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SORHIN: AS CHAMAS ADORMECIDAS SOB A MISANTROPIA E A MORTE

Anton Naberius agosto 7, 2026 14 min read

Entre a crueza transformada em princípio, o isolamento e os espectros de uma era caótica do black metal sueco, o Sorhin permaneceu nas sombras sem jamais aceitar o próprio sepultamento.

Nattfursth

Existem bandas cuja morte pode ser localizada com relativa precisão. Um último disco, uma apresentação derradeira, uma ruptura anunciada ou simplesmente o esgotamento criativo encerram uma trajetória e permitem que o tempo organize seus restos dentro da história. Com o Sorhin, entretanto, essa lógica parece inadequada. O silêncio que se abateu sobre a banda sueca depois de 2002 foi facilmente interpretado como fim porque a ausência prolongada costuma exigir explicações definitivas. Durante anos, o grupo foi presumido morto, sepultado ao lado de tantas outras formações que atravessaram o black metal dos anos noventa deixando para trás poucos registros e uma memória restrita aos que acompanharam o subterrâneo em seu próprio tempo. Nattfursth, porém, rejeita a ideia de morte porque, para ele, jamais existiu um funeral.

A diferença entre estar morto e permanecer adormecido adquire uma dimensão particular quando pronunciada pelo vocalista de uma banda que transformou a morte em um de seus eixos fundamentais. Na entrevista concedida a Niklas Göransson em 2016, Nattfursth não descreve os anos de inatividade do Sorhin como uma ruptura planejada. A imagem utilizada é a de uma chama privada de oxigênio. O fogo perde intensidade, deixa de ser visível, mas continua ardendo sob a superfície. Em algum ponto, o próprio desejo de trabalhar nas sombras e atacar quando menos se esperasse dissolveu-se em um processo subconsciente de afastamento. A energia simplesmente desapareceu. O impulso enfraqueceu. Ainda assim, a chama nunca foi completamente apagada.

Essa percepção conduz inevitavelmente a janeiro de 1999, quando o Sorhin acabara de gravar Apokalypsens Ängel. O período seguinte foi, segundo Nattfursth, extraordinariamente produtivo. Durante o restante daquele ano e o início do novo milênio, a banda escreveu as letras e grande parte da música destinada ao terceiro álbum, Hädanfärd, título derivado de um termo do sueco antigo relacionado ao luto. Havia movimento, material e uma direção aparentemente definida. Contudo, o lançamento de Apokalypsens Ängel foi cercado por problemas e atrasos. Quando o disco finalmente chegou ao público, mais de um ano depois, algo havia se perdido dentro da própria banda.

Nattfursth chama isso de perda do fogo. Não uma ruptura dramática, mas um esgotamento progressivo que tornou difícil reunir energia para continuar. O split com o Puissance, To Give Death by the Sword of Christ!, lançado em 2002, foi praticamente tudo que o Sorhin conseguiu extrair daquele período. Depois disso, a banda desapareceu da superfície. O erro talvez tenha sido confundir invisibilidade com inexistência.

Durante aproximadamente quinze anos, Nattfursth e Eparygon continuaram trocando ideias. Músicas foram gravadas. Outras foram descartadas. Longos períodos transcorreram sem qualquer acontecimento, apenas para serem interrompidos por explosões repentinas de produtividade. O Sorhin passou a existir segundo um ritmo incompatível com as exigências normais de uma banda. Não havia a obrigação de produzir discos regularmente, alimentar uma presença pública ou demonstrar atividade para provar a própria existência. Havia silêncio. E, ocasionalmente, alguma coisa se movia dentro dele.

A cooperação com a francesa Norma Evangelium Diaboli para o lançamento do box Förbannade år 1993-2001, em 2008, funcionou como um desses movimentos. Ao reunir a discografia do Sorhin e material adicional, o projeto forçou seus integrantes a confrontarem novamente o próprio passado. Memórias emergiram. Algumas delas, segundo Nattfursth, possuíam uma força genuinamente inspiradora. As chamas foram alimentadas outra vez, ainda que o grupo continuasse avançando sem qualquer pressa.

