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Insubmissa e Autêntica: O Legado, a Evolução e a Essência de ONOSKELIS

"Eu Apenas Faço o Que Tenho Vontade": A Arte Instintiva e Soberana da Onoskelis

Rah Brilhante julho 24, 2026 10 min read

Saudações, Ruth! Seja muito bem vinda a este espaço, onde iremos bater um papo e atualizar os leitores sobre o que vem ocorrendo com a sua arte musical, Onoskelis. 

Obrigada pelo convite Raíssa, e principalmente pela paciência para a conclusão desta entrevista. É sabido que sairia antes, mas como eu estava bem atarefada, foi impossível cumprir a agenda. E eu prefiro sempre fazer o que deve ser feito de forma qualitativa e satisfatória.
É sempre bom estar atuante também fora das mídias sociais.
O ato de responder a uma entrevista do próprio punho é algo nostálgico, já que vem se tornando um clássico diante de tantos meios tecnológicos.

Como você se sente hoje, após ter realizado tantos feitos em tão pouco tempo com a Onoskelis, a partir dos disputados convites dos selos?  

 Por incrível que pareça, eu nunca me dei por satisfeita. E esse era exatamente o meu receio antes de assumir “um retorno”, porque eu sabia que não iria me satisfazer apenas com relançamentos, repetições… Mesmo que, com belas edições diferenciadas e limitadas… Embora tudo tenha partido através de meu material anterior, eu jamais me manteria “ativa” apenas com relançamentos. 
Então, para mim, no mínimo, teria que lançar alguns singles, a princípio.

O que foi para você, levar seu trabalho para o palco em um show com bandas BM? 

Sinceramente, isso não me assustou. O que me manteve em estado de alerta, foi o fato de conduzir um trabalho que nunca fora projetado para palcos. Organizar roteirização, performance, balancear partes programadas e partes que iriam ao vivo, gerir tudo sozinha pela primeira vez, com a minha persona no front. 
Quando estamos entregues ao que fazemos, o estilo, a origem ou a curva, é um mero detalhe. Estava muito à vontade, firme e segura. Me preparei significativamente para o momento, e isso me deu o respaldo cabível para entregar uma apresentação honrosa.

O que mudou para a Onoskelis após a sua primeira aparição ao vivo? 

 Certamente a apresentação ao vivo me trouxe um arrefecimento de qualquer insegurança no que tange uma apresentação, um contato direto, o olho no olho com o público.
Me trouxe muito mais força e a certeza de que posso fazer muito mais e melhor. O “Diabolus in music” foi uma virada de chave, onde eu vi que meus limites podem e devem ser quebrados, e são muito menores do que imaginei. 

 Sabemos que a sua apresentação na primeira edição Espanhola “, Mazmorra Arcana”, foi e causou uma grande sensação e surpresa entre a comunidade DS e até mesmo para apreciadores do estilo. Você esperava por toda essa repercussão, tendo em vista que a sua apresentação contém o maior número de visualizações no YouTube? 

A realização desta live foi uma crescente para mim. Quando voltei meus olhos para este acontecimento, sequer imaginei que poderia também ser um material Portfólio.
Eu não esperava nada além da surpresa de algumas pessoas, que imaginavam ver e ouvir uma Onoskelis “OLD”. E foi assim que as coisas andaram. Alguns amaram e outros (poucos) torceram o nariz, já que ali eu estava demonstrando uma “nova era” de meu trabalho. Mas eu sempre ouço das pessoas que apesar da evolução, a essência permanece. 

Como você encara a mudança (evolução) de sua música? 

 Com muita naturalidade. O que está sendo executado hoje, nada mais é do que a realização de desejos que eu buscava realizar nos anos 90. 

 Houve críticas devido a esta transição? 

Sempre tem, e isso é absolutamente normal. Eu estranharia se as reações fossem inócuas. 
O que não causa reação, não tem vida!
Eu sou muito segura quanto a isso e respeito opiniões, mas antes de tudo, respeito a minha vontade e a partir do momento em que você realiza algo, sem se importar com a validação alheia, você sobe mais alguns degraus em sua evolução pessoal.

 Suas influências mudaram ou são as mesmas? 

 Existem músicas, bandas, histórias que continuam sendo a raiz de minha origem, porém, hoje eu aprecio muito trilhas sonoras, músicas étnicas e etc. 

 O que te inspira para compor? 

