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FUNERAL OF DISEASE – Sentimento desesperador em seu álbum de estreia.

Alan Luvarth agosto 21, 2026 7 min read

Funeral of Disease é um projeto internacional com um membro aqui do Brasil e outro da Suécia, e nesse primeiro trabalho dessa recém formada banda temos um estilo tétrico e desesperador do DSBM e pitadas de Funeral Doom, tudo na medida certa, vamos conhecer um pouco desse trabalho conversando com seus mentores…

Primeiramente, fale como foi o contato com Vanskapt para criação do Funeral Of Disease?

Misanthropic – Gostaria de começar agradecendo o espaço cedido a nós pela Lucifer Rex Magazine, vocês têm sido de suma importância para nós do FoD. Estamos entrando no radar underground aos poucos e vocês tem uma grande parcela de contribuição nisso. Bem, nós já nos acompanhávamos mutuamente no sentido musical, quero dizer, conhecia os trabalhos dele e os admirava, e ele o mesmo em relação aos meus. Então, em um dia qualquer, em um dado momento, simplesmente o abordei em alguma rede social na época e o convidei para lançarmos um Split entre Blood Flowing (um trabalho que coloquei em hiato indefinido), e o Old Ugly Trees, trabalho ao qual ele encerrou. A partir disso, começamos a desenvolver a ideia do que seria o FoD, mas sem muito ímpeto até então. Queríamos fazer algo sem pressa, sem afobação. Os planos eram criar uma single, por volta de uns 2 meses depois criar outra, e por aí vai. Mas a química musical e criativa bateu e em poucas semanas já tínhamos acumulado músicas o suficiente para um EP e em seguida o nosso Debut.

Vanskapt: Sim, muito obrigado por nos ajudar a alcançar um público maior. Como o Misanthropic já disse, começamos fazendo um split. Depois, conversamos e ele sugeriu iniciarmos nosso próprio projeto. Foi uma decisão muito fácil depois de perceber que ele tinha a mesma ética de trabalho insana que eu, aquela de simplesmente fazer as coisas acontecerem rápido. Não consigo enfatizar o suficiente o quanto o Misanthropic é um gênio musical, com a combinação desses fatores, a decisão pareceu óbvia.

A banda soa como um DSBM com pitadas de funeral Doom, comentem a respeito das principais influências musicais?

Misanthropic – Bem, quem acompanha meus trabalhos desde a época ao qual executei 99% do A Dead Poem e do A Void Named Life, sabe que venho da escola do Doom, Doom/Death, Funeral Doom, mas também do próprio Black Metal e do Depressive Black Metal. Então de minha parte, há muita, mas muita influência mesmo principalmente do Katatonia (antigo) hahahaha. Mas também, tem o Forgotten Tomb, Anathema, Make A Change… Kill Yourself, e uns caras dos Estados Unidos que eu gosto muito e que voltaram recentemente às atividades, a banda Dusk. Não digo que sonhasse com essa estética até fundar o Blood Flowing e querer fundir tudo isso, mas foi sem sucesso na época. Eu conseguia fazer um instrumental bem característico, mas meus vocais não eram tão sofridos para isso, ou era muito black metal ou muito funeral death. Então, criamos o FoD para suprir este vazio.

Vanskapt: Woods Of Infinity é sempre a minha principal influência em todos os meus trabalhos, mas, para o Funeral Of Disease, também me inspirei em clássicos como Silencer e Bethlehem para a sonoridade vocal.

 O nome Funeral Of Disease soa perfeitamente com a sonoridade da banda, como foi a escolha do nome?

Misanthropic – Bem, isso na verdade levou menos tempo do que o habitual. A gente gravou tudo, deixamos tudo pronto, tudo nomeado, ordem das músicas, etc, e só depois, decidimos um nome. Escolhemos algumas coisas e fomos afunilando até chegar em Funeral Disease, mas sabiamente, Vanskapt sugeriu o complemento Funeral Of Disease. Na hora entendemos que este nome seria perfeito, e estaria até mais alinhado com a temática e sonoridade que criamos.

Vanskapt: Como mencionei, a tendência já era Funeral Disease, mas, por algum motivo, achei que Funeral Of Disease soava melhor ao ser pronunciado e sugeri essa pequena alteração.

As letras tem uma profundidade tétrica e desesperadora em suas temáticas, como funcionam as criações temáticas das letras?

Misanthropic – Vanskapt é um grande compositor, a gente conversa muito sobre tudo, vida, traumas, prazeres, passado, presente, futuro. Muitas das coisas são extraídas disso com certeza. Além disso, eu deixo essa parte 100% para ele. Eu realmente me sinto muito confortável e familiar com as coisas que ele escreve para a banda.

Vanskapt: Bom, como o Misanthropic diz, tudo isso vem principalmente de conversas sobre traumas e experiências de vida que tivemos. Ao escrever, tento incluir o máximo possível das nossas histórias. Então, é basicamente uma mistura das nossas vidas. O processo geralmente funciona assim: o Misanthropic me passa uma música nova, eu a ouço algumas vezes para buscar inspiração e, depois, ouço mais algumas vezes enquanto escrevo a letra hahaha.