Essa recusa da urgência talvez seja um dos elementos mais reveladores do Sorhin. Quando Göransson preparava a entrevista, recebeu antecipadamente uma nova composição da banda. A música havia sido criada em 2014 e gravada em Borlänge no ano seguinte. Sua letra era alguns anos mais antiga, mas fragmentos podiam ser rastreados até 2000. Uma única composição carregava, portanto, vestígios de diferentes momentos separados por mais de uma década. O passado não estava sendo simplesmente revisitado. Ele continuava infiltrado no presente.

A formação permanecia reduzida a Nattfursth e Eparygon, os dois membros fundadores. A relação entre ambos já não dependia de convivência constante. Nattfursth os define como camaradas que compartilham a mesma visão para o Sorhin, embora raramente socializem. Talvez seja precisamente essa visão que permita à banda sobreviver ao tempo e à distância. Não existe a necessidade de proximidade cotidiana quando determinados princípios permanecem intactos.

Na música, esses princípios tornam-se imediatamente reconhecíveis através das guitarras de Eparygon. Göransson afirma ter identificado o Sorhin quase instantaneamente ao ouvir o novo material. Os riffs não permitiam confusão. Para Nattfursth, Eparygon possui uma abordagem verdadeiramente singular, responsável por transformar determinadas estruturas de guitarra em uma espécie de marca registrada da banda. É um black metal retorcido, atravessado por elementos discretos de música folclórica, mas incapaz de negociar sua crueza.

O Sorhin nunca pareceu interessado em encontrar um território confortável. Nattfursth reconhece que provavelmente a banda jamais se encaixará inteiramente em lugar algum e não demonstra qualquer desconforto diante disso. Em uma cultura musical que frequentemente transforma códigos de marginalidade em novas formas de pertencimento, essa afirmação possui um peso particular. O isolamento do Sorhin não é apresentado como estratégia de distinção. É consequência de uma linguagem que seus próprios integrantes consideram pessoal demais para ser ajustada.

Essa mesma obsessão pela autenticidade produziu alguns dos episódios mais extremos de sua história. Durante a gravação da primeira demo, em 1993, Nattfursth utilizou um alicate ajustável para provocar dor física em si mesmo enquanto gravava os vocais. O detalhe poderia facilmente ser reduzido à anedota grotesca, mas sua explicação revela uma concepção muito mais profunda. A intenção era canalizar agonia genuína. O sofrimento não deveria ser interpretado. Precisava existir.

Há uma diferença fundamental entre representar dor e tentar registrá-la enquanto acontece. Nattfursth buscava apagar essa distância. Se os gritos deveriam carregar sofrimento, então o corpo precisava sofrer. Décadas depois, ele continuava satisfeito com o resultado e convidava o ouvinte a retornar à gravação para perceber a agonia contida na voz. O gesto revela uma compreensão do black metal como experiência que perde parte de sua força quando se torna apenas linguagem estética.

Essa convicção também explica sua conhecida rigidez em relação à produção sonora. Göransson ironicamente o chama de “Talibã dos agudos”, uma referência à defesa quase fanática de Nattfursth por uma sonoridade agressiva, ruidosa e deliberadamente hostil à clareza. A idade não liberalizou suas políticas sonoras. Para ele, uma produção crua, suja e barulhenta continua sendo essencial para forjar o sentimento correto.

A palavra fundamental é sentimento. Nattfursth não discute qualidade sonora a partir de parâmetros técnicos convencionais. O som é um instrumento atmosférico e sua genealogia pessoal atravessa os primeiros registros do Bathory, o antigo thrash alemão e o Darkthrone. A sujeira não representa incapacidade técnica. O ruído não é um defeito a ser corrigido. Ambos funcionam como elementos capazes de produzir uma atmosfera específica e, sem ela, algo essencial desaparece.

Durante as gravações de Apokalypsens Ängel no então recém-construído The Abyss Studios, essa visão entrou em conflito com Eparygon, com Tommy Tägtgren e com o responsável pelo selo. Os três defendiam uma mixagem mais audível. Nattfursth desejava outra coisa. As guitarras foram enviadas através de um pedal diretamente para a mesa de mixagem e ele tentou moldar distorção, agudos e toda a paisagem sonora segundo seus princípios.