Meu processo de composição é instável, instintivo e não segue uma regra.
E eu procuro respeitar isso… Se não estou em uma fase propensa para criar, eu prefiro manter a marcha em uma velocidade que se adapte ao momento em que estou vivendo.
Já passei por épocas em que me cobrava diariamente para estar lançando material para subir para as plataformas, pois vejo isso acontecer com frequência pelos músicos de outros países. Isso foi um erro e uma cobrança inadequada, já que tenho outro ritmo de vida, tenho minha vida particular e profissional, que faz parte do mundo real. Hoje eu tenho um pensamento muito diferente. 
Gravarei no meu tempo, quando estiver com um trabalho que me cause tranquilidade para expor, e, sobretudo, com a sensação de satisfação.
Foi assim com as demos, com o álbum Before…, e certamente será com os próximos trabalhos. 

 Você pensa em se apresentar ao vivo novamente? 

Depois que um artista, um músico pisa em um palco, ele sempre quer voltar. É no palco que incorporamos o que fica guardado, gritando para vir à tona. É no palco, que nos reconhecemos em essência e transbordamos o cálice aos receptores. Onoskelis hoje em dia se adapta a outros nichos, já que a musicalidade dela é rica e abraça um público alternativo. 

Com suas vivências e experiências ao longo dos anos, o que a cena metal significa para você? 

 O metal está dentro de cada um, em suas ações e condutas. 
Cena pra mim é outra coisa, carrega um outro significado. Vai além de encontrar pessoas em eventos ou em bares.
É saber respeitar o espaço de cada um, e dobrar a língua antes de levantar informações falsas e intrigas baixas, sobre àquilo que não domina e não tem propriedade.
Cena é “apoio” uns aos outros, ou minimamente “respeito”. Ao contrário do que muitos fazem, agindo com viralatismo para idolatrar gringos, ignorando o que temos de bom por aqui. 

Ruth, você é uma mulher que nos transmite muita força, apesar de toda a essência feminina que você destaca frontalmente em seu trabalho. Você é vista como uma Fênix… A música Summoning the Spirit of The flaming Phoenix, tem a ver com tudo isso? 
Podemos dizer que sim, apesar de eu não ter sido uma Fênix apenas com minha arte sonora. Sempre levei com maturidades as diversas fases da vida, onde mortes simbólicas e físicas acontecem e são necessárias para o descortinar de novos portais.
Sem nenhuma demagogia, hipocrisia ou falsa modéstia, sinto orgulho do que construí ao longo de minha vida e por tudo o que sou responsável. 

Antes de lançar o último álbum, você havia lançado um single. E numa entrevista, você disse que iria convidar algumas outras bandas para participar dele. Só que isso não aconteceu. O que ocorreu? 

O SINGLE foi um experimento. Um teste para sentir como seria este retorno, e mesmo portando de baixa qualidade, o feedback foi positivo.
O que ocorreu foi o que ocorre sempre… Imprevistos… O que não deixam de serem fatores pontuais e importantes para um músico. Convidei um músico da Espanha e estava tudo certo, mas depois ele alegou estar receoso por não sentir -se a altura para colaborar. Então o que pude fazer, foi respeitar, apesar de lamentar. 
Teriam mais duas bandas que não irei mencionar os nomes. Trabalhar com muitas pessoas é complicado, porque cada um tem seu tempo, cada um possui seus compromissos, suas famílias, rotina, mas, contudo, foi um aprendizado e tanto. Com certeza absoluta, meu álbum teria saído muito antes, senão fossem os contrapontos com algumas pessoas envolvidas. E hoje eu tenho uma certeza extrema, a de que este álbum teria mesmo que ter apenas a presença de minha entidade.
 
Atualmente como você rotula o seu estilo? Pois ele já está bem diferente do que era no início. 

 Boa pergunta…
Quando criei Onoskelis (1996), a chamava por música atmosférica, e era exatamente assim que o mundo conhecia, atmosférico, Dark ambient!
Quando me convidaram para retornar, soube que se tratava de Dungeon Synth. Hoje eu não tenho uma classificação exata para o que faço.
Muitos intitulam como new classical, Dark wave, inclusive, assim consta em minha bio… Eu apenas chamo como “minha arte musical”, o que para mim já está de bom tamanho. 

Qual foi a inspiração para a escolha da temática do último álbum? 

Eu costumo dizer que a temática me escolheu.
Toda uma história foi construída antes mesmo de se tornar real.
É meio louco explicar esta mecânica, mas este álbum em especial, provê um conteúdo que promove uma fusão entre minhas vivências, minha existência e resistência, ao tema Mesopotâmico, sem se esquecer da personagem principal que é a Deusa Ishtar.
Desde cada detalhe, da arte da capa, fotos e a narrativa que está no encarte, dando vida ao que esteve adormecido.
Ishtar é uma Deusa que simboliza a guerra, a fertilidade, Vênus…
E criamos um vínculo intenso, desde o seu significado, à sua simbologia lincada ao renascimento, a astúcia, magnetismo e poder.
Tenho sangue oriental nas veias, a cultura sempre me atraiu, assim como a música. O resultado não poderia ter sido outro.
Talvez estas explicações façam muito mais sentido para mim que sinto e executo, do que para quem esteja lendo. É algo muito particular e peculiar. 