Aqui no Brasil o DSBM caminha ainda muito restrito, quais bandas você colocaria na atualidade como alicerce do estilo?

Misanthropic – Bem, eu tenho uma visão um pouco polêmica em relação a isso. Acho que o DSBM se tornou uma vitrine de loucura, insanidade, performance visual extrema e pouca musicalidade. Muitas das coisas atuais para mim soam todas iguais. Dito isso, eu ainda gosto muito dos clássicos, os que ainda fazem o primitivo black metal depressivo de verdade (Xasthur, Hypothermia, Make A Change… Kill Yourself, Ignoble, Forgotten Tomb…). Essas coisas que se aproximam mais de baladas tristes e repetitivas acabam parecendo mais um sertanejo universitário do black metal. Mas falando do Brasil, gosto de uns nomes bem específicos. Schizophantom, é de um rapaz jovem lá do RS, a gente troca umas ideias às vezes. Esse cara sabe fazer um Black Metal Depressivo brutal, cru. Gosto também do Rêveries Fragmentadas e algumas coisas do Funesto. Fiquei sabendo recentemente que o Sérgio é meu conterrâneo, então dá para entender o porquê da música dele ser tão melancólica. Não podemos deixar faltar o aclamado Thy Light. Se tem uma coisa que estrangeiro vem falar comigo quando o assunto é DSBM é dó Thy Light hahaha

Vanskapt: Sinceramente, não conheço muito a cena brasileira, e isso se deve em grande parte à ideia que eu tinha de que ela era praticamente igual à nossa cena de black metal, algo a que me opus por muito tempo. No entanto, com o passar dos anos, tornei-me mais aberto ao black metal não escandinavo e ao DSBM. Mas, de fato, trabalhei com o Schizophantom em um projeto que também contava com a participação do Blood Flowing. Ambas as bandas são muito boas e abriram minha mente para conhecer mais do DSBM brasileiro.

O debut álbum saiu pelo conceituado selo Cold Art Industry, como foi esse contato para o lançamento?

Misanthropic – Isso foi graças ao contato que mantive com o Douglas Barão desde a época do A Dead Poem. A gente estabelece essa conexão e desde então estamos nos comunicando por vários motivos. Quando começamos a procurar gravadoras e decidimos lançar com alguém que entendesse do assunto e que estivesse disposto a investir em uma banda “saindo do zero”, eu já sabia que tinha que falar com ele. Além disso, Douglas também é um grande amigo, um cara extremamente profissional e que tem uma visão absurda para novos talentos. Quando ele ouviu as músicas e conversamos posteriormente, ele topou sem hesitar.

E sobre o sueco Vanskapt, quais as bandas relevantes para você aqui no Brasil?

Vanskapt – Bom, como eu disse antes, é um cenário totalmente novo para mim hahaha.

A arte de capa do primeiro Full mostra uma arte bem mórbida e doentia, como foi a escolha dessa arte e quem foi o autor?

Misanthropic – Foi criada por ambos mas desenvolvida por mim. Eu sou designer gráfico então, isso meio que é o meu dia a dia hahaha. Miramos em algo que também refletisse o peso e o nome da banda, a ideia é basicamente um cadáver vítima de alguma doença fatal virulenta se decompondo. Eis a razão para Debut ser autointitulado.

Vanskapt: Bem, o Misanthropic é, por um bom motivo, o responsável pela criação dos aspectos visuais. Ele geralmente apresenta algumas opções e, então, decidimos juntos.

O que podemos esperar no futuro do Funeral Of Disease?

Misanthropic – Uma jornada ainda mais pungente e aterradora entre o Doom e o Depressive Black Metal. Já temos ideias para um segundo álbum, já estamos conversando sobre isso, reunindo alguns fragmentos para quem sabe começar a fazer algo em breve.

Vanskapt: Acredito que o melhor ainda está por vir, ambos buscamos constantemente evoluir a cada lançamento. E, quanto mais nos conhecemos, mais profundo se torna o significado das músicas. Diria que compartilhamos a mesma visão de mundo, mas sob perspectivas diferentes, e isso transparece de verdade no nosso trabalho.

Deixo as palavras finais com vocês, para todos os admiradores dessa atmosfera densa, desesperadora e mórbida do Funeral Of Disease….

Misanthropic – Funeral Of Disease nasceu em meio ao caos, a junção de duas mentes, realidades e histórias distintas, além da desgraça real que assola a sociedade atual. Não estamos em uma competição, não estamos tentando provar nada para ninguém, estamos cristalizando nossas mazelas em forma de arte. Não esperamos que todos gostem e/ou aprovem. Continuaremos compondo, criando, entregando dor real para corações obscuros que se identifiquem e precisem disso.

Funeral Of Disease é música obscura para corações obscuros.

Vanskapt: Acho que o que pode tocar as pessoas é a nossa honestidade crua, não há teatralidade, toda a dor e o sofrimento são reais. Isso vem de vidas e experiências reais, aquele tipo de influência da vida real que não dá para fingir.

 

Alan Luvarth

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Tags: Cold Art Industry dsbm funeral of disease lucifer rex lucifer rex extreme portal lucifer rex mag lucifer rex portal lucifer rex web lucifer.rex.magazine

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