Sorhin 1996 – Eparygon, Nattfursth

Quando percebeu que estava em minoria, passou a agir clandestinamente. Sempre que permanecia sozinho na sala de mixagem, realizava pequenas alterações nos níveis. O som mudava de maneira tão persistente que Tägtgren chegou a suspeitar de problemas em seus equipamentos recém-adquiridos. O episódio possui algo de absurdo, mas revela a dimensão quase doutrinária que Nattfursth atribuía ao som. Ele não estava discutindo simplesmente uma preferência de mixagem. Estava defendendo aquilo que considerava a própria condição de existência daquela música.

No final, Nattfursth e Eparygon encontraram um compromisso que ambos continuavam capazes de sustentar anos depois. Entretanto, a história evidencia uma tensão que atravessa o black metal desde seus primeiros movimentos: até que ponto a inteligibilidade técnica pode avançar antes de destruir a atmosfera? Para Nattfursth, a resposta sempre esteve próxima do extremo. Quando a produção limpa excessivamente as arestas, ela também remove parte daquilo que torna o black metal reconhecível para ele.

Se o ruído constitui a carne sonora do Sorhin, a misantropia e a morte formam seu esqueleto conceitual. As duas palavras funcionavam como lema informal de Apokalypsens Ängel e continuavam profundamente relevantes para Nattfursth em 2016. “Quando o Inferno chama seu nome, não há caminho de volta.” A afirmação não é apresentada como lembrança juvenil. Ele diz continuar vivendo segundo essas palavras.

O que mudou foi o local onde esse processo acontece. Com o passar dos anos, a misantropia tornou-se mais internalizada. Nattfursth rejeita a imagem de alguém que percorre o mundo desperdiçando energia ao desejar conscientemente sofrimento universal. Para ele, a perdição chegará inevitavelmente. Não existe razão para convocá-la. Sua aversão à humanidade nasce de outra percepção: a existência de uma falsidade inerente ao ser humano que ele afirma não compreender e não aceitar.

Há algo quase ontológico nessa rejeição. A humanidade não é condenada apenas por determinados comportamentos ou instituições. O problema estaria inscrito em sua própria constituição. Nattfursth identifica uma falsidade fundamental e sua misantropia parece surgir da impossibilidade de conciliar-se com ela. Não existe proposta de correção. Nenhuma esperança de reforma. Apenas afastamento.

A morte, por outro lado, oferece algo que a humanidade não possui: inevitabilidade absoluta. É sua presença onipotente que fascina Nattfursth. A morte não mente, não negocia e não necessita da aceitação humana. Ela pode representar o encerramento de uma fase, mas também o começo de algo novo e maior. Nesse ponto, sua obsessão ultrapassa o simples fascínio pela destruição e assume uma dimensão metafísica.

A morte é uma fonte infinita de inspiração porque jamais revela completamente sua posição. Ela espreita. Pode surgir quando menos se espera e superar qualquer tentativa de antecipação. O indivíduo vive diante de uma presença que sabe ser inevitável, mas cuja aproximação não consegue medir. Para Nattfursth, parece existir uma espécie de grandeza nessa soberania absoluta.

Talvez seja significativo que uma banda tão obcecada pela morte tenha mantido uma relação tão escassa com o espetáculo público. Entre 1994 e 2000, o Sorhin realizou apenas seis apresentações. Houve um show em Västerås com o Dark Funeral, em 1996, e uma pequena turnê alemã na virada do milênio. Nada além disso. Tocar ao vivo nunca ressoou com seus integrantes e, portanto, jamais se tornou prioridade.

O Sorhin preferia operar longe dos holofotes. Essa escolha reforça uma contradição recorrente dentro do black metal: uma música construída em torno da negação da exposição inevitavelmente precisa tornar-se pública para existir como obra. O Sorhin parece ter resolvido essa tensão reduzindo sua presença ao mínimo. Os registros permanecem. A banda, entretanto, não precisa estar constantemente diante do público.

A única turnê de sua história é lembrada por Nattfursth como um espetáculo decadente do começo ao fim. Ele reconhece ter extraído alguma experiência daquilo, mas não demonstra qualquer desejo de repetir o processo. O homem que já foi considerado um encrenqueiro em períodos de farra vive atualmente de maneira exteriormente muito mais controlada. Internamente, porém, afirma continuar governado por um espírito forte, rebelde e juvenil.