 O que foi este retorno para você? Digo no sentido de estar mais ativa, interagir entre as bandas de todo o mundo, com este universo… O que você viu ou sentiu de novo, ou te trouxe alguma lembrança, nostalgia, quiçá um sentimento de arrependimento (se é que isso tenha ocorrido), já que muitos falam em união, mas o que mais vimos é a discórdia? 

Bom, nós estamos sempre em constante aprendizado. Ninguém sabe de tudo. E aos que muito vivem ou viveram, a bagagem de experiências é vasta quando bem aproveitadas.  Eu confesso que resisti muito aos convites antes de entrar de cabeça.  Eu atendi ao primeiro convite após 2 anos de tentativas de um dos selos.  Tirando o avanço tecnológico e o surto coletivo das pessoas, nada pra mim é novidade. A real é que nos dias atuais, as pessoas não se importam mais em expor o que é ridículo e hipócrita. Elas fazem questão de berrar para o mundo o que há de mais podre em seus íntimos.  O retorno para mim foi um chamado, uma intimação e eu intimamente entendo os porquês! Simplesmente era e continua sendo algo que eu devo fazer. Não foi por ninguém, apenas por mim.

Como é para você, lidar com a posição em que você se encontra? Como uma mulher que representa o Dungeon Synth fora do Brasil?  E agora dominante em um estilo diferenciado, além de ter sido uma das primeiras mulheres guitarristas de Black metal na cena brasileira? 

Como eu sempre levei meu trabalho com seriedade e muita naturalidade, essa tônica não me faz pensar que tenho uma carga de responsabilidade ou algo assim. Até porque, o espaço está aberto e eu gostaria muito de poder ver outros(as) artistas crescendo neste estilo. Mais mulheres atuando sem qualquer receio. Lá fora temos vários exemplos e muitas delas me agradecem por ter aberto o caminho.

Me diga, você já sentiu preconceito por parte de outras pessoas por ser uma mulher sul-americana, com uma projeção respeitada e elevada dentro de um estilo? 

 No início eu demorei para fazer a leitura de certos comportamentos, certas piadinhas, mas depois obtive a certeza de que estava causando um certo “incômodo”. Isso ficou patente após a live. Mas das mediocridades mínimas que chegam ao meu conhecimento, eu sei que tem a ver com um pouco de cada coisa. (Frustração, ressentimento, vontade de fazer algo e não dispor de conhecimento, ferramentas e o mais importante: CORAGEM). Eu quebrei um padrão de som monotônico e monocórdico de um estilo. (Nada contra). Eu cheguei com o pé na porta e mostrei o que eu queria mostrar e fazer. Certas pessoas têm dificuldades para aceitar isso. Críticas também são um termômetro para mostrar o tamanho da nossa importância. Eu não me apego a isso, eu apenas faço o que tenho vontade. Eu sou o tipo de pessoa que prefere ir pelo caminho mais longo e espinhoso, para poder chegar ao destino com orgulho. Quanto mais desafiada, mais inspirada eu me torno. Eu agradeço imensamente as pessoas que me apoiam e me acompanham. Para o resto que muitas vezes não faz nada, eu desafio a fazer. Tem muitos zumbis caminhando por aí, sem um DNA artístico, sem uma identidade própria, buscando escalar às custas de quem faz um trabalho árduo. Para essas pessoas, eu deixo o meu sincero FDS! Isso é libertador, principalmente quando você não deve nada a ninguém.

Você quer nos adiantar alguma novidade sobre o que possa estar chegando? 

… Como eu disse antes, estamos em constante aprendizado e eu sei que o que ninguém sabe, não se estraga. Isso serve para todos os campos de nossas vidas. 
Só adianto que tem coisa boa chegando. Em breve teremos notícias. 
Depois de um período em descanso, eu estou de volta, firme e forte. (Para variar). 

 Ruth, mais uma vez, muito obrigada por essa conversa tão além do que se esperava. Fique à vontade para deixar suas palavras… 

 Agradeço em especial a você Rah, pelo convite tão bacana, pelo apoio que sempre recebi de você. Você merece colher dos melhores frutos, por ser essa mulher tão engajada e competente. Agradeço também a equipe da Lúcifer Rex, pelo espaço cedido. Saúde! 

 

@onoskelis_official

https://onoskelis.bandcamp.com/

Rah Brilhante

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