgo algumas coisas da banda e serve também como meio de contato. O Xandy e o Iago também têm uma conta. Além disso, subi para o YouTube dois álbuns: “Final War” e o “In the Fog of the night…We burn his Kingdom”. Não somos totalmente escondidos, mas como você mencionou, somos um pouco restritos não por algo pensado ou decidido. Cada membro tem sua vida particular e manter uma ou mais redes sociais leva tempo. Acho que a banda não precisa ser “arroz de festa”, ou seja, estar nas redes todo o dia pra ser lembrada. Nossa prioridade é continuar a compor e gravar nossos materiais.

Como anda as apresentações ao vivo? Não pensam em desbravar o país e até mesmo a América do Sul espalhando seus hinos de discórdia e maldade? Ou esse é mais um fato do que questionei acima em ser uma banda mais restrita e até mesmo preocupada no terreno que vai pisar?

Somos uma banda que toca pouco ao vivo, desde o início. Em média, tocamos uma ou duas vezes ao ano. Gostamos de tocar com bandas que admiramos e fazer um show completo pra quem gosta de Death Metal, além do fato que cada membro tem suas atividades e nem sempre as agendas se encaixam. Nos dedicamos muito a fazer um show com set ensaiado buscando mostrar algo novo com tudo organizado e fazer isso toda semana é cansativo pra gente e para o público. Praticamente paramos de compor para nos organizar e fazer um bom show. Apesar de ser uma média restrita, gostamos de conhecer novos lugares e mostrar a banda ao vivo, porém é desnecessário tocar toda semana. O público fica entediado e não há novidades para se mostrar. É mais interessante apresentar um repertório esporádico do que algo repetitivo.

Agradecemos muito por nos conceder essa entrevista. Deixe aqui suas considerações finais. O espaço é todo seu para profanar e amaldiçoar quem quiser.

Gostaria de agradecer a você, Giovan, e ao Magazine Lucifer Rex pelo apoio. Lembro que no final do ano nosso álbum estávamos entre as listas dos melhores do ano de 2024 pelo magazine e isso nos motivou e nos orgulhou muito. Obrigado! Esse ano de 2025 vai ser dedicado a composição e eventuais shows que possam surgir. Também estamos aguardando a versão em vinil do nosso álbum: “Dawn of the Dark Age – Inferno Diaboli” que sairá pelo selo peruano Crypt of Eternity. Deathbangers que queiram entrar em contato conosco pra trocar ideia, falar de metal e saber mais sobre nosso trabalho sintam-se à vontade. Podem nos enviar mensagens pelo e-mail: eminentshadow@gmail.com ou entrar em contato pelo meu facebook: Lamartine Jansen e lamartine666 no instagram. Only Death is Real!!!

(*) Entrevista inicialmente publicada na Lucifer Rex Magazine nº02.

Giovan Dias

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