Sua paz surgiu quando abandonou o ambiente urbano. Nattfursth deixou a cidade e passou a viver em uma região rural remota, tendo a floresta como vizinha mais próxima. O isolamento geográfico não parece uma extensão teatral de sua misantropia, mas a descoberta de um espaço compatível com sua própria natureza. A cidade ficou para trás. A floresta permaneceu.

O black metal, entretanto, continuou no centro de sua existência. Grande parte de sua rotina diária ainda girava ao redor da música. Nattfursth acompanhava lançamentos, comprava discos e eventualmente descobria uma nova banda capaz de despertar seu interesse. Admitia que esses encontros estavam se tornando cada vez mais raros. Panphage possuía, em suas palavras, “o sentimento correto”. A Nordvis também havia lançado trabalhos interessantes. Talvez com certa ironia, o misantropo ainda conseguia afirmar que havia esperança.

Mas o passado permanecia próximo. Durante dezessete anos, Niklas Göransson guardou uma fita cassete contendo mixagens brutas de músicas fortemente influenciadas pelo Zyklon-B norueguês. O projeto chamava-se Weltmacht e trazia Nattfursth nos vocais. Mathias Kamijo, do Algaion, havia composto o material e as gravações de um álbum completo começaram no The Abyss Studio por volta de 1998 ou 1999. O disco jamais foi finalizado.

A história é estranhamente semelhante à do próprio Sorhin. Nada foi formalmente encerrado. O projeto simplesmente se dissipou. Havia material suficiente para pelo menos um EP e o plano original era lançá-lo pela Shadow Records. Durante anos, porém, as gravações permaneceram suspensas em algum ponto entre existência e desaparecimento.

Para Nattfursth, tudo se move em ciclos. A Shadow Records, que durante muito tempo esteve inativa, havia retornado. Seu primeiro lançamento após o reaparecimento seria justamente uma reedição em vinil de Apokalypsens Ängel. O selo que deveria lançar o Weltmacht e que atravessara seu próprio período de silêncio reaparecia ligado novamente ao Sorhin. O passado parecia reorganizar suas peças.

A relação de Nattfursth com Marcus Tena, proprietário da Shadow Records e integrante do Triumphator, atravessava mais de vinte anos. Uma parte significativa de sua coleção havia sido adquirida através da antiga distribuidora de Tena. Quando a Shadow Records deixou de funcionar apenas como distribuidora por correspondência e se transformou em uma loja física em Estocolmo, o espaço rapidamente assumiu uma função muito maior do que a venda de discos.

A loja tornou-se uma espécie de quartel-general social para determinados elementos da cena black metal de Estocolmo. Nattfursth recorda aquele período como uma época inspiradora envolta em diferentes formas de caos. A desordem atravessava a loja, bares e concertos. Pessoas que sequer esperavam ser envolvidas podiam acabar atingidas pelo ambiente. Havia, segundo ele, sempre alguma forma de diabrura acontecendo.

Violência. Suicídios. Devassidão.

As palavras aparecem em sua memória não apenas como excessos periféricos, mas como elementos de uma atmosfera que Nattfursth considera vital para o sentimento existente ao redor do black metal naquele momento. Essa percepção exige cuidado. A entrevista não oferece uma análise moral posterior desses acontecimentos. Nattfursth fala a partir de sua própria memória e identifica naquele caos uma força capaz de intensificar a experiência da cena.

O que emerge é o retrato de um ambiente em que música, comportamento e autodestruição frequentemente deixavam de possuir fronteiras claras. O black metal não terminava quando o disco era retirado do toca-discos. A lógica do excesso continuava na loja, nos bares, nos concertos e nas relações entre indivíduos. A ideia de viver a música, tão frequentemente romantizada, revela aqui sua face mais instável.

Quando Göransson pergunta pela memória mais intensa daquele período, Nattfursth escolhe paradoxalmente a mais fragmentada. O episódio ocorreu dentro da Shadow Records. Havia um responsável por selo extremamente bêbado. Uma arma carregada. Pessoas fanáticas em frenesi coletivo. Gás lacrimogêneo. Um manequim.

E então a narrativa é interrompida.

Göransson considera melhor para todos os envolvidos que os detalhes permaneçam ocultos. Nattfursth concorda rindo. Em retrospecto, admite que tudo poderia ter terminado muito mal. Ainda assim, afirma que valeu a pena e saúda Malign, Funeral Mist e Triumphator. O silêncio imposto ao restante da história talvez diga mais do que qualquer descrição detalhada.

Nattfursth não afirma sentir profunda falta daquela época. Os dias de caos permaneceram onde deveriam permanecer: no passado. Entretanto, as memórias são preservadas com afeição. Para tudo existe uma estação e um tempo para cada propósito debaixo do céu. A frase bíblica utilizada por ele encerra simbolicamente uma era que, na realidade, terminou de maneira muito menos contemplativa.

Em janeiro de 2001, a polícia invadiu a loja da Shadow Records. Marcus Tena foi enviado para a prisão. Um capítulo específico da história do metal sueco terminou abruptamente. Nattfursth e Tena perderam contato durante aproximadamente uma década.

Depois, o ciclo recomeçou.

Talvez essa seja a chave para compreender o Sorhin. A banda não avança em linha reta porque sua própria história é construída através de movimentos circulares. Material é composto e abandonado. Projetos desaparecem e reaparecem. Selos encerram atividades e retornam. Relações são interrompidas e posteriormente reconstruídas. Uma letra escrita em determinado momento preserva fragmentos de quinze anos antes. Uma fita permanece guardada durante quase duas décadas. Um álbum retorna em vinil pelas mãos de um selo que também havia sido considerado morto.

Tudo parece destinado a desaparecer sem necessariamente deixar de existir.

Capa do álbum “Apokalypsens ängel” 2000 (
Svartvintras Productions) SORHIN

Por isso, chamar qualquer nova atividade do Sorhin de retorno talvez seja um erro. Nattfursth rejeita a ideia de comeback porque não existe ressurreição sem morte anterior. O Sorhin nunca foi colocado para descansar. Apenas deixou de ser visível.

Nas sombras, Nattfursth e Eparygon continuaram compartilhando a mesma visão. A crueza permaneceu um princípio. A misantropia tornou-se mais silenciosa e interior. A morte continuou onipotente. A cidade foi substituída pela floresta. O caos transformou-se em memória. Mas o fogo, privado de oxigênio durante tantos anos, jamais foi completamente apagado.

A entrevista conduz inevitavelmente a essa imagem: abaixo da superfície existe algo ainda fumegando. Talvez não haja urgência. Talvez o Sorhin permaneça novamente em silêncio durante anos. Isso parece pouco importante para uma banda que jamais aceitou medir sua existência pela frequência com que é vista.

Existem mortos.

Existem os que retornam dos mortos.

E existem aqueles que simplesmente nunca foram enterrados.

O Sorhin pertence à última categoria.

Enquanto as brasas permanecerem abaixo da superfície, a possibilidade continuará existindo. Nattfursth parece compreender isso melhor do que qualquer um. Afinal, em um universo regido por ciclos, nenhuma ausência precisa ser definitiva.

E quando os antigos conspiradores voltam a se encontrar, resta apenas sua previsão:

“Prevejo violência…”

SORHIN Dicografia:

Svarta själars vandring Demo 1993
I fullmånens dystra sken Demo 1995
Trolskust Split 1995
Skogsgriftens rike EP 1996
Arte de Occulta Split 1996
Skogsgriftens rike / From the Mist of Dark Waters Split 1996
I det glimrande mörkrets djup Full-length 1997
Advance Tape Demo 1997
Åt fanders med ljusets skapelser Single 1997
Döden MCMXCVIII EP 1998
I det glimrande mörkrets djup / Döden MCMXCVIII Compilation 1999
Apokalypsens ängel Full-length 2000
To Give Death by the Sword of Christ! Split 2002
Förbannade år 1993-2001 Boxed set 2008

Line-up:

Eparygon – Guitars, Bass, Drums
Nattfursth – Vocals

Anton Naberius